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Entender como funciona o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — em relação ao tempo de prova, ao que é permitido ou proibido levar no dia e à logística de deslocamento até o local — são alguns dos principais motivos que levam estudantes do 1º e 2º anos do ensino médio a participarem do Enem como “treneiros”.
A prática funciona como um ensaio geral antes do momento decisivo. Mas, e quando o exame, que é a principal porta de entrada para as universidades públicas do país, passa a valer de verdade?
Qualquer pessoa que já concluiu o ensino médio ou está concluindo essa etapa pode fazer o Enem para acesso à educação superior. No entanto, os participantes que ainda não finalizaram essa fase escolar podem participar como “treneiros”. Dessa forma, os resultados no exame servem apenas para autoavaliação dos conhecimentos.
Neste ano, o Enem será realizado nos dias 9 e 16 de novembro. Dos 4,8 milhões de inscritos confirmados em todo o país, Pernambuco responde por 272.299 participantes — número superior ao da edição anterior, que teve 261.702 confirmações, representando um aumento de cerca de 4%.
Simulados e reforço em áreas de dificuldade
A estudante Jéssica Andrade, da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, mudou totalmente sua rotina de preparação para o Enem após ter feito a prova no ano passado.
Jéssica contou à coluna Enem e Educação que, desde então, passou a intensificar os estudos por meio de um cronograma, com foco especial nas disciplinas em que tem mais dificuldade, com base nos conteúdos cobrados em edições anteriores do exame.
“As matérias que eu mais senti que precisava reforçar este ano foram Matemática e suas Tecnologias, e Ciências da Natureza. São matérias que eu até tenho facilidade, mas para resolver as questões do Enem eu fui percebendo que eu preciso ter um conteúdo mais completo, então eu acompanho aulas mais longas e resolvo mais questões também”, afirmou.
Para a estudante da Erem Ageu Magalhães, fazer simulados é essencial, mesmo os mais conteudistas, assim como resolver provas das edições anteriores do Enem.
“Essa foi uma das minhas estratégias para me ajudar no meu desempenho. Porque se a gente começa nos problemas mais complicados e difíceis de resolver, e vai aprendendo as resoluções, você acaba tendo facilidade para chegar naquelas questões que são menos conteudistas”, destacou.
Além disso, ela também espera superar a nota obtida na Redação do Enem 2024, cujo tema foi “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”.
“A minha nota na redação foi 920, mas a minha expectativa é de que eu consiga manter essa nota ou até mesmo superá-la. A Redação é uma das áreas que eu tenho facilidade, venho me preparando bastante. Na minha escola temos duas aulas de redação na semana, então é muito importante ter continuidade também na redação porque eu acho que é uma área que você pode evoluir em menos tempo e com mais facilidade também”, disse.
Jéssica Andrade fez o Enem como treineira no ano passado – Arquivo pessoal
Para quem já foi “treineiro”, a experiência anterior impacta rotina e preparação emocional
Para quem já se testou como treineiro no Enem, o impacto vai além da rotina de estudos: afeta também o lado emocional, trazendo uma nova forma de encarar a preparação para as provas.
Foi exatamente essa transição que a aluna do 3º ano do Colégio Saber Viver, Ana Beatriz Alves, relatou em entrevista à coluna Enem e Educação. Ela participou do Enem no segundo ano do ensino médio para conhecer o formato da avaliação e testar seu ritmo de resolução. Agora, encara a edição que pode definir seu ingresso no ensino superior.
“Fiz o Enem no ano passado porque queria sentir a experiência, principalmente do tempo, da duração da prova, que é o que mais me pegava. Eu nunca tinha feito antes, só simulados em casa. Mas eu acho que não precisamos chegar no terceiro ano sem ter feito pelo menos duas vezes o Enem”, contou.
Segundo Ana Beatriz, a vivência contribuiu não só para aprender a controlar o tempo, mas também para ter contato com conteúdos que só seriam vistos mais adiante em sala de aula, como temas relacionados à química orgânica e à física elétrica.
“O que mais tive dificuldade foi a administração do tempo. São muitas questões para pouco tempo. E também caíram assuntos que eu ainda não tinha estudado. Não tinha como resolver mesmo, era por falta de conhecimento”, disse.
A aluna Luana Lucena Cruz, também do Colégio Saber Viver, decidiu participar do Enem nos dois primeiros anos do ensino médio. O objetivo era ganhar familiaridade com o exame, entender melhor como funciona a dinâmica da prova, os horários, o tempo disponível e os procedimentos logísticos no dia da aplicação.
“Eu acho que o mais difícil é a questão do tempo, né? A gente ainda vai se acostumando. No primeiro ano, principalmente, a prova assusta mais. A gente sabe menos conteúdo, então tem questões que não conseguimos resolver por desconhecimento. Já no segundo ano, eu entendia melhor o processo, mas a estrutura da prova em si não muda muito”, explicou.
A experiência acumulada ajudou Luana a aperfeiçoar a preparação neste ano. Ela intensificou o uso de simulados e provas anteriores, além de incluir estratégias para reforçar o repertório cultural.
“Eu sempre fui dedicada, mas agora que a prova vale de verdade, eu tenho feito muitos simulados e provas antigas. Isso me ajuda a entender as questões e melhorar o desempenho. Também tento aproveitar qualquer tempo livre para estudar, ler livros que caem na prova e aumentar meu repertório cultural, que é essencial para a interpretação dos textos”, afirmou.
Equilíbrio emocional como estratégia na transição entre simulações e a aplicação real da prova
A preparação dos alunos da 3ª ano do Ensino Médio não deve envolver apenas o conteúdo, mas também o fortalecimento emocional. Segundo a coordenadora do Ensino Médio do Colégio Saber Viver, Hayalla Elaine Teixeira, a escola tem adotado uma abordagem que busca tranquilizar os estudantes diante da prova e mostrar que o objetivo está ao alcance deles.
“O primeiro ponto que sempre trazemos para eles é uma linguagem de tranquilidade, no sentido de conhecer a régua de habilidades do Enem. A melhor nota não vem de quem acerta as questões mais difíceis, mas de quem apresenta coerência na resolução das questões. Então, estou ali acertando as mais fáceis ou caminhando pras médias e chegando e pras mais difíceis”, explicou.
Hayalla reforça que o terceiro ano é encarado como um “ano revisional”, no qual os alunos retomam conteúdos do Ensino Fundamental e dos dois primeiros anos do Ensino Médio. Apenas 10% do que é estudado nessa etapa é material inédito.
“Começamos a mostrar para eles, com mais evidência, que são capazes. Não é algo tão distante do que eles já vêm fazendo”, afirmou. “Mostramos a eles que não é preciso atingir 1000 pontos para ter um bom desempenho. Compartilhamos, por exemplo, que a maior nota em Linguagens no ano anterior foi 726. Isso ajuda a desmistificar o Enem e gerar equilíbrio”, completou Hayalla.
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