Stellantis celebra 10 anos da fábrica de Goiana e anuncia R$ 13 bilhões em novos investimentos

Stellantis celebra 10 anos da fábrica de Goiana e anuncia R$ 13 bilhões em novos investimentos



Clique aqui e escute a matéria

A planta da Stellantis em Goiana, na Zona da Mata Norte pernambucana, completa 10 anos de operação consolidada como um dos principais polos automotivos do país. E agora anuncia um novo investimento de R$ 13 bilhões voltado à eletrificação, novos modelos e ampliação da cadeia de fornecedores.

Inaugurada em 2015, a fábrica pernambucana consolidou-se como referência global, com capacidade de projetar, desenvolver e produzir veículos de alto valor agregado. O parque fabrica cerca de mil carros por dia de cinco modelos: Jeep Renegade, Compass, Commander, Fiat Toro e Ram Rampage.

Com uma década de operação, o Polo Automotivo de Goiana tornou-se um vetor de transformação socioeconômica para Pernambuco e o Nordeste, rompendo com a dependência histórica da monocultura da cana-de-açúcar. Segundo relatório da Ceplan, a participação do município no PIB estadual saltou de cerca de 1% antes da instalação para um pico de 5,2% em 2019, fechando 2021 em 4,8%.

Entre 2015 e 2025, os empregos diretos e indiretos ligados à Stellantis em Pernambuco passaram de pouco mais de 10 mil para 18,2 mil postos, crescimento de 79%, acima do registrado na Região Metropolitana do Recife e no estado. Em 2025, a planta de Goiana empregava 4,34 mil pessoas, em três turnos, com 90% da força de trabalho formada por pernambucanos.

Ao completar dez anos de operação em 2025, o polo reafirma pessoas como eixo estratégico central. Mais do que produção e investimentos, o empreendimento se apoia em trajetórias profissionais que evoluíram junto com a fábrica e ajudaram a redefinir o perfil produtivo e socioeconômico da região.

Em entrevista ao jornalista Fernando Castilho, titular da coluna JC Negócios, do Jornal do Commercio, o gestor da planta da Stellantis, Francis Ribeiro, falou sobre esses 10 anos de operação, o impacto socioeconômico do polo automotivo e dos planejamentos para o futuro. Leia a entrevista a seguir.

Entrevista

Fernando Castilho: O polo Automotivo da Stellantis em Goiânia está completando 10 anos, né? E em 2025 vai ter um novo anúncio de investimento de 13 bilhões nos próximos anos. E até chegou a anunciar um novo investimento de marcas, pelo menos seis marcas, é muita história para contar em tão pouco tempo.

Francis Ribeiro: Eu gosto de, antes de falar do futuro, Castilho, falar um pouco do passado. A gente já investiu aproximadamente 18.5 bilhões entre a inauguração da planta até 2025. E considerando a construção da planta e o lançamento de todos os projetos. Isso em 10 anos. O que a gente tá reafirmando aqui que são 13 bilhões de investimento num período agora não mais de 10, mas de 5 anos e sem a construção da fábrica. Ou seja, a gente tá falando de novos projetos, novos produtos, novas tecnologias e principalmente um incentivo muito forte para a regionalização de novos fornecedores.

Fernando Castilho: Você consegue observar o papel deste talante na transformação da economia do município, por exemplo, onde está o polo industrial? Você consegue identificar mudanças, do seu ponto de vista, no entorno do município em Pernambuco?

Francis Ribeiro: Eu estou aqui desde o início do projeto, Castilho, e eu afirmo que a transformação não só na cidade, mas principalmente para as pessoas. Falando em números, a gente tá falando que Goiana, o PIB per capito, subiu aí em torno de 300% do início da instalação da planta até agora. E Goiana, hoje está praticamente na quarta posição do PIB do estado, então ela teve uma evolução significativa.

Fernando Castilho: Você é um daqueles casos que a companhia deve se orgulhar muito pela política de oportunidades. Você é dos primeiros gestores gerentes que entraram lá e que estão ascendendo. Mas não existe o caso só de Francis, existem outros. Eu queria que você falasse um pouco de gente que veio do chão de fábrica, que materializou sonhos e que hoje tá por aí pelo mundo. Dá para dar alguns exemplos além do de Francis?

Francis Ribeiro: Eu entrei como engenheiro de processo, então fui tendo uma carreira dentro desses 10 anos, mas eu conheço e posso citar aqui alguns exemplos de pessoas que entraram como operador team líder e hoje vem evoluindo, tendo oportunidades, inclusive temos pessoas nossas hoje aqui que saíram de Pernambuco, estão em outros locais do Brasil, do mundo. Mas tem um caso bem emblemático, Fernando. que para mim é muito importante e eu acho que representa muito isso da sua pergunta. Há duas semanas atrás a gente promoveu um coordenador de segurança e que me contou numa particularidade ali um pouco sua história, que naquela terra ele cortou cana na parte do passado. Ele trabalhou na construção, trabalhou em algumas empresas terceiras, fez o curso de segurança do trabalho, se formou em direito agora porque acabou de pegar o OB e foi crescendo dentro da empresa e hoje é um dos nossos coordenadores de segurança.

Fernando Castilho: Mas eu queria que a partir do seu ponto de vista falasse de quem são essas pessoas, na sua opinião do complexo, né? Como é que elas se sentem? Você consegue identificar um pertencimento deles no chão de fábrica?

Francis Ribeiro: Eu tive a oportunidade de rodar outras plantas, né? Então, eu comecei aqui em Pernambuco, também rodei em Minas. Minha última passada foi no Rio de Janeiro. É impressionante, eu costumo falar isso com todos, o senso de pertencimento. As pessoas têm brilho. Por quê, Castilho? Todas trazem uma história de transformação. Então, a gente consegue perceber que a industrialização, o investimento na região, todo o trabalho de desenvolvimento tem transformado as pessoas e isso cria conexão não só com a empresa, com as marcas, com as pessoas. Então, sim, o senso de pertencimento.

Fernando Castilho: E uma coisa que é importante a gente observar, Francis, é o seguinte, é que o projeto da Estalantes em Goiana não é mais uma fábrica, ele é tão importante que ele interfere no PIB de Pernambuco. Ele é responsável pelo sucesso do componente da indústria de transformação em Pernambuco com muita força. Mas eu queria que você falasse um pouco o seguinte, esse pessoal que você falou aí, eles se sentem responsáveis por isso? Eles acham ou dizem para suas famílias ou conversam com seus amigos? Eu trabalho numa empresa que foi capaz de transformar a economia pernambucana, pessoa de fora.

Francis Ribeiro: É um sentimento real e uma coisa engraçada. as pessoas costumam sair da planta, né? Você percebe que lá todo mundo é uniformizado. As pessoas vão pros locais e não tiram uniforme para poder realmente mostrar esse orgulho. E as pessoas sabem o quanto que a empresa, esses projetos, esse desenvolvimento impactou na região como um todo. Então, sim, tem esse senso.

Fernando Castilho: Você falou uma coisa aí que é interessante, como as pessoas nesse sentimento de pertencimento se sentem bem vestindo o uniforme, e eles contam suas histórias. Agora isso não é uma coisa, como você disse aí, não é o fato de uma pessoa que estudou ou que veio de um outro lugar. É uma história de uma comunidade que está sendo transformada, mas que o entorno dessa comunidade também tem interesse nisso e o raio de ação disso tem importância para isso. Você diria que trabalhar na Jeep virou um objeto de desejo das pessoas que são lá de Goiana ou do entorno de Goiana ou da região metropolitana do Recife?

Francis Ribeiro: Hoje a Stellantis, a gente não pode dizer mais que ela é de Goiana, a gente tem pessoas de todos os locais, pegando de um extremo ao outro. As pessoas, eu acho que aqui pode dizer, quem trabalha na empresa, anda com uniforme, já deve ter no mínimo aí toda semana e mês alguém parando e perguntando como eu faço para trabalhar lá. Agora acho que o ponto principal aqui tem a história que a gente no início do projeto, desde o início do projeto, fez um trabalho social muito grande, principalmente com escolas. E eu tenho um caso lá que trabalha com a gente, que era aluna do ensino fundamental no período das visitas, viu a indústria, estudou, começou a buscar e hoje trabalha com a gente. Então eu acho que não só mais as pessoas, mas inclusive as crianças hoje tem uma visão de olhar e falar: “É ali que eu quero trabalhar”.

Fernando Castilho: Isso é muito emocionante. Agora tem uma coisa também que a gente não pode desconhecer. A gente fala da planta da Stellantis, lembra da fábrica da Jeep. Agora aquilo ali não é um universo que se completa sozinho. Tem as pessoas que formam o primeiro grupo de fornecedores, que a gente chama de sisternistas. Mas como é esse relacionamento? Naturalmente é fácil perceber que influencia, mas como é o comportamento dessas empresas e como é bom trabalhar numa empresa que trabalha para a Jeep? É bom fornecer equipamento para a Jeep, é um selo de qualidade? Como é que é esse relacionamento da montadora da Stellantis com esse ecossistema que está se criando cada vez maior?

Francis Ribeiro: A gente tem o Supply Park com mais de 18 fornecedores. Fernando, ali eu falo que é um ecossistema, o desequilíbrio não funcionaria. Então, hoje a gente trabalha em perfeito equilíbrio. Para você entender como que a gente olha para Stellantis como um conglomerado de empresa e fornecedores, porque até quem é fornecedor fala: “Ó, eu trabalho no polo”. Então, a gente não difere muito quem trabalha em qual empresa, porque as pessoas têm um senso de pertencimento que realmente é do polo. Esse equilíbrio é importante porque os sistemistas hoje representam e fazem parte desse processo de industrialização. A gente tá falando de 15.000 pessoas no polo como um todo. A integração é perfeita, então a relação é de muito equilíbrio e a gente toma muito cuidado para que esse equilíbrio se mantenha. Então, as decisões são em conjunto, nós temos uma relação realmente muito forte.

Fernando Castilho: Tem uma coisa que que é perfeitamente possível quando a gente olha nos números, nos números frios que a gente observa da Zona da Mata, é como essa planta, como esse complexo interferiu na economia daquele municípios. Claro, que interferiu até na economia do estado, que era numa região canavieira. E aí a minha pergunta é a seguinte: vocês têm consciência disso? O sentimento e pertencimento dos funcionários, esse grupo todo, mas como é que a companhia olha pro entorno? Quando a gente pergunta como é que a Stellantis e a Jeep vê o entorno? Como é que eu posso cuidar desse entorno? A companhia pensa nisso? Como é que nós da Stellantis, da Jeep, podemos fazer para ajudar esse entorno? Existem programas de ações? Como é que é esse olhar de dentro para fora?

Francis Ribeiro: Acho que o primeiro passo é a parte da própria industrialização. Então, a gente tá falando, Fernando, que a gente gera aproximadamente 60.000 empregos dos diretos e indiretos. Então, a própria industrialização, ela vem junto com o desenvolvimento de pessoas, capacitação e tudo. Então, acho que isso já é um impacto que a própria ação e os investimentos trazem. Agora, olhando para o lado comunidade, a gente tem muitas ações, sejam elas pelo lado ambiental, mas principalmente voltado para a educação. Então, a gente tem um trabalho forte com os professores, a capacitação de professores, principalmente do ensino médio e fundamental, e a capacitação, por exemplo, técnica. Então, nós temos muitas parcerias para poder fazer o desenvolvimento técnico da comunidade. A gente tem um trabalho muito forte de primeiro emprego para jovens. Então o olhar, eu acho que a presença nossa aqui não é um foco só industrial, mas também um foco muito no na comunidade como um todo.

Fernando Castilho: Tem uma coisa que eu tava lendo nessa semana, um dado interessante do MEC. Como Goiana sobe no nível de avaliação do MEC e como a cidade que recebe mais impostos, você presta atenção que a aprovação da taxa de ensino o próprio governo tenta chegar mais lá e colocar de tempo integral. Mas como é que a Stallantis vê isso? Ela se sente responsável em ser um agente da indução da melhoria da educação, de dizer: “Olha, nós estamos num lugar que a educação é importante, que nós vemos nesses alunos, futuros companheiros de trabalho, colaboradores. Como é a visão de vocês sobre essa questão da educação, não só em Goiana, mas ali naquele entorno? Vocês se sentem responsáveis por isso ou partícipes desse movimento?

Francis Ribeiro: Responsável e parte, porque como eu comentei, a gente vem fazendo um trabalho muito forte no desenvolvimento da educação, né? Os índices começam a mostrar isso. Então, o percentual de aprovação subiu drasticamente nas cidades onde a gente vem fazendo esse trabalho. E para mim, o mais importante, tem já regiões em que o número de evasão praticamente é zero. Então, não só a qualidade melhorou, mas o presenteísmo, a participação. Eu acho que isso tem muito no sentido do investimento na sociedade que a gente vem fazendo e também da oportunidade de futuro, porque hoje a gente vê que os jovens buscam aprender, evoluir, porque querem depois entrar na indústria.

Fernando Castilho: Francis, essa sua resposta é bastante interessante, mas eu queria saber o seguinte. E o depois, como é que a companhia pretende atuar para ampliar isso aí?

Francis Ribeiro: A gente vai soltar algo aqui de primeira mão. Agora como próximo passo, a gente focou muito no desenvolvimento básico, português e matemática, e agora a gente vem com um foco muito grande na parte de ciências. Então a gente vai fazer um programa agora não só mais em Pernambuco, nacional, então logo no próximo ano terão mais novidades, mas a gente continua fazendo esse foco na educação básica.

Fernando Castilho: Em 10 anos, como é que se analisa essa curva de aprendizado do conhecimento prático? Nós podemos falar que a planta de Goiana gerou a sua própria cultura industrial, o jeito de fazer. Dá para pensar isso num num complexo de apenas 10 anos?

Francis Ribeiro: Quando a gente fala em industrialização, Fernando, o que a gente busca é uma padronização global. Então os processos são padronizados, os equipamentos, os sistemas, a gente tem o hoje o SPW, que é o Stallantis Production Way. Então a padronização global é importante. Agora existem os detalhes, né? Nós temos hoje mais de 85% da planta de pernambucanos e mais de 92% são nordestinos. O que isso quer dizer? Que agora a gente coloca o nosso jeitinho. A fábrica em 10 anos aprendeu a operar de forma autônoma. As pessoas além de se qualificar no básico, agora já começam aí um passo à frente. Esse é o momento que a gente começa a se diferenciar, colocar o nosso tempero, colocar a nossa forma de fazer.

Fernando Castilho: Eu me lembro que eu fui pra inauguração do primeiro Renegade e a gente recentemente viu a Rampage, que é um um carro de outra marca, né? E agora tá se falando em modelo elétrico, mas a coisa que mais me impressiona naquela planta é o alto índice de robotização. Como é que é isso? Tem mais robôs do que lá, tá sempre chegando um robô novo? Como é que está esse processo de melhoria da produção a partir do conhecimento humano e da atualização tecnológica?

Francis Ribeiro: A gente diz que a planta de Goiânia é uma das mais modernas da Stellantis no mundo, principalmente por essa parte tecnológica. Então, aquilo que precisa ter um padrão global de qualidade, estabilidade de processo, normalmente são equipamentos que precisam ser implementados. Então, a robotização a gente vê em algumas oficinas muito focada nisso. O que a gente tem evoluído mais agora são em novas tecnologias. Então, a gente tá entrando muito agora com sistemas de visão, sistemas de inteligência, o trabalho muito focado com dados. A gente acabou, inclusive de aprovar agora uma parceria junto com o SENAI e a UPE, a gente tá juntando especialistas para poder agora transformar todos esses dados que são gerados em eficiência de processo, em eficiência de produto. Então, acho que a robotização é uma parte, automação outra parte. A gente ia dar um passo agora à frente pra parte de tráfico de dados e eficiência produtiva.

Fernando Castilho: Isso decorre do modelo conceitual daquela planta, quer dizer, é uma planta que a ideia que a gente tem é a seguinte: vocês estão fazendo um carro, aí vem um comando para fazer outro carro, a planta não para, não tem essa história. Isso é muito do conceito dela? É uma planta que conversa com 10, 15 anos e aí tanto faz se é um carro com motor a combustão, com motor elétrico, ela não vai não vai alterar. Isso é verdade ou um sentimento de uma pessoa que tá de fora?

Francis Ribeiro: Hoje quem tá no polo, a gente tem tecnologias para ter essa flexibilidade. Então a gente vai pegar, por exemplo, a funilaria, que é onde constrói a carroceria, é uma única linha. E a gente implementou tecnologias para que nessa única linha a gente consiga fazer três, quatro, cinco modelos diferentes. E a fábrica toda é dessa forma. Então nós já construímos a fábrica para ser adaptada. Obviamente agora com o passar do tempo, a gente vem evoluindo e ajustando e melhorando esses processos. Nem todas as plantas no mundo têm essa flexibilidade. Principalmente existiram já visitas aqui de outras marcas, porque eles ficavam impressionados em como a gente consegue ter tanta flexibilidade em todo o processo produtivo. Isso traz competitividade.

Fernando Castilho: Você disse no começo da nossa conversa que vai fazer mais? O conceito de fazer mais modelos de carro, mais marcas, como é que é isso?

Francis Ribeiro: Hoje a gente está com cinco produtos. Só que imagine que dentro desses cinco produtos eu tenho 34 versões, e dentro dessas 34 versões, eu devo ter aproximadamente entre opcionais e modelagens 80 possibilidades. Então são cinco modelos, mas praticamente são 80 modelos. Essa flexibilidade depende de um processo muito automatizado e robusto.

Fernando Castilho: Uma coisa que é visível no comportamento das pessoas que trabalham no polo é a questão da inclusão, a questão desse sentimento de pertencimento tem muito a ver com como as pessoas são acolhidas dentro da companhia. E é uma coisa que não está no discurso, me parece que desde o começo essa coisa foi muito conhecimento. Como é que você como líder de fábrica vê essa questão da inclusão e aonde é que você acha que pode avançar mais e virar uma referência?

Francis Ribeiro: O pilar de diversidade e inclusão, ele é parte da Stellantis de forma global. E aí você trouxe um tema que para mim é muito importante, não é no discurso e é na prática. E escutando as pessoas, eu tenho um contato muito direto, os relatos de como as pessoas se sentem parte. E aí a gente tá falando de toda a parte de diversidade e inclusão, de pessoas com deficiência, de pessoas trans, de mulheres, de negros, pertencer à empresa, vestir a camisa, ser bem acolhido, isso é um pilar. Por quê? Porque a gente acredita que as diferenças, sejam elas quais forem, de história, de aprendizado, de cultura, é o que faz realmente essa planta ser um destaque. E não só aqui, acho que isso é algo como Stellantis como um todo.

Fernando Castilho: Eu tenho a curiosidade de saber, Francis, sobre as mulheres, como é que é esse universo feminino dentro da planta? Até porque a gente tem cases de líderes de lá que acenderam a postos globais. A planta de Goiana é uma planta totalmente inclusiva para as mulheres. Como é que é isso?

Francis Ribeiro: Então, aproveito aqui para dizer que mulheres venham para indústria, venham pro setor automotivo. O setor automotivo por muito tempo ele não foi um uma vitrine para as mulheres, né? Elas não vinham ali como uma opção. Isso tem mudado. A presença das mulheres dentro do polo cresceu absurdamente nos últimos anos. Então, tem pessoas que visitam de fora, entram numa oficina, como uma funilaria por exemplo, que normalmente eram só homens e ficam impressionados com o número de mulheres. É um desafio ainda, principalmente por essa atratividade, mas a gente tá num momento muito importante porque o número vem aumentando e agora essas mulheres também. A gente tá terminando, hoje, por exemplo, vou sair daqui, a gente tem a conclusão de um curso que é o WAS, woman manufacturing, onde a gente selecionou mulheres, Team Líderes, que é a primeira posição de liderança, engenheiras, administradoras e tudo. Até tem psicólogo que agora não quer mais ir para psicologia, quer estar na indústria. E essas mulheres hoje começam a ter cargos importantes, cargos técnicos, não somente cargos de liderança. Isso demonstra que daqui para frente isso só vai melhorar e aumentar, mas a gente tem criado um ambiente atrativo e principalmente adequado para as mulheres.

Fernando Castilho: Olhando do ponto de vista de 2025, onde é que a Stellantis quer estar em 30 e em 35? E uma última pergunta é o seguinte: o polo de Goiana vai trabalhar na questão da produção de carros eletrificados? Como é que a companhia vê isso na questão de Goiana ser um polo também de produção de carros eletrificados, já que foi concebido para combustão
2020?

Francis Ribeiro: 2025 a gente tem um alguns marcos importantes, a gente produziu 2 milhões de veículos nesses últimos 10 anos. Então, foi feito há dois meses atrás. A gente vai anunciar agora em primeira mão, esse ano a gente bateu novamente o recorde de exportação, então foi maior que o ano passado, que tinha sido o maior recorde. A gente começou a exportar para regiões onde não eram exportados, como a Arábia, por exemplo.

Falando de futuro, o que a Stellantis prevê para o futuro? Então, como bem anunciado, a gente tem 13 bilhões de investimento, novas tecnologias, novos produtos e uma regionalização muito forte, atraindo novos fornecedores. Esse é um dos nossos pilares. Então, se preparem, porque a gente vai ter realmente a atração de fornecedores para a região. Ao todo já são 38 aqui na região. A gente quer em médio prazo chegar em torno de 50 e a longo prazo próximo de 100, porque isso vai trazer competitividade. O baricentro hoje está fora, tá no Sul e Sudeste, então ainda muitas peças vem de lá e a gente quer trazer essa tecnologia. Inclusive, eu aproveito para dizer que junto com o SENAI agora e alguns outros parceiros, a gente está desenvolvendo em primeira mão um sistema de câmera, totalmente brasileiro e vai ser desenvolvido aqui, né? Então esse é mais um passo de tecnologia para o futuro. E como a gente quer ser visto? Como uma empresa de alta tecnologia, produtos de extrema qualidade e eficiência. E por fim, a falar do elétrico, nós entendemos que a transitar em todas as tecnologias são importantes. Então, a gente sim teremos carros elétricos, teremos carros híbridos, então essa transição e passar por todo esse processo vai estar presente aqui no futuro.

Fernando Castilho: Falando do futuro, você falou da eletrificação, qual é a marca do grupo que vai traduzir o que você disse aqui? De ter um produto eletrificado a partir da planta?

Francis Ribeiro: Bom, a gente tem uma novidade, foi anunciado há pouco a chegada da Lip Moto aqui para Goiana. Então, a gente ganha aí mais um brand, né? Mais um modelo. Nós consideramos aqui Goiana já como uma House of Brand, porque produzimos já três brands, vamos para quatro. Todos os produtos vão passar pelo processo, pela transição da hibridização. Então, a gente entende que o etanol junto com o elétrico é um canal muito importante, mas a Lip Moto, é um carro multihíbrido, multienergético, então ele chega aqui em Goiana agora sendo essa referência de elétrico.

 



Link da fonte aqui!

Veja também: