Informações do JC
A poucos dias da abertura oficial do Carnaval, problemas históricos de infraestrutura e ordenamento urbano voltam a gerar preocupação entre foliões, moradores e comerciantes de Olinda.
Apesar de ser a principal festa do calendário do município, o evento enfrenta limitações estruturais que se tornaram mais evidentes desde o período de prévias.
Na área de segurança, a iluminação pública precária em vias de grande circulação, como nos Quatro Cantos, no Amparo e na Rua Prudente de Morais, é uma das principais queixas.
Na última semana, a Prefeitura de Olinda anunciou a instalação de 160 refletores em pontos considerados estratégicos, atendendo a solicitações da Polícia Militar e da Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo.
A gestão municipal também informou que está sendo feita a verificação da rede elétrica em praças e postos, com correção de possíveis falhas de aterramento.
O anúncio contrasta com a realidade mostrada por foliões através das redes sociais: um poste com vazamento de energia elétrica no Bonsucesso colocou em risco brincantes, comerciantes e animais na última segunda-feira (9).
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira, afirmou que o Carnaval requer atenção à prevenção de acidentes com a rede elétrica.
Entre os fatores de risco estão o contato de serpentinas metálicas com fios, ligações clandestinas e a proximidade de estruturas metálicas da rede elétrica, além das chuvas, que ampliam o risco de choques, curtos-circuitos, incêndio e acidentes fatais.
Desordenamento
Outras demandas recorrentes, que se intensificaram com o aumento do fluxo de pessoas durante as prévias, dizem respeito ao ordenamento urbano. Lixo acumulado e buracos nas vias dividem espaço com o público, orquestras e ambulantes, aumentando o risco de acidentes.
Segundo a gestão municipal, a operação de limpeza urbana durante o Carnaval contará com cerca de 400 profissionais, entre garis, encarregados e motoristas, com serviços a serem realizados de forma contínua, durante o dia e à noite.
Comerciante em Olinda, Altair Mendes relata dificuldades enfrentadas em uma rua que dá acesso a pontos tradicionais, como a sede do Cariri Olindense e do Clube Vassourinhas. Segundo ele, um buraco na via permanece há cerca de quatro meses.
“A prestadora de serviços da prefeitura tirava pedras daqui para tapar outros buracos e isso vai prejudicando a gente que é comerciante”, afirmou em entrevista à TV Jornal.
Em nota, a Prefeitura de Olinda informou que vem adotando medidas preventivas e contínuas para garantir a segurança da população e dos foliões durante as prévias e o Carnaval no Sítio Histórico.
“No que diz respeito às condições das vias, a Secretaria de Gestão Urbana realiza vistorias desde o início das prévias carnavalescas, com intervenções para sanar pontos de irregularidade no asfalto. O trabalho segue em andamento, especialmente nas ladeiras da cidade, com foco na segurança e na mobilidade dos foliões”, destacou a gestão.
Decoração
Pontos tradicionais de recepção do público, como a Praça do Carmo e a Rua 15 de Novembro, só receberam decoração carnavalesca nesta semana. O chamamento público para a contratação das empresas responsáveis pela montagem da infraestrutura dos palcos e pela decoração foi publicado apenas no dia 4 de fevereiro.
Segundo a prefeita Mirella Almeida (PSD), o processo licitatório estava em andamento. “Tudo isso tem um prazo e às vezes essa questão de licitação tem uma burocracia a mais”, afirmou a gestora durante coletiva realizada na última quinta-feira (5).
Falta de fiscalização
Outro problema apontado pelos moradores de Olinda é a falta de fiscalização no Sítio Histórico.
“O Ministério Público não está fiscalizando e não convocou a sociedade civil para discutir. Todos os anos as coisas se repetem e a situação vai se tornando mais grave ainda por uma falta de um planejamento com mais maturidade”, destacou Edmilson Cordeiro, membro da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca).
Para ele, a falta de fiscalização e posicionamento da Câmara de Vereadores a respeito do patrimônio cultural do Sítio Histórico prejudicam a cidade durante a festividade.
“Até agora não tem nenhum tapume nas portas dos monumentos tombados. A Sodeca sempre defendeu que seja feito um plano diretor para o Carnaval porque o município tem que, através de lei, ter uma comissão permanente para pensar o Carnaval o ano todo”, explicou.



