O Ressonância – Festival Internacional de Percussão do Brasil anuncia a programação completa de sua primeira edição, que acontece de 9 a 11 de abril, no Centro Histórico de Olinda. O evento reúne artistas do Brasil e do exterior em uma programação gratuita dedicada à música percussiva, com shows no dia 11 de abril, na Praça do Carmo, e oficinas e masterclasses nos dias 9 e 10, na Casa Estação da Luz.
A programação apresenta artistas que têm a percussão como eixo central de suas criações, articulando diferentes tradições e contextos, do candombe uruguaio de Lobo Núñez às matrizes afro-brasileiras presentes em grupos como Aguidavi do Jêje e Repercuti, passando pela experimentação de Alibombo, até a construção estética do Cordel do Fogo Encantado, que fará um show exclusivo apenas com o repertório de seu primeiro álbum.
“O Ressonância foi concebido para ocupar uma lacuna de eventos de percussão no Brasil. O festival propõe um encontro entre territórios e gerações onde a percussão aparece tanto como prática musical quanto como expressão cultural”, afirma Antonio Gutierrez, o Gutie, fundador e curador do evento.
LATINO-AMÉRICA
Um dos destaques da programação é o projeto Alibombo y Los Sopladores (Colômbia), que expande os limites da percussão a partir de instrumentos não convencionais. Criado por David Colorado Uribe, o trabalho parte de um setup com objetos modificados, como rodas de bicicleta, dispositivos percussivos construídos artesanalmente e materiais do cotidiano, transformados por amplificação e experimentação sonora.
A esse universo se somam “Los Sopladores”, um sexteto de sopros (trompetes, trombones e saxofones) formado por músicos pernambucanos, comandados pelo trombonista Parrô Mello, em arranjos que ampliam a experiência para uma dimensão coletiva, sem renunciar a sua identidade experimental e tímbrica.
Ainda entre as atrações internacionais, Lobo Núñez (Uruguai) é um dos grandes nomes do candombe uruguaio, manifestação cultural reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade desde 2009, e uma referência internacional da percussão afro-latino-americana. Nascido no histórico Barrio Sur, em Montevidéu, construiu sua trajetória a partir de uma tradição ancestral que pulsa nos tambores do candombe e atravessa gerações.
Percussionista e luthier, desenvolveu uma linguagem que transita entre a raiz e a experimentação, levando o candombe a palcos de todo o mundo. Ao longo de sua carreira, colaborou com artistas fundamentais da música uruguaia e participou de projetos reconhecidos internacionalmente.
No Ressonância, Lobo Núñez apresenta um show que evidencia a potência dos tambores afro-uruguaios – chico, repique e piano –, em uma experiência profundamente conectada às matrizes da música latino-americana. O artista também ministra a masterclass Candombe: Folclore Afro-Uruguaio, compartilhando saberes, técnicas e fundamentos dessa tradição com o público do festival.
CORDEL DO FOGO ENCANTADO REVIVE SHOW HISTÓRICO
Entre os destaques das atrações nacionais, a banda Cordel do Fogo Encantado (PE) apresentará um show exclusivo de seu primeiro álbum na edição de estreia do Ressonância. O show propõe uma recriação minuciosa do espetáculo do álbum homônimo Cordel do Fogo Encantado (2001), produzido por Naná Vasconcelos. A apresentação celebrará os 25 anos da obra.
Ao retomar roteiro, repertório e cenário originais da turnê do álbum, o grupo revisita uma obra seminal que representa um momento histórico de sua trajetória, em que sua estética impactou profundamente público e crítica, projetando a banda como uma das mais originais e inventivas surgidas nos anos dois mil.
A presença do Cordel do Fogo Encantado no Ressonância evidencia também a relação criativa entre o grupo e Naná Vasconcelos, cuja atuação como produtor foi determinante para a construção da sonoridade do álbum. A colaboração marcou não apenas a trajetória da banda, mas também um momento importante na própria obra de Naná, ao tensionar os limites entre tradição popular e experimentação.
PERCUSSÕES AFRO-BRASILEIRAS
Em diálogo com as matrizes afro-brasileiras, o Aguidavi do Jêje (BA) leva ao festival uma sonoridade que nasce no Terreiro do Bogum, em Salvador, e transforma os toques do candomblé Jeje-Mahin em linguagem contemporânea. Liderado por Luizinho do Jêje, ogã da casa e herdeiro direto dessa tradição, o grupo reúne atabaques, instrumentos construídos pelos próprios integrantes e elementos eletrônicos em arranjos que articulam tradição e experimentação. A partir da convivência com diferentes nações do candomblé no entorno do Engenho Velho da Federação, a orquestra desenvolve levadas próprias, que expandem o repertório ritual sem romper com seus fundamentos, afirmando o terreiro como espaço de criação, formação e continuidade cultural.
Com mais de duas décadas de trajetória, o projeto ganhou projeção recente com o álbum de estreia Aguidavi do Jêje, indicado ao Grammy Latino 2024, e vem reafirmando sua força ao ocupar circuitos nacionais e internacionais. O disco conta com a participação de Gilberto Gil, que assume o papel de padrinho artístico do trabalho, consolidando uma ponte entre gerações e ampliando a visibilidade do grupo.
Representando a cena contemporânea pernambucana, o duo Repercuti (PE) apresenta uma pesquisa voltada à percussão afrossinfônica. A partir do diálogo entre instrumentos de concerto, como marimba e vibrafone, e sonoridades afro-brasileiras, o grupo constrói uma escrita musical própria, marcada pela sofisticação rítmica e pela exploração de novas camadas tímbricas. Nesse processo, tradição e invenção se entrelaçam em composições que expandem o papel da percussão para além do acompanhamento, colocando-a como eixo central da narrativa sonora.
No palco, essa investigação ganha dimensão cênica: corpo, gesto e imagem integram a performance que combina música, iluminação e projeções visuais. A apresentação ainda conta com a participação do percussionista pernambucano Nino Alves.
Na abertura do evento e nos intervalos entre as atrações, o DJ Sidade (PE) conduzirá sets que ampliam o diálogo sonoro do festival. DJ e produtor cultural, natural de Olinda, sua pesquisa foca principalmente na introdução de sonoridades africanas, transitando pelo Afrobeat, Afro house e Kuduro. Uma de suas características é o uso orgânico de instrumentos percussivos durante as apresentações.
OFICINAS E MASTERCLASSES
Além dos shows, o Ressonância promove atividades formativas gratuitas na Casa Estação da Luz. No dia 9, a oficina Batukeje – Ritmos do Candomblé, com Nêgo Henrique, integrante do Cordel do Fogo Encantado, apresenta fundamentos rítmicos e simbólicos das tradições afro-brasileiras, a partir de sua trajetória como percussionista e pesquisador dos toques de terreiro. Na mesma data, Lobo Núñez conduz a masterclass Candombe: Folclore Afro-uruguaio, sobre aspectos históricos, culturais e rítmicos dessa expressão afro-uruguaia.
No dia 10, a oficina Percussão – Despertar Criativo, com Nino Alves, propõe a criação musical a partir do corpo e de objetos inusitados, refletindo a trajetória do artista, que transita entre experimentação sonora, poesia e ritmos tradicionais pernambucanos. Em seguida, a masterclass Naná por Vasconcelos, conduzida por Patrícia Vasconcelos, gestora e curadora do acervo de Naná Vasconcelos, oferece um mergulho na obra e no pensamento do homenageado, com acesso a materiais inéditos de seu legado.
Todas as atividades são gratuitas. Para as oficinas, as inscrições estarão abertas até 3 de abril no site ressonanciafestival.com. Para as masterclasses não é necessário inscrição.
SELO EVENTO NEUTRO, RECICLAGEM E ATERRO ZERO
Comprometido com a sustentabilidade, o Festival Ressonância vai adotar práticas alinhadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e aderiu ao selo de Evento Neutro de carbono zero em parceria com a Eccaplan. Por meio do programa, o festival vai quantificar as emissões de gases de efeito estufa geradas em todas as etapas, da montagem à realização, e realizará sua compensação com o apoio a projetos ambientais certificados.
O festival também firmou parceria com a Ecoe Sustentabilidade e executará a gestão integrada de resíduos, que atuando desde redução até a reciclagem e destinação ambientalmente adequada dos materiais descartados através do aterro zero.
Essas ações seguem diretrizes reconhecidas internacionalmente, como a ISO 20.121 e o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 da ONU, e contribuem para o fortalecimento da cadeia da reciclagem, com valorização do trabalho de catadores e catadoras, sejam autônomos ou organizados em cooperativas, com inclusão e dignidade.
ACESSIBILIDADE
O Ressonância também incorpora medidas de acessibilidade para garantir uma experiência mais inclusiva ao público. O festival contará com área acessível sinalizada e com piso elevado, que assegura melhor visibilidade dos shows, além de tradução em Libras em todas as apresentações e masterclasses. A estrutura inclui ainda banheiro acessível, disponibilização de protetores auriculares descartáveis e oferta de óculos escuros para pessoas com sensibilidade à luz.
O Ressonância – Festival Internacional de Percussão do Brasil é um projeto da Lei Rouanet, com patrocínio da Vale, realização da Rec-Beat Produções e Leão Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro.
PROGRAMAÇÃO
9 de abril (quinta)
ATIVIDADES NA CASA ESTAÇÃO DA LUZ
9h – OFICINA Batukeje – Ritmos do Candomblé, com Nêgo Henrique
18h – MASTERCLASS Candombe: Folclore Afro-uruguaio, com Lobo Núñez
10 de abril (sexta)
ATIVIDADES NA CASA ESTAÇÃO DA LUZ
9h – OFICINA Percussão – Despertar Criativo, com Nino Alves
18h – MASTERCLASS Naná por Vasconcelos, com Patrícia Vasconcelos
11 de abril (sábado)
SHOWS MUSICAIS NA PRAÇA DO CARMO, A PARTIR DAS 16h
CORDEL DO FOGO ENCANTADO (PE)
REPERCUTI (PE)
AGUIDAVI DO JÊJE (BA)
ALIBOMBO Y LOS SOPLADORES (Colômbia)
LOBO NUÑEZ (Uruguai)
DJ SIDADE (PE)
SERVIÇO:
RESSONÂNCIA – Festival Internacional de Percussão do Brasil
9 e 10 de abril – oficinas e masterclasses
11 de abril – shows musicais a partir das 16h na Praça do Carmo, Olinda/Pernambuco
Gratuito
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Acesse ressonanciafestival.com




