Escalada de tensões no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz dá lugar a um acordo de paz que envolve Estados Unidos, Irã, Israel e Líbano
JC
Publicado em 15/06/2026 às 0:00
| Atualizado em 15/06/2026 às 6:42
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Depois de três meses de um cenário de conflito que pareceu, em determinado momento, sair do controle e ameaçar pôr em oposição as superpotências mundiais, os governos dos Estados Unidos e do Irã anunciaram o alcance de um acordo de paz entre os dois países, incluindo o cessar-fogo de Israel no Líbano e a reabertura plena do Estreito de Ormuz, por onde passa fração considerável do transporte de petróleo para distribuição global.
Ainda que não se saiba quais as bases de tal acordo, e como a realidade irá diferir daquela existente antes e durante a guerra na região, a notícia chega como um sopro de alívio para as populações do Oriente Médio e a economia internacional, podendo estabilizar os mercados financeiros e projetar horizontes menos incertos para os próximos meses, quem sabe até anos adiante.
O bloqueio naval dos EUA ao Irã foi retirado, segundo o presidente Donald Trump, que se gabou de ser o responsável pela verdadeira paz que nenhum líder antes teria obtido. A assinatura oficial do acordo será na próxima sexta, 19, na Suíça, de acordo com os iranianos. Em concertada afirmação, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse que ficou acertado o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes do conflito, incluindo os ataques israelenses ao Líbano.
Pelo histórico recente das negociações, a semana será longa até a assinatura do acordo, com a expectativa positiva de que não haja recuos, nem que a inclinação beligerante volte a imperar e promover agressões com bombas e ofensas. A propósito, a demora para a confirmação de um aceite pelo líder israelense Benjamin Netanyahu pode indicar que os esforços continuam, a fim de garantir que todos se comprometam efetivamente com um período prolongado de paz.
Mas a indefinição sobre um ponto central das divergências deve continuar. O encerramento do programa nuclear do Irã, antes uma exigência inegociável dos EUA, pode ter ficado de fora do acordo, provisoriamente, dando tempo para que os ânimos baixem e as conversas fluam de volta aos trâmites diplomáticos. E voltando ao ponto de situação que deu origem aos conflitos. Essa falta de evolução pode estar gerando a hesitação de Israel, além de críticas dentro dos EUA às investidas de Trump numa guerra sem motivação nem consequência perceptível.
A participação do Catar, da Turquia e da Arábia Saudita na extensa diplomacia pela construção de um acordo de paz no Oriente Médio, região marcada pela desconfiança e distúrbios ao longo dos anos, poderia ser mais ressaltada pela Casa Branca, que prefere exaltar a suposta conquista de Trump em um problema, aos olhos de muitos, criado por ele mesmo. Como não se sabe o nível de concordância de Netanyahu a respeito do documento a ser assinado esta semana, paira no ar a inquietante dúvida se a paz virá logo, de fato, fazer parte novamente da rotina de povos acostumados a tanto sofrimento e medo.



