Sítio Histórico de Cruz das Almas, em Garanhuns, é tombado pelo Governo de Pernambuco

Sítio Histórico de Cruz das Almas, em Garanhuns, é tombado pelo Governo de Pernambuco


Conjunto ligado a tradições de origem africana é formado por casa de oração do século XVIII, cruzeiro em seu interior e um velho cemitério quilombola

Por

Laís Nascimento


Publicado em 19/09/2025 às 12:12
| Atualizado em 19/09/2025 às 12:16

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Pernambuco ganhou mais um bem tombado na última semana. Localizado no Quilombo Castilho, em Garanhuns, Agreste de Pernambuco, o Sítio Histórico de Cruz das Almas foi aprovado pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) após seis anos de solicitação.

O pedido para garantir a proteção do bem foi realizado ainda em 2019, mas só no ano seguinte, o Edital de Tombamento pelo Governo do Estado foi publicado, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Agora são 113 bens tombados em âmbito estadual e outros 94 em nível federal.

Formado por uma casa de oração do século XVIII, um cruzeiro em seu interior e um velho cemitério quilombola, o Sítio Histórico de Cruz das Almas foi reconhecido por sua importância histórica e cultural na região.

Os estudos técnicos concluíram que o conjunto preserva características arquitetônicas e rituais, mesmo diante da expansão urbana e da privatização de áreas vizinhas, por exemplo.

Fortemente ligado a tradições religiosas de origem africana, o sítio é considerado um símbolo de resistência, ancestralidade, continuidade cultural e fortalecimento da identidade da comunidade de Castainho e do estado de Pernambuco. Apesar de estar localizado em território quilombola, ele não havia sido incluído no processo de demarcação de terras.

Sítio Histórico de Cruz das Almas, no Quilombo Castainho em Garanhuns, é tombado pelo Governo de Pernambuco
Eduardo Cunha/Fundarpe-Secult-PE/Divulgação

Eduardo Cunha/Fundarpe-Secult-PE/Divulgação

Sítio Histórico de Cruz das Almas, no Quilombo Castainho em Garanhuns, é tombado pelo Governo de Pernambuco
Eduardo Cunha/Fundarpe-Secult-PE/Divulgação

Eduardo Cunha/Fundarpe-Secult-PE/Divulgação

Sítio Histórico de Cruz das Almas, no Quilombo Castainho em Garanhuns, é tombado pelo Governo de Pernambuco
Eduardo Cunha/Fundarpe-Secult-PE/Divulgação

Eduardo Cunha/Fundarpe-Secult-PE/Divulgação

Sítio Histórico de Cruz das Almas, no Quilombo Castainho em Garanhuns, é tombado pelo Governo de Pernambuco
Eduardo Cunha/Fundarpe-Secult-PE/Divulgação

Para a realização do Exame Técnico de Tombamento, a equipe realizou pesquisas documentais e orais, além de consulta pública, oficinas participativas de conservação preventiva e visitas técnicas com participação nas celebrações tradicionais da comunidade.

“Estamos diante de um patrimônio que não apenas guarda a história de Castainho, mas também dialoga com a trajetória de todos os quilombos do Estado de Pernambuco. É um marco político e simbólico que reafirma o papel dos quilombos na formação do Brasil e o compromisso do Estado de Pernambuco com a valorização de sua diversidade cultural”, destacou a presidente da Fundarpe, Renata Borba.


Daniela Pedrosa/Secult-PE/Fundarpe/Divulgação

Equipe da Fundarpe e José Carlos Lopes da Silva, liderança do Quilombo Castainho – Daniela Pedrosa/Secult-PE/Fundarpe/Divulgação

Como funciona o tombamento estadual

Em Pernambuco, o Sistema de Tombamento é estruturado pela Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), que atua como órgão gestor; pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC/PE), que delibera sobre os processos; e pela Fundarpe, responsável pelo suporte técnico.

A abertura do processo pode ser solicitada por qualquer cidadão, proprietário, organização não governamental, órgão público ou privado, grupo de pessoas por abaixo-assinado ou pela própria Diretoria de Preservação Cultural da Fundarpe.

É necessário que o solicitante informe a localização, junto às características do bem, e justifique a relevância do tombamento. Podem ser anexados documentos como fotos, registros cartoriais e plantas arquitetônicas.

Depois de formalizado o pedido, a Secult-PE tem um prazo de 48 horas para definir o prosseguimento do pedido. Sendo deferido, o processo é aberto, publicado edital no Diário Oficial e comunicado ao proprietário, que tem prazo para se manifestar. A partir da publicação, o bem já está protegido legalmente e não pode sofrer alterações ou destruição, mesmo antes da decisão final.

Em seguida, uma equipe técnica da Fundarpe realiza pesquisas e emite parecer fundamentado, que é encaminhado ao CEPPC/PE. Caso aprovado, ele segue para homologação do governo estadual por decreto e é , então, inscrito no Livro do Tombo, garantindo sua preservação oficial.



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