realinhamento de preços em obras públicas e menos juros para manter expansão da construção

realinhamento de preços em obras públicas e menos juros para manter expansão da construção


Ao JC Metro Quadrado, Paulo Wanderley apontou os impactos da Reforma Tributária no setor, ao lado de Betinha Nascimento e Amadeu Mendonça

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JC


Publicado em 09/10/2026 às 6:57

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O mercado da construção civil em Pernambuco vive um momento de expansão e reestruturação urbana, mas a projeção para o médio prazo acendeu um sinal de alerta no setor. A combinação dos efeitos da Reforma Tributária, as incertezas no período de transição fiscal, a elevação dos custos de produção e a escassez de recursos de financiamento colocam o ano de 2027 como um marco de desafios. 

A avaliação foi feita no videocast JC Metro Quadrado, apresentado pelo jornalista Lucas Moraes, na última quinta-feira (8). O debate contou com a presença de Paulo Wanderley, presidente do Sinduscon-PE (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco); Betinha Nascimento, diretora de assuntos imobiliários do Sinduscon-PE e vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção); e do advogado patrimonial e de negócios imobiliários Amadeu Mendonça, da Tizei Mendonça Advogados Associados.

O alerta para 2027

A principal preocupação manifestada pelas lideranças do setor refere-se à entrada em vigor de etapas decisivas da Reforma Tributária e a indefinição de alíquotas. Segundo Paulo Wanderley, a ausência de regras claras e de revisões contratuais, sobretudo em obras públicas, pode inviabilizar as operações.

“Nós estamos agora iminentemente a partir do dia 1º de janeiro com a Reforma Tributária. Isso vai ter um impacto fortíssimo nos contratos de obra pública e até agora ninguém se mexeu. E o que é que vai acontecer a partir de 1º de janeiro? Nós vamos parar! Ou há um realinhamento dos preços nas obras públicas ou o setor vai parar, porque é humanamente impossível você, com essa reforma, conseguir absorver esses custos”.

O advogado Amadeu Mendonça complementou o diagnóstico, ressaltando o aumento da carga fiscal sobre a cadeia de prestação de serviços e a insegurança provocada pela extinção gradual do Regime Especial de Tributação (RET) a partir de 2029.

“O prestador de serviço vai ter um aumento brutal na tributação com a reforma tributária (…) Imagina você tá pagando 13% ou 14% de imposto no Simples e, do dia para a noite, ter que subir para alíquotas expressivas para gerar crédito ao contratante. Nem todo mundo vai aguentar”.

Expansão gargalos no funding

Embora o horizonte de 2027 traga apreensão, o panorama atual do setor é marcado pelo aquecimento de vendas e lançamentos de habitação popular, impulsionados por programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Morar Bem PE. No entanto, a manutenção da taxa de juros em patamares elevados e a contínua sangria dos fundos do FGTS comprometem o ritmo de crescimento de longo prazo.

“O mercado da construção civil tá vivendo um momento bom, um momento de expansão (…) Mas juros abaixo de dois dígitos é o necessário. Qualquer juros acima de dois dígitos é inviável pro mercado, porque no mercado imobiliário você tá fazendo financiamento para 30 anos, não é para 30 dias, diz Wanderley.

“O FGTS é o maior funding hoje no financiamento da construção civil, só que ele tem um limite e cada dia tá mais escasso (…) Tudo é motivo para mexer nele: saque-aniversário, saque-enchente, saque-seca”, complementa.

Outro destaque do encontro foi o papel das parcerias institucionais com a Prefeitura do Recife para alavancar a moradia e o retrofit na área central da cidade, aproveitando alterações na Lei de Parcelamento, Ocupação e Solo (LPOS).

“Nós pedimos a eles: ‘Vocês banquem a fundação que a gente faz a obra’. E foi isso que aconteceu. Eles bancaram a fundação e hoje a gente tem quase 4 mil unidades só em Recife (…) Quando o ente público entende que o empresário é parceiro, a coisa funciona”, explica Betinha Nascimento. 

Terrenos e custos

A escassez de terrenos edificáveis no Recife e as exigências técnicas do solo exigem investimentos pesados em fundações profundas. Além disso, entraves jurídicos em terrenos de marinha sob regime de ocupação e o aumento dos insumos derivados do petróleo pressionam o custo final das obras. No campo trabalhista, a discussão em torno da alteração de jornadas também foi pautada.

“A fundação pode chegar a 15% ou 20% do custo de um empreendimento. Temos estacas que vão a 50 metros de profundidade (…) E sobre a escala de trabalho, a construção civil usa 5×2 com 44 horas semanais. Não sou contra descanso, mas isso tudo tem um custo. Papel aguenta tudo, mas a prática é outra”, reforça Wanderley.

“Todos os terrenos no centro do Recife são de marinha. Quando o terreno é de marinha sob regime de ocupação, há limitações graves para financiamento na Caixa. O centro só vai se viabilizar completamente por Minha Casa Minha Vida se resolvermos o terreno de marinha”, complementa Betinha Nascimento. 

Apesar dos riscos macroeconômicos e das incertezas previstas para 2027, as lideranças reforçaram que o momento presente é propício para a aquisição de imóveis, visto que as construtoras têm absorvido grande parte das altas de custos.

“Este é o momento do comprador aproveitar. Imóvel é pedra e cal, é patrimônio sólido que sempre valoriza. Os preços não estão altos se comparados ao custo real de produção, porque o construtor tem absorvido esses custos para manter a concorrência salutar”, detalha Paulo Wanderley.

Para Betinha Nascimento, “o mercado tá comprador e os programas de apoio como o Morar Bem estão ativos. O conselho é aproveitar a oportunidade enquanto há estoques e preços atrativos”. 

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