Indústria quer ampliar capacidade, mas incertezas sobre trajetória dos juros faz metade delas não buscar crédito para novas máquinas

Indústria quer ampliar capacidade, mas incertezas sobre trajetória dos juros faz metade delas não buscar crédito para novas máquinas

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No país onde o governo faz propaganda de que está colocando à disposição da indústria mais de R$ 70 bilhões com juros subsidiados, três em cada quatro (76%) das empresas do setor relatam que tiveram dificuldade na obtenção de crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos), apesar de estarem dispostas a pagar juros altos, considerados os principais entraves ao financiamento.

Na ponta, um terço das empresas (33,4%) que tiveram dificuldade em acessar crédito mencionaram as exigências de garantias reais, como bens imóveis, por parte das instituições financeiras, como o segundo maior entrave ao crédito de curto e médio prazo. Nas operações de longo prazo, o problema foi apontado por 31,5% dos industriais.

Taxas de juros

Os números estão na Sondagem Especial – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (9), que consultou 1.701 empresas industriais — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — entre 3 e 12 de agosto de 2026.

A queixa dos empresários é em relação à taxa de juros (71%), que diminuiu em relação à pesquisa anterior(80%) , como a maior barreira para as operações de curto/médio prazo e de longo prazo, respectivamente. Mas um terço delas (33,4%) se queixa das exigências de garantias reais, como bens imóveis, pelas instituições financeiras.


Maria Virgínia Colusso, da CNI – Gabriel Pinheiro

Cautela maior

O problema é que a pesquisa revela um outro dado preocupante. Metade das empresas industriais (49,9%) não buscou contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo no período e das que foram ao banco, apenas 22,9% contrataram ou renovaram financiamento. Isso quer dizer que apenas uma em cada quatro foi ao banco e obteve sucesso.

E detalhe perturbador: as grandes (29,9%) também não estão conseguindo acessar crédito. Essa dificuldade normalmente está nas pequenas (48,2%)e nas médias (48,1%) empresas, por isso, quando 30% das grandes relatam dificuldades, quer dizer que o bicho está pegando.

Menos pedidos

Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, chama a atenção para o fato de que apenas 13,2% dos pedidos se referem ao investimento em máquinas e equipamentos e apenas 5,8% ao investimento em construção/instalações. Em 2025, no mesmo período, 36% queriam dinheiro para investimento em máquinas e equipamentos como finalidade do crédito de longo prazo.

Para o analista cofundador da plataforma Robbin, Henrique Meyer, esse é um desafio porque reflete a busca da indústria por caixa para conseguir vender a prazo aos seus clientes, já que ela é hoje o principal ‘banco’ do varejo brasileiro. Sem dinheiro de curto prazo, as vendas diminuem.

Esperar mais

Isso não quer dizer que as indústrias não desejem investir . No acumulado de 12 meses até agosto de 2026, a demanda por crédito cresceu 8,1% entre grandes companhias e 4,9% entre médias empresas.

Na verdade, conforme pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o movimento ocorre em um ano no qual 56% das empresas industriais pretendem investir, sendo que 34% planejam ampliar a capacidade produtiva e 31% iniciar novos projetos.

Maior inibidor

Mas a questão dos juros é um inibidor importante. Apesar da disposição para crescer, o caixa continua sendo a principal fonte dos investimentos segundo a consulta da CNI: 62% das empresas afirmam que utilizarão apenas ou majoritariamente recursos próprios, contra 28% que pretendem recorrer principalmente ou exclusivamente a recursos de terceiros.

O problema é que novas fábricas, máquinas ou linhas produtivas exigem capital antes de produzir receitas adicionais e nesse intervalo, a operação cotidiana continua demandando recursos. Preservar parte do caixa enquanto o novo ativo ainda atravessa seu período de maturação exige cuidados redobrados e muitas empresas param os projetos quando não se sentem seguras em relação à captação de crédito.


Divulgação
Priscila Freitas, CRO da Multiplike. – Divulgação

Investindo menos

E embora 72% das empresas da indústria de transformação tenham investido em 2025, apenas 36% conseguiram realizar os projetos conforme o planejamento inicial, segundo a CNI.
Incertezas econômicas, redução de receitas e fatores setoriais estão entre os obstáculos apontados pelas companhias que identificam potencial de crescimento do seu negócio.

Juros baixam!

Para a diretora da consultoria Multiplike, Priscila Freitas, mesmo com juros altos, a demanda por crédito cresce mais de 22% e revela estratégia de expansão empresarial. E a demanda por crédito avançou até 10% entre grandes empresas, enquanto 62% das indústrias ainda pretendem financiar investimentos majoritariamente com recursos próprios

Mas a pergunta central continua sendo se os juros do financiamento dos novos projetos podem impactar o funcionamento da companhia até que as novas máquinas comecem a produzir. E sem um cenário claro sobre 2027, a maioria delas deixou a decisão para 2027 quando o novo governo apresentou seus projetos de estímulo à economia.


divulgação / Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional
PGFN firma transação com usina açucareira e garante R$ 22 milhões em FGTS para trabalhadores de Pernambuco – divulgação / Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional

Negociação FGTS

Começa na quinta-feira (15) o período de renegociação de dívidas inscritas na Dívida Ativa da União referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) previsto no Edital de Transação por Adesão PGDAU/PGFN nº 12/2026.

A renegociação permite que empregadores, empresas, empregadores domésticos e rurais, com débitos consolidados de até R$ 45 milhões, negociem suas dívidas em condições especiais junto à PGFN cujos descontos podem chegar a 100% sobre os juros, multas e encargos legais que não sejam destinados ao trabalhador — nunca sobre o valor de FGTS que pertence diretamente a ele. A adesão pode ser feita até 29 de janeiro de 2027, exclusivamente pelo Portal Regularize.

Tech Day

E em tempo de crise, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) realiza, nesta quarta-feira (14), o Tech Day, encontro que promove uma agenda de colaboração e desenvolvimento sobre economia digital em conjunto com lideranças das principais empresas de tecnologia do mercado. O evento, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, terá formato híbrido em 2026, com a presença da Amazon, Google, Meta e Microsoft por meio do canal CNC Play no YouTube.

Dia das Crianças

Um estudo do IBEVAR-FIA Business School revela que, em 2026, o Brasil tem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e 26,4 milhões de crianças de até 9 anos, refletindo uma virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar de modo que, em 2040, serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população.

Mas o Dia das Crianças ainda é um dos melhores momentos de vendas. Em 2026, o mercado projeta vendas de R$ 4,26 bilhões nos shoppings na semana da data, R$ 10,16 bilhões no e-commerce numa expectativa de crescimento de 5% a 9% nas vendas da indústria de brinquedos.


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A Froneri, uma das maiores produtoras de sorvetes do mundo, e a Fini, líder no segmento de balas de goma, gelatina e regaliz no Brasil, lançam o picolé Fini Minhocas. – Divulgação

Picolé Fini

A Froneri, uma das maiores produtoras de sorvetes do mundo, e a Fini, líder no segmento de balas de goma, gelatina e regaliz no Brasil, lançam o picolé Fini Minhocas. A novidade chega ao mercado em setembro, por R$ 4,99, e combina os sabores de maçã verde e framboesa e recheio com textura de bala de gelatina.

A marca Fini já tem parceria com a Cimed/Carmed para o mercado de hidratantes labiais com aromas e sabores icônicos como Banana, Dentadura e Beijos, além de isotônicos e com a Bauducco para uma linha conjunta de cookies (como o Bauducco Cookies Fini Amoras), bolinhos Duo e kit para s’mores.

Sindhospe

Nos próximos dias 21 e 22, o Sindhospe – Sindicato dos Hospitais de Pernambuco, promove no Centro de Convenções de Pernambuco, o 15° Congresso Sindhospe Norte/ Nordeste de Gestão em Saúde, com o tema “O impacto da I.A. na gestão estratégica dos estabelecimentos de saúde” e o 9° Fórum IRAS – Sindhospe Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde, debatendo o “Controle de iras no cenário contemporâneo: inovação, sustentabilidade e qualidade assistencial.

 

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