O diretório estadual do PSDB em Pernambuco passou por uma virada política nesta terça-feira (10). O partido, que estava na oposição à governadora Raquel Lyra (PSD) desde 2025, retornou à base de apoio à gestora após o presidente estadual da sigla, deputado Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deixar o partido e migrar para o MDB. Quem assume o diretório tucano é Rubens Junior, nome de confiança da governadora.
O PSDB pernambucano passou por uma crise em março de 2025, quando Raquel Lyra deixou a sigla e migrou para o PSD, levando consigo todos os prefeitos filiados à legenda. O esvaziamento abriu espaço para Álvaro Porto assumir o diretório estadual.
Aliado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), Porto passou os meses seguintes reestruturando o partido para disputar as eleições de outubro, atraindo diversos nomes para compor a chapa estadual.
Embora aliados da governadora garantam que a retomada do partido partiu de uma manobra bem-sucedida da governadora, Álvaro Porto afirmou, em comunicado enviado à imprensa, que a decisão de sair do PSDB havia sido comunicada à direção nacional tucana na semana passada.
A reportagem ouviu que o presidente da Alepe esteve em Brasília na última quinta-feira (5), quando teria devolvido a presidência do diretório local ao presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, sinalizando sua intenção de migrar para o MDB para reforçar o programa de João Campos. No fim de semana, ele também teria se acertado com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
Álvaro também alinhou a chegada com o prefeito do Recife e lideranças emedebistas locais, como o presidente estadual Raul Henry, o prefeito de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto, e a deputada federal Iza Arruda, antes de oficializar o anúncio.
Em nota, o presidente da Alepe justificou a decisão. “Ingresso no MDB com o intuito de fortalecer um projeto político coletivo liderado pelo prefeito João Campos. Vou me somar aos demais companheiros que integram a sigla para fortalecer essa legenda que é uma referência nacional“, afirmou.
Toda a chapa estadual montada por Porto o acompanhará no novo partido. Já o filho, Gabriel Porto, pré-candidato a deputado federal, ainda não tem destino definido, podendo seguir para o MDB ou para o PSB.
O MDB, embora faça parte da base de João Campos, está rachado e tem membros alinhados à governadora, como o senador Fernando Dueire e o deputado estadual Jarbas Filho. Pessoas próximas a Porto acreditam que os novos reforços consolidarão a sigla no campo do prefeito.
Um novo PSDB em Pernambuco
Com a saída de Porto, o partido emerge sob nova liderança e novos contornos políticos. Rubens Junior, atual assistente da presidência da Copergás e nome de confiança de Raquel Lyra, assume a presidência do diretório. Antes de assumir a Companhia Pernambucana de Gás, ele ocupou a Secretaria Executiva de Articulação e Acompanhamento do Governo do Estado.
Outra novidade é a filiação do deputado federal Pastor Eurico, que deixou o Partido Liberal para integrar o PSDB. O anúncio foi feito em vídeo publicado nas redes sociais de Aécio Neves, ao lado do deputado federal Adolfo Viana, líder da federação PSDB/Cidadania na Câmara.
“Com enorme alegria, a filiação do pastor Eurico, parlamentar extremamente respeitado no Congresso Nacional, sempre em defesa de Pernambuco. Seja bem-vindo. Queremos que o PSDB possa ter um caminho de maior crescimento em Pernambuco“, disse Aécio no anúncio.
A chegada de Eurico foi articulada pela governadora Raquel Lyra nas últimas semanas e concretizada no início desta tarde, quando ela, o Pastor e Aécio se reuniram em Brasília.
“A governadora é uma pessoa que todos sabem que estive com ela no segundo turno. E eu não tenho secretaria, cargos na mão. Eu lamento que algumas pessoas a quem ela deu a mão agora estejam dando uma cotovelada nela. Fiz questão de estar aqui com ela e a convidei para a reunião, pois queria tudo em comum acordo com o presidente nacional Aécio”, afirmou Eurico ao Jornal do Commercio.
O deputado declarou que apoiará Raquel Lyra ao governo estadual e o senador Flávio Bolsonaro à presidência da República em outubro. “O PSDB aceitou minhas posições político-partidárias, o conservadorismo, a direita, sem nenhuma obstrução. Sou livre para apoiar quem eu quiser. Sou bolsonarista, tenho lado. O PSDB não vai lançar candidato à presidência e todos nós somos respeitados”, afirmou.
Sobre a composição interna do diretório, Eurico confirmou que o nome de Rubens Junior foi escolhido em conjunto. “Escolhemos juntos e estamos preparando a nominata da parte administrativa”, disse. A vice-presidência tucana deverá ficar com a professora Conceição da Silva, que já disputou eleição para vice-prefeita de Olinda na chapa de Antônio Campos em 2016.
Pastor Eurico não quis comentar a saída do Partido Liberal. A reportagem apurou, contudo, que o motivo foi a insatisfação com o presidente estadual da sigla, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira. Recentemente, o partido já havia sofrido outras debandadas: o ex-ministro Gilson Machado migrou para o Podemos, e o deputado estadual Renato Antunes assinou com o Novo.
“Questões internas de partido não vou entrar em mérito. O PL segue o caminho dele”, limitou-se a dizer Eurico.
O que resta do PSDB na Alepe
Com a saída de Álvaro Porto, o PSDB fica com três deputados na Assembleia Legislativa, sendo dois aliados de Raquel Lyra: Izaías Régis e Débora Almeida. Os dois confirmaram ao JC que, mesmo com o retorno da legenda à base da governadora, migrarão para o PSD.
Já o oposicionista Diogo Moraes, que havia se transferido do PSB para o PSDB no ano passado para viabilizar a CPI da Publicidade contra Raquel Lyra, não atendeu aos contatos da reportagem. Nos bastidores, avalia-se que dificilmente ele permanecerá na sigla, com chances de usar a janela partidária para retornar ao partido de João Campos ou se filiar ao MDB.




