Raquel Lyra volta a cobrar participação financeira e responsabilidade dos prefeitos com o transporte público do Grande Recife

Raquel Lyra volta a cobrar participação financeira e responsabilidade dos prefeitos com o transporte público do Grande Recife


Durante balanço da gestão, Raquel Lyra voltou a garantir que irá chamar os prefeitos para a ação, principalmente a gestão da capital pernambucana

Por

Roberta Soares


Publicado em 29/12/2025 às 16:21
| Atualizado em 29/12/2025 às 16:30

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A indiferença dos prefeitos metropolitanos – especialmente da capital pernambucana – à crise financeira enfrentada pelo sistema de transporte público da Região Metropolitana do Recife voltou a ser criticada e cobrada pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. Em entrevista à Rádio Jornal nesta segunda-feira (29/12), a governadora cobrou, mais uma vez, a participação não só política, mas principalmente financeira, dos gestores dos municípios que são atendidos pelo serviço de ônibus.

Durante balanço da gestão no ano de 2025, Raquel Lyra voltou a garantir que irá chamar os prefeitos para a ação – o que ela vem prometendo há mais de um ano, sem resultado concreto por enquanto. “Vivemos em uma federação e todo mundo precisa ser parte da solução. Na área de transporte, o Estado de Pernambuco carrega sozinho mais de R$ 520 milhões em subsídios públicos. O governo federal coloca no Metrô do Recife mais de R$ 600 milhões por ano. Ou seja, é mais de 1,1 bilhão em um sistema de transporte que não é bom e que a gente carrega só. Nós também vamos finalizar a concessão das linhas de ônibus do Grande Recife, que deverá gerar mais subsídios. Além dos R$ 80 milhões por ano de subsídio no metrô para garantir a modicidade tarifária após a concessão privada”, colocou.

E seguiu destacando a importância da participação da prefeituras. “E aí vem o papel dos municípios. A Prefeitura do Recife colocou R$ 200 mil para pagar o vale transporte de estudantes do município. Apenas. Até as linhas alimentadoras (que são gratuitas) do transporte complementar do Recife são financiadas integralmente pelo Estado. Essa conta (da operação do transporte) precisa ser dividida. Nós precisamos repartir essa responsabilidade”, disse.

Segundo Raquel Lyra, a cobrança tem sido feita às prefeituras sim. “Temos conversado sobre o assunto em reuniões, inclusive com a presença do prefeito do Recife, representantes de Jaboatão dos Guararapes, de Paulista. Nós extinguimos o Anel B dos ônibus sem aumentar tarifa porque não era justo com quem morava longe do Recife, por exemplo. Fizemos isso para dar mais dignidade a quem vive nas periferias e que geralmente ganha menos. E nós estamos bancando isso sozinhos. Foram R$ 90 milhões a mais de subsídio para isso. O sistema precisa melhorar, ele é caro e ele é ineficiente”, reforçou.

PREFEITO DO RECIFE DISSE QUE COLABORA SE TODOS OS PREFEITOS DA RMR PARTICIPAREM

Dias antes, o prefeito do Recife, João Campos, afirmou ter disposição em colaborar financeiramente com o CTM, mas desde que haja a participação financeira de todos os municípios atendidos pelo sistema – FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Dias antes da nova cobrança da governadora Raquel Lyra, o prefeito do Recife, João Campos, também em entrevista de balanço na Rádio Jornal, afirmou ter disposição em colaborar financeiramente com o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), que gere o sistema de ônibus da RMR. O gestor, entretanto, condicionou o apoio da capital à participação financeira de todos os municípios atendidos pelo sistema.

João Campos rejeitou a possibilidade de o Recife arcar sozinho com os custos de um serviço que abrange as 14 cidades da Região Metropolitana. Segundo Campos, embora o modelo de consórcio seja amplamente defendido no Brasil e no exterior, a divisão de responsabilidades precisa ser equilibrada para ser considerada justa pela população recifense.

Durante a entrevista, o prefeito questionou a viabilidade de utilizar recursos municipais para custear a operação em cidades vizinhas, como Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e Paulista, citando especificamente municípios administrados por aliados da governadora.

Junior Souza/JC Imagem
Governadora afirmou que na área de transporte, o Estado de Pernambuco carrega sozinho mais de R$ 520 milhões em subsídios públicos e que essa conta precisar ser repartida com os prefeitos da RMR – Junior Souza/JC Imagem

Campos também alertou para o risco de politização do debate sobre a mobilidade urbana e reiterou que o povo do Recife não concordaria em subsidiar o transporte de outras localidades sem uma contrapartida proporcional dos demais prefeitos. Para ele, a eficiência do sistema depende de um arranjo metropolitano onde todos os entes participam ativamente da manutenção financeira.

Por fim, o gestor municipal destacou que não há resistência por parte de sua administração em integrar o consórcio, reforçando que sempre esteve presente em todas as discussões para as quais foi formalmente convidado. Campos enfatizou que a colaboração da capital é possível, desde que o modelo adotado não sobrecarregue o Recife e garanta uma divisão equitativa de obrigações entre todas as cidades beneficiadas pela rede de transporte coletivo.

CAMARAGIBE ADERIU AO CONSÓRCIO, INCLUSIVE FINANCEIRAMENTE

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
A superlotação dos coletivos nos horários de pico da manhã e da noite, a falta de prioridade, a insegurança urbana e as altas tarifas são os principais problemas do sistema da RMR – FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Em 2024, após uma espera de 16 anos, o município de Camaragibe oficializou sua entrada no Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), tornando-se a terceira cidade da Região Metropolitana a integrar formalmente a gestão estadual de ônibus. A mudança, oficializada pela governadora Raquel Lyra e pela prefeita Nadegi Queiroz, buscou melhorar a oferta de transporte local através da criação de seis novas linhas alimentadoras e do prolongamento de itinerários já existentes, que passaram a ser operados por 12 novos micro-ônibus da concessionária Mobibrasil. Com a integração, os passageiros passam a contar com o bilhete único e a tarifa de R$ 4,10, permitindo deslocamentos por toda a região pagando apenas um valor.

Do ponto de vista financeiro e institucional, a expansão do serviço em Camaragibe exigiu um acréscimo de R$ 1 milhão no subsídio público, totalizando uma operação de R$ 16,7 milhões. Diferente de impasses observados em outras discussões da Região Metropolitana, o município de Camaragibe concordou com uma participação financeira efetiva para cobrir os custos da nova rede. Na época, o governo estadual destacou que a adesão representava uma vitória política significativa, pois o modelo de consórcio não recebia novos membros desde sua criação em 2008, quando apenas Recife e Olinda faziam parte da estrutura.

Desde então, o objetivo do governo vem sendo avançar nas negociações com as prefeituras já integrantes para aumentar a efetividade financeira e o planejamento do sistema. Isso porque, apesar do avanço, o fortalecimento total do transporte metropolitano ainda enfrenta o desafio de atrair os 11 municípios restantes que compõem a região e ainda não aderiram administrativamente ao CTM.



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