doença vai além da pele e ainda enfrenta o desafio da desinformação

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Campanha de conscientização em outubro reforça que a psoríase não é contagiosa, não está ligada à higiene e demanda informação e tratamento adequado

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A psoríase é uma doença inflamatória e crônica da pele, de origem autoimune, que atinge cerca de 2% da população brasileira — mais de 4 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Ainda assim, o preconceito e os mitos em torno da condição continuam sendo um fardo pesado para os pacientes.

“Esse é o mito mais prejudicial: acreditar que a psoríase é contagiosa. Isso alimenta o isolamento social e o sofrimento emocional de quem convive com a doença”, explica a dermatologista Marina Coutinho, membro da SBD.

“Trata-se de uma condição imunológica, e não infecciosa. A pessoa nasce com predisposição e pode desenvolver o quadro diante de fatores como estresse, infecções, tabagismo ou uso de certos medicamentos”, acrescenta.

O que a ciência já sabe

A psoríase ocorre quando o sistema imunológico provoca uma renovação celular acelerada, gerando placas avermelhadas e descamativas que podem doer e coçar. As lesões costumam aparecer em áreas como o couro cabeludo, cotovelos, joelhos e costas. Em até 30% dos casos, também podem atingir as articulações, quadro conhecido como artrite psoriásica.

Embora não tenha cura, o tratamento é eficaz e individualizado, podendo incluir pomadas, fototerapia (luz ultravioleta controlada), medicamentos sistêmicos e biológicos. “Os biológicos revolucionaram o controle da psoríase, oferecendo alívio duradouro e qualidade de vida”, diz Marina.

Hidratação e cuidados diários

A hidratação constante é uma das principais aliadas no controle da psoríase. “A ureia, em concentrações de 5% a 10%, ajuda a reduzir a descamação e restaurar a barreira da pele”, explica a dermatologista. No entanto, ela alerta que produtos com altas concentrações podem causar irritação, devendo ser usados apenas sob orientação médica.

Outros ativos benéficos incluem glicerina, ceramidas e lactato de amônio, que suavizam o desconforto e potencializam os efeitos dos medicamentos tópicos.

Muito além da pele: o impacto emocional

O aspecto psicológico é um dos grandes desafios. Pessoas com psoríase têm maior propensão a desenvolver depressão e ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde.

“As lesões são visíveis e, muitas vezes, despertam olhares e julgamentos que afastam o paciente da convivência social”, diz Marina Coutinho. “Por isso, o apoio psicológico é tão importante quanto o tratamento clínico.”

Mitos e verdades sobre a psoríase

  • É contagiosa? Não. Nenhum tipo de contato transmite a doença.
  • Tem relação com falta de higiene? Não. É uma doença autoimune.
  • Tem cura? Não, mas o tratamento permite controle total dos sintomas.
  • A alimentação interfere? Sim. Alimentos ultraprocessados, açúcar e álcool podem agravar crises.
  • É só um problema estético? Não. É uma condição sistêmica, com impacto físico e emocional.
  • Crianças podem ter? Sim, embora seja mais comum em adultos.

Clima e psoríase: calor ajuda ou atrapalha?

A maioria dos pacientes relata melhora durante o verão. “A exposição solar controlada, rica em raios UVB, tem efeito anti-inflamatório”, explica a médica.

No entanto, excesso de calor, suor e roupas sintéticas podem irritar a pele. “O segredo é o equilíbrio: aproveitar o sol com moderação e manter a hidratação constante.”



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