Estudos mostram que infecções e inflamações na boca podem contribuir para problemas cardiovasculares, câncer, Alzheimer e outras condições sistêmicas
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A saúde da boca vai muito além da estética do sorriso. Ela reflete o equilíbrio do organismo e pode indicar quando algo não está bem. Pesquisas recentes mostram que microrganismos nocivos presentes na cavidade oral podem se espalhar e afetar outros órgãos, aumentando o risco de doenças graves.
Um estudo publicado em setembro na revista JAMA Oncology, conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova York, apontou que certas bactérias e fungos presentes na boca podem triplicar o risco de câncer de pâncreas.
“As bactérias presentes na boca não ficam presas somente ali. Elas podem atingir outros órgãos e gerar consequências graves, como problemas cardiovasculares, doenças pulmonares e gastrointestinais”, explica a cirurgiã-dentista e implantodontista Adriana Morosini.
Periodontite e suas consequências
Entre os principais fatores de risco está a periodontite, inflamação que compromete o suporte dos dentes e pode levar à perda dentária. Além disso, está associada a condições como aterosclerose, endocardite, AVC, hipertensão, diabetes, alterações no colesterol e até artrite reumatoide.
Estudos também sugerem relação com o Alzheimer. “Bactérias como a Porphyromonas gingivalis e suas toxinas foram encontradas em cérebros de pacientes com Alzheimer, sugerindo influência no desenvolvimento da doença”, detalha a especialista.
Quando a boca dá sinais
Certos sintomas bucais podem revelar problemas além da cavidade oral:
- Halitose (mau hálito): pode estar ligada não apenas à higiene, mas também a doenças respiratórias (como sinusite e amidalite), gastrointestinais (como refluxo) e metabólicas (como diabetes).
- Aftas recorrentes: podem indicar deficiência nutricional ou sobrecarga do sistema imunológico. Feridas que não cicatrizam após 15 dias devem ser avaliadas com urgência, pois podem ser sinal de câncer de boca.
Como prevenir
A prevenção começa com hábitos simples:
- Escovação adequada e uso de fio dental diariamente;
- Consultas regulares ao dentista;
- Controle de fatores de risco como tabagismo, estresse, consumo excessivo de álcool e diabetes.
“Uma boa higiene bucal e visitas periódicas ao dentista são essenciais para prevenir a doença periodontal ou identificá-la no estágio inicial, permitindo uma intervenção precoce”, reforça Adriana Morosini.



