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O mercado imobiliário da Região Metropolitana do Recife registrou forte aquecimento no mês de agosto, impulsionado pela expansão da demanda e por um expressivo volume de vendas na região central da capital pernambucana. Durante evento do LIDE Construção, nesta segunda-feira (21), Bruno Cantalupo, sócio da BCB Inteligência, destacou a relevância dos dados consolidados e das pesquisas de comportamento e demanda realizadas na área. No balanço do Índice de Velocidade de Vendas (IVV) de agosto, a Região Metropolitana atingiu um Valor Geral de Vendas (VGV) próximo a R$ 715 milhões.
“A gente fez um compilado até por questões de estarmos falando de retrofit e centros urbanos, e a gente fez muita pesquisa nos últimos dois anos, especificamente ali por dentro do Centro do Recife — São José, Santo Antônio, Santo Amaro, entre outros”, afirmou o executivo.
Segundo Cantalupo, o período marcou um dos momentos mais aquecidos do setor no ano. “É importante falar que o mês de agosto foi um dos melhores meses de venda de 2024. A gente teve um excelente VGV, de quase R$ 715 milhões na Região Metropolitana, ficando Porto de Galinhas e Tamandaré de fora do recorte. Foi um volume bem mais alto do que o volume do mês anterior, impulsionado por alguns lançamentos que foram feitos na cidade, tanto pelo Minha Casa, Minha Vida quanto por produtos compactos e produtos fora da linha de compacto no médio a alto padrão”, explicou.
Ao longo do mês, foram comercializadas 1.261 unidades residenciais, sendo 620 vinculadas ao programa Minha Casa, Minha Vida e 641 nos demais segmentos. O estoque total foi reduzido de 15.446 para 14.205 unidades ao fim de agosto. A Venda Sobre Oferta (VSO) atingiu a marca de 7,9%, um indicador considerado altamente positivo pelos analistas.
“É um VSO muito bom, que dá um volume de venda no qual, se nada lançar nos próximos 12 meses, a gente praticamente zera todo o nosso estoque da Região Metropolitana do Recife. Significa que o mercado ainda tá aquecido, tá vendendo”, avaliou Cantalupo.
IVV preços por bairros no mês de agosto de 2026 – REPRODUÇÃO BCB INTELIGÊNCIA
O executivo também analisou o comportamento dos distratos na região, ponderando que o fenômeno afeta de forma desigual as diferentes faixas do mercado. “Notório no cenário nacional, a gente tem visto muitas matérias falando sobre o distrato do mercado imobiliário e isso também tem refletido na nossa praça, muito mais nos empreendimentos de médio padrão do que no Minha Casa, Minha Vida ou no luxo. Foram 209 unidades no médio e 31 no Minha Casa, Minha Vida, que, por fazer o financiamento associativo na planta, fica com um volume de distrato muito menor”, pontuou.
São José vai de bairro esquecido a protagonista
No recorte do Recife, o bairro de São José emergiu como um dos maiores destaques de vendas brutas, contabilizando 184 unidades comercializadas em agosto e somando, junto à Iputinga, metade do movimento de vendas da capital. Cantalupo ressaltou a influência de lançamentos recentes na região. “São José, com dois ou três lançamentos específicos, teve um volume de venda muito alto”. O bairro figura ao lado de Imbiribeira, Boa Viagem, Ilha do Retiro e Encruzilhada no grupo das áreas com maior volume de estoque e movimentação imobiliária.
No ranking de preços do metro quadrado ofertado, Pina, São José, Santana, Boa Viagem e Ilha do Leite lideram a valorização na capital. Cantalupo chamou atenção para a diferença de valores observada entre os líderes de preço. “A gente tem a liderança desses cinco bairros, sendo com um descasamento de preço entre o quarto e o quinto colocado, saindo de R$ 18 mil para R$ 14 mil o preço do metro quadrado”, observou.
O bairro do Pina atingiu a cotação média de R$ 19.687/m², seguido de perto por São José, com R$ 19.162/m². O bairro concentra os lançamentos do Novo Cais, projeto de reordenamento e ocupação urbana que valoriza a ligação entre o Centro da cidade e Zona Sul como novo eixo de alto padrão.
IVV – recorte da pesquisa sobre o Centro do Recife – REPRODUÇÃO BCB INTELIGÊNCIA
Comportamento do consumidor e nova utilidade para o Centro
A pesquisa conduzida pela BCB Inteligência segmentou os potenciais compradores em três faixas socioeconômicas (menor renda, classe média e renda alta), identificando que 53% dos entrevistados comprariam um imóvel no Centro para moradia, enquanto 47% visam ao investimento. Do total de entrevistados, 59% possuem filhos e 51% são casados. De acordo com Cantalupo, a busca por qualidade de vida e o ganho de tempo no deslocamento diário impulsionam o interesse das famílias pela região central. “Um dos pontos mais importantes é o endereço: quem vai morar no centro busca ter um pouco mais de qualidade de vida e mais tempo com a família. O centro é considerado uma região central de fácil deslocamento para várias regiões, economizando tempo no trânsito para o trabalho e permitindo maior dedicação à família”, afirmou.
IVV – recorte da pesquisa sobre o Centro do Recife – REPRODUÇÃO BCB INTELIGÊNCIA
Cantalupo complementou que a infraestrutura e os serviços disponíveis na área reforçam essa atratividade. Além da demanda por residência principal e investimento, o levantamento revelou um nicho promissor para o mercado imobiliário: o uso como segunda residência. “Sobre a pesquisa de segunda residência, foram mais de 3.000 pessoas entrevistadas e muita gente do interior gostaria de comprar uma unidade no centro para servir de base e ponto de apoio para entretenimento e lazer”, revelou Cantalupo.
IVV – recorte da pesquisa sobre o Centro do Recife – REPRODUÇÃO BCB INTELIGÊNCIA
Desafios de infraestrutura e o futuro da requalificação urbana
Apesar das oportunidades trazidas pelo novo perfil de ocupação do Centro, o levantamento indicou barreiras que ainda geram resistência em parcela do público consumidor, como a falta de serviços essenciais de proximidade, preocupações com segurança e ruído urbano. Entre os entrevistados que declararam não pretender comprar no Centro, a ausência de comércio e serviços básicos foi apontada por 73% no segmento de alta renda e por 63% no segmento de menor renda.
A transformação de imóveis antigos em novos complexos residenciais precisa ser acompanhada pelo fortalecimento do comércio local, oferta de saúde, educação e espaços públicos qualificados, garantindo que a requalificação urbana proporcione uma experiência de vida completa aos futuros moradores.



