Nordeste tem 2º maior comprometimento de renda do país e segue com menor rendimento médio, aponta Serasa

Nordeste tem 2º maior comprometimento de renda do país e segue com menor rendimento médio, aponta Serasa


Mesmo com leve alta na renda, famílias do Nordeste seguem comprometendo 78% do orçamento com despesas e dívidas, restando pouco para consumo

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Adriana Guarda


Publicado em 06/04/2026 às 15:06
| Atualizado em 06/04/2026 às 15:11

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O Nordeste é a segunda região do país onde as famílias mais comprometem a renda com despesas financeiras, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (6) pela Serasa Experian. Ao mesmo tempo, continua sendo a região com menor renda média do Brasil — mesmo com leve crescimento nos últimos anos.

De acordo com o estudo, os nordestinos destinam, em média, 78% da renda ao pagamento de contas, dívidas e outros compromissos financeiros. O índice só é menor que o do Norte, onde o comprometimento chega a 80,5%. Em seguida aparecem Centro-Oeste (74,7%), Sudeste (72,7%) e Sul (71,9%).

A diferença entre a região com maior e menor nível de comprometimento chega a 8,6 pontos percentuais.

Os dados consideram tanto despesas básicas — como água, energia e serviços — quanto compromissos financeiros, a exemplo de empréstimos e faturas de cartão de crédito.

Nordeste tem menor renda do país

Quando o recorte é renda média, o Nordeste também aparece em posição desfavorável. A renda média da região passou de R$ 2.766 para R$ 2.821, mantendo-se como a mais baixa do país. O valor segue bem distante do Sudeste (R$ 4.448), Sul (R$ 4.308) e Centro-Oeste (R$ 4.296). No Norte, a média é de R$ 3.018.

Na prática, isso significa que as regiões com menor renda acabam destinando uma fatia maior do orçamento ao pagamento de despesas, reduzindo a capacidade de consumo e de enfrentar imprevistos.

“Em finanças pessoais, um comprometimento de renda na casa dos 80% é um risco elevado sobre o orçamento. Isso é um sinal de alerta, uma vez que a margem de manobra praticamente desaparece. Com tão pouca renda disponível após pagar despesas financeiras, cresce a dificuldade de absorver imprevistos, planejar compras maiores ou acessar crédito em condições mais favoráveis”, explica Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian.

Pressão sobre o orçamento segue alta

A análise histórica mostra que o comprometimento da renda permanece elevado no país desde 2022, com pequenas variações.

No Nordeste, o índice recuou de 79,4% para 78% em 2025, enquanto no Norte se manteve acima de 80% durante todo o período. Já no Sul e Sudeste houve leve redução, e o Centro-Oeste permaneceu próximo de 75%.

Apesar disso, a renda média cresceu em todas as regiões — mas de forma desigual. No Nordeste, o aumento foi tímido, passando de R$ 2.766 para R$ 2.821.

Esse descompasso ajuda a explicar por que a pressão sobre o orçamento das famílias segue elevada, especialmente nas regiões de menor renda.

“Os dados mostram que renda e despesas financeiras evoluíram praticamente no mesmo ritmo nos últimos anos, mantendo o comprometimento em patamares elevados. Esse cenário exige modelos de crédito cada vez mais precisos e responsáveis, baseados em inteligência de dados, para apoiar decisões alinhadas à realidade financeira de cada região”, afirma Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian.

Como foi feito o levantamento

O estudo foi elaborado com base na solução Renda 5.0 da Serasa Experian, que reúne informações sobre renda média, origem dos rendimentos e nível de comprometimento financeiro da população brasileira. Os dados têm como referência novembro de 2025.

 

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