Vai pular Carnaval? Exagero e desidratação podem levar à rabdomiólise

Vai pular Carnaval? Exagero e desidratação podem levar à rabdomiólise


Esforço intenso em pouco tempo, calor e álcool elevam risco de lesão muscular que pode atingir os rins; hidratação e pausas ajudam

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O sobe e desce de ladeiras, horas dançando e caminhadas longas atrás de blocos exigem preparo do corpo. No meio da empolgação, porém, muita gente ultrapassa limites sem perceber.

Esse esforço concentrado em poucos dias, somado ao calor e à hidratação insuficiente, pode desencadear a rabdomiólise, condição que pode evoluir para lesões renais graves.

A médica nefrologista Ângela Santos, do Grupo Uninefron, explica que a síndrome surge a partir de uma lesão muscular, direta ou indireta.

“A rabdomiólise é uma síndrome grave, que ocorre devido a uma lesão muscular. A degradação desse músculo libera no sangue uma proteína chamada mioglobina, presente nas fibras musculares. Quando essa substância é liberada, ela passa a ser filtrada pelos rins, que podem ficar sobrecarregados”, afirma.

Quando a mioglobina se acumula em grandes quantidades, pode se tornar tóxica para os rins e levar à insuficiência renal aguda. Em situações extremas, há risco de morte.

“Expor o corpo a um ritmo exagerado e incomum de atividade física num período muito curto, prática comum durante a maratona de quatro dias de Carnaval, pode ser extremamente perigoso”, alerta a especialista.

Causas e sintomas

Apesar de ser frequentemente associada ao excesso de exercício, a rabdomiólise também pode ser provocada por outros fatores:

  • insolação;
  • queimaduras graves;
  • doenças genéticas e metabólicas;
  • inflamações e intoxicações por álcool;
  • drogas ilícitas ou medicamentos usados por conta própria.

Os sinais variam de intensidade. Entre os mais comuns estão fraqueza, inchaço, dor muscular e urina escura, resultado da eliminação da mioglobina. A pessoa ainda pode apresentar falta de ar, náuseas, tontura, redução do volume urinário e sangramentos sem causa aparente.

O tratamento depende da gravidade do quadro. Pode envolver reposição de líquidos para ajudar os rins a eliminar a substância ou, quando já há comprometimento da função renal, a realização de diálise.

Quem precisa ter mais cuidado

Ângela Santos chama atenção para quem não tem hábito de praticar atividade física ao longo do ano e, durante o Carnaval, submete o corpo a um esforço intenso de forma repentina.

“A principal recomendação é respeitar os limites do próprio corpo, fazer pausas para descansar e se hidratar ao longo do dia. Caso inicie uma atividade física diária, a orientação é a mesma: seja cauteloso e comece aos poucos para que o organismo se adapte à nova rotina”, orienta.

Em meio à festa, água, intervalos de descanso e atenção aos sinais do corpo podem ser decisivos para evitar que a diversão termine em atendimento de emergência.

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