Paixão e dependência do automóvel seguem predominando no Brasil e no mundo, aponta pesquisa. Infelizmente

Paixão e dependência do automóvel seguem predominando no Brasil e no mundo, aponta pesquisa. Infelizmente

Por outro lado, maioria dos brasileiros entrevistados apoiam leis de trânsito mais rígidas para combater o excesso de velocidade nas rodovias do País

Por

Roberta Soares


Publicado em 15/04/2026 às 16:36
| Atualizado em 15/04/2026 às 16:45

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A dependência e o gosto pelo automóvel particular seguem consolidados como uma realidade global e nacional em todo o planeta. No Brasil, a nova edição do Relatório de Mobilidade da Ipsos aponta que 33% dos entrevistados consideram impossível viver sem um veículo próprio. Esse índice sobe para 43% na média mundial e atinge expressivos 65% nos Estados Unidos – a grande nação rodoviarista que inspirou o planejamento de muitas cidades pelo mundo, principalmente as brasileiras.

Mais do que uma necessidade logística, o ato de dirigir um automóvel é apontado como o meio de transporte favorito em 22 dos 31 países pesquisados, refletindo uma forte conexão emocional com a posse do carro. É algo que transcende a ‘imobilidade’ urbana da maioria das cidades e metrópoles. Infelizmente.

Essa preferência brasileira se manifesta mesmo entre quem teria outras opções: 49% dos motoristas no Brasil admitem que poderiam viver sem o automóvel, mas fazem questão de mantê-lo por escolha pessoal. Segundo a Ipsos, esse apego vai além da utilidade prática, envolvendo aspectos experienciais que influenciam desde o comportamento do consumidor até as estratégias de marketing das montadoras.

Contudo, o local de residência é um fator decisivo, já que 60% dos moradores de áreas rurais veem o carro como indispensável, contra apenas 37% daqueles que vivem em centros urbanos. Esse recorte, inclusive, é algo que reflete bem o papel do transporte público coletivo e de outros modais ativos, como a bicicleta. Isso porque, nos centros urbanos, há mais opções de transporte para deslocamentos.

POPULAÇÃO QUE MAIS RIGOR CONTRA A VELOCIDADE NAS ESTRADAS NO BRASIL



Relatório Global de Mobilidade 2026 revela que 72% da população nacional defende maior rigor nas estradas e que o automóvel particular ainda é o meio de transporte favorito – Guga Matos/JC Imagem

Paralelamente ao desejo de dirigir, cresce o desejo por mais segurança e fiscalização nas ruas, avenidas e rodovias do País e do mundo. E, por sorte, esse clamor é ainda maior no Brasil. O levantamento revela que 72% dos brasileiros apoiam a implementação de leis de trânsito mais rigorosas para melhorar a segurança nas rodovias, um percentual acima da média global de 66%.

Esse apoio reflete uma preocupação com a integridade física das pessoas no trânsito, visto que 55% dos entrevistados globais demonstram apreensão com a segurança viária em suas localidades, sentimento que é mais acentuado em áreas urbanas (57%) do que em zonas rurais (51%).

No entanto, o consenso sobre a redução de velocidade varia drasticamente conforme o tipo de via. Enquanto 70% das pessoas aprovam limites mais baixos em áreas residenciais para evitar sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) graves, o apoio cai para 56% quando o foco são as vias expressas ou autoestradas.


Arte

Arte feita com IA a partir de dados apurados pela reportagem – Arte

Em 12 países, inclusive, a redução da velocidade em rodovias não alcança sequer o apoio da maioria da população, evidenciando uma resistência cultural ao prolongamento dos tempos de viagem em vias rápidas.

DIFERENÇAS DE GERAÇÃO E GÊNERO DOS CONDUTORES


Guga Matos/JC Imagem

Brasileiros apoiam leis de trânsito mais rígidas, mas paixão pelo carro permanece alta, aponta Ipsos – Guga Matos/JC Imagem

O relatório da Ipsos também identifica uma divisão de opiniões baseada no gênero e na idade dos condutores. De maneira geral, as mulheres demonstram maior apoio à redução das velocidades em rodovias em comparação aos homens. E essa diferença atinge seu ápice entre os “Baby Boomers” (nascidos entre 1946 e 1964): 61% das mulheres desta geração são favoráveis a limites menores, enquanto apenas 47% dos homens. Uma tendência que sugere uma percepção de risco e segurança diferenciada entre os gêneros ao longo das décadas.

Por fim, a pesquisa destaca mudanças comportamentais nas novas gerações e em diferentes classes sociais. Embora a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012, os nativos digitais) ainda prefira o carro próprio (26%), esse grupo é significativamente mais aberto ao transporte público (22%) do que os Baby Boomers (14%) ou a Geração X(16%). A Geração X sucede os Baby Boomers e precede a Geração Y.

Entre brasileiros de baixa renda, observa-se um equilíbrio interessante: a preferência pelo carro (24%) empata com a utilização de transporte coletivo (24%) e com o hábito de caminhar (23%), indicando que o fator econômico molda diretamente a escolha do modal de transporte.

Confira os principais pontos de destaque da pesquisa Ipsos:

72% dos brasileiros são favoráveis a leis de trânsito mais rigorosas nas estradas.
33% da população brasileira afirma ser impossível viver sem um carro.
49% dos brasileiros poderiam viver sem veículo, mas preferem mantê-lo.
70% de apoio global para limites de velocidade menores em áreas residenciais.
56% de apoio global para limites de velocidade menores em autoestradas.
60% dos habitantes de áreas rurais consideram impossível viver sem carro, contra 37% em áreas urbanas.
22% da Geração Z demonstra gostar de transporte público, superando os 14% dos Baby Boomers.
24% das pessoas de baixa renda escolhem o transporte público como favorito, mesmo percentual dos que preferem o carro.

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