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No país onde a taxa de desocupação chegou a 5,3% no trimestre encerrado em julho, comparado ao trimestre terminado em abril, que cravou 5,8%, está ficando difícil contratar gente e ficando mais caro. No meio da campanha eleitoral, pouca gente atentou para o fato de que a população ocupada (103,3 milhões) foi a maior da série histórica medida pelo IBGE e que o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) chegou a 58,9%.
Dito de outra forma: o Brasil chegou ao maior número de pessoas ocupadas desde o início da série histórica, em 2012, mas o avanço do emprego não tornou a contratação mais simples para as empresas.
Sem encontrar
É um problema. No sentido oposto, a parcela de empregadores brasileiros que relatam dificuldade para encontrar profissionais aumentou de 34% para 80% no período. O indicador avançou 46 pontos percentuais, o equivalente a 135,3%, e passou a atingir oito em cada 10 empresas.
E isso na mesa do recrutador quer dizer que a queda do desemprego reduziu o contingente disponível mesmo com a oferta de mais currículos. E não eliminou a distância entre os perfis procurados pelas empresas e as competências encontradas entre os candidatos.
Sem gente
O problema está na preparação. No segmento de serviços profissionais, científicos e técnicos, por exemplo, 85% dos empregadores relatam escassez; índice chega a 88% no estado de São Paulo. Porém, as dificuldades não estão restritas a profissões tecnológicas. Marketing e vendas.
É que a empresa não está apenas procurando alguém que esteja disponível. O perfil do novo colaborador inclui alguém que possa entender o negócio, adaptar-se rapidamente e produzir resultados em uma função cada vez mais complexa. E não estamos falando de gerência ou alta gerência.
Empregado ideal
E isso está fazendo a empresa buscar o chamado profissional pronto para a construção das competências necessárias que não são aquelas que tradicionalmente as empresas definiam. Isso inclui o custo de treinar gente com potencial.
Segundo uma pesquisa feita pela plataforma You Lead, 44% dos empregadores brasileiros já investem em capacitação e requalificação dos próprios colaboradores; 25% procuram novos grupos de talentos e 13% ampliam a terceirização de funções.
Escolaridade
O problema é que o aumento da escolaridade dos brasileiros nas últimas décadas não foi acompanhado, na mesma proporção, por avanços na aprendizagem e na produtividade do trabalho.
O descompasso é um dos principais entraves à formação de profissionais para uma indústria mais tecnológica, por exemplo, segundo um estudo da CNI que mostrou os desafios tanto na aprendizagem quanto na capacidade de gerar valor na economia.
Produtividade
A produtividade do trabalho, que mede o valor gerado, em média, por hora trabalhada, é de US$ 21,2 no Brasil, considerando a Paridade do Poder de Compra (PPC). Mas na educação básica, 73% dos estudantes brasileiros avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) estão abaixo do nível mínimo de proficiência em matemática: 50% em leitura e 55% em ciências.
Isso quer dizer que mesmo que se disponha a treiná-los, a seleção terá que ser feita com muito mais gente.
O resultado é que o Brasil vive uma realidade perturbadora: tem o emprego, mas esse emprego exige um profissional capaz de se adaptar às necessidades da empresa, mas o que está disponível tem escolaridade baixa. E como essa realidade, o Brasil não vai resolver seu déficit de profissionais de tecnologia simplesmente formando mais desenvolvedores.
Pesquisa do TCU
Em setembro de 2026, o Tribunal de Contas da União concluiu uma auditoria sobre a oferta e a demanda de profissionais de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Encontrou problemas estruturais que começam antes da entrada no mercado, como baixa qualidade da formação básica, desalinhamento entre a oferta educacional e as necessidades das empresas, baixa conclusão de cursos e fragmentação das políticas públicas.
O problema, portanto, não é apenas encontrar quem programe. É que o país continua organizando sua transformação digital a partir da premissa de que toda nova necessidade operacional precisa primeiro encontrar um profissional técnico disponível para construí-la. Essa premissa está ficando cara demais.
Inteligência Artificial
Para completar, tem a questão da chegada da Inteligência Artificial, cujo charme atrai o empresário no sentido de querer adotá-la nas suas rotinas e exibir na comunicação, mas que não tem profissionais que o orientem na entrada dessa nova dinâmica da empresa.
A formação passa a fazer parte do próprio recrutamento. Esperar indefinidamente pelo candidato ideal pode atrasar projetos, sobrecarregar equipes e limitar o crescimento, afirma a consultora Déborah Nunes Cano, sócia da You Lead Outsourcing, para quem a discussão “não deve ser apenas sobre reduzir custos, mas sobre diminuir o intervalo entre a necessidade de contratar e a capacidade de gerar resultado”.
Formação de pessoal
Para o CEO e fundador do Mitra, uma plataforma de criação de sistemas corporativos com Inteligência Artificial, Flávio Calixto, o Brasil continuará precisando formar desenvolvedores, engenheiros de software, especialistas em segurança, dados e infraestrutura. Mas o erro está em se imaginar que essa formação, sozinha, conseguirá acompanhar a velocidade com que todas as empresas querem se digitalizar.
Para ele, a resposta empresarial precisa ser mais ambiciosa do que aumentar salários e disputar os mesmos profissionais. “É preciso criar uma nova divisão de trabalho, na qual quem entende o negócio também possa construir soluções, enquanto a TI deixa de funcionar como uma fila de solicitações e assume aquilo que nenhuma ferramenta resolve sozinha: estabelecer os limites, proteger os sistemas e garantir que a autonomia não se transforme em descontrole”, conclui.
Número bom
Pernambuco mantém a liderança da indústria no Nordeste e registra o segundo maior crescimento industrial do Brasil em 2026. A produção industrial do Estado avançou 13,9% entre janeiro e agosto, em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a média nacional foi de 0,8%. Ficou atrás apenas do Espírito Santo, que registrou crescimento de 17,7% entre janeiro e agosto.
O desempenho pernambucano também se destaca no cenário regional: o Estado foi o único do Nordeste a apresentar alta no acumulado do ano, enquanto Ceará, Bahia, Maranhão e Rio Grande do Norte registraram retração.
Endividamento
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), pela Confederação Nacional do Comércio , revela que o percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer recuou para 81,7% em setembro de 2026, registrando a primeira queda do indicador no ano. Acompanhando esse movimento, a taxa de inadimplência — que mensura a proporção de famílias com alguma parcela em atraso — também cedeu, com uma redução de 0,3 ponto percentual em relação a agosto, marcando 29,6%, o menor patamar desde o mês de março.
Cidade Jardim
A construtora Rio Ave prepara lançamento de uma torre empresarial do complexo Cidade Jardim Aflitos, empreendimento de uso misto nos Aflitos, próximo ao Náutico. A torre contará com 254 salas, cinco lâminas de estacionamento, três lojas no térreo, auditório, minimarket, salas de reunião e um Terraço Verde no primeiro pavimento com jardim generoso.
Superdotados
A Associação Mensa Brasil, entidade que reúne pessoas com altas capacidades intelectuais no País e é representante oficial da Mensa Internacional, principal organização de alto QI do mundo, anunciou o calendário de outubro para a realização dos testes coletivos, com o objetivo de identificar pessoas com inteligência muito acima da média. No Nordeste, apenas Natal (RN), no dia 10, e Fortaleza (CE), no dia 31, terão exames.
Dia das Crianças
Pesquisa do SPC Brasil em parceria com a Offerwise mostra que o Dia das Crianças deve movimentar R$ 18,11 bilhões no varejo brasileiro em 2026, com 74% dos consumidores das capitais brasileiras declarando intenção de comprar presentes.
A expectativa de movimentação financeira representa um crescimento de R$ 1,4 bilhão em relação a 2025. O levantamento também revela um consumidor mais atento aos gastos: 73% pretendem comparar preços antes de fechar a compra e 61% consideram que os presentes estão mais caros do que no ano passado.
Semana do Investidor
A 10ª Semana Mundial do Investidor acontece até domingo (11) e este ano traz o tema “Invista no seu futuro. Proteja-o hoje”. A campanha é promovida pela Organização Internacional das Comissões de Valores e coordenada no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários, com o objetivo de promover educação financeira e proteção dos investidores. Nesta sexta-feira(9) no Compaz Eduardo Campos, na Linha do Tiro tem palestra do educador financeiro, Danilo Miranda.
Cimento
A indústria brasileira de cimento comercializou 5,7 milhões de toneladas em setembro e registrou uma queda de 5,7% em relação a 2025, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Entre janeiro e setembro, o volume alcançou 50,8 milhões de toneladas, aumento acumulado de 0,9% na comparação anual.
Abrasel
A maioria dos estabelecimentos de alimentação fora do lar que participou da pesquisa da Abrasel em Pernambuco operou com lucro ou estabilidade em agosto. O levantamento mostra que 40% tiveram lucro e 35% mantiveram a situação financeira estável, o que soma 75%. No faturamento, 53% registraram aumento ou estabilidade em relação a julho.
Mas segundo o presidente da Abrasel em Pernambuco, Tony Sousa. O cenário, porém, não foi igual para todos. Enquanto 36% tiveram aumento no faturamento, 46% registraram queda e 17% mantiveram o mesmo nível. Na situação financeira, 24% relataram prejuízo.
Hospitalmed
Os desdobramentos fiscais para o mercado de saúde entram na pauta da HospitalMed 2026 em uma apresentação conduzida pelo mestre em Ciências Contábeis Flávio Cesário no dia 23 de outubro. Com o painel “Reforma Tributária na Saúde: O que vem por aí”, programado para as 15h, o especialista vai detalhar os principais impactos financeiros e as adequações necessárias para as empresas do setor.


