Debate sobre fim da jornada 6×1 chega no Congresso como mote de campanha eleitoral sem país percorrer jornada da produtividade

Debate sobre fim da jornada 6×1 chega no Congresso como mote de campanha eleitoral sem país percorrer jornada da produtividade

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Reconhecido como um dos maiores especialistas nas relações de trabalho no Brasil, o professor titular aposentado da FEA-USP e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP tem uma tem uma avaliação radical em relação à proposta de suspensão da escala 6×1 em debate no Congresso:

A redução forçada da jornada semanal para 36 horas elevará compulsoriamente as folhas de pagamento da maioria das empresas em 22%. É um aumento estratosférico. Elas farão ajustes que provocarão inflação, rotatividade, informalidade, desemprego e recessão, atingindo em cheio os trabalhadores mais vulneráveis.

Pressão eleitoral

Ele reconhece que os parlamentares estão pressionados pela opinião dos eleitores, que, desavisados, sonham com mais descanso. Mas adverte que é melhor deixar o assunto para 2027 [portanto, o novo Congresso], quando deputados e senadores poderão votar com suas reais convicções.

Pastore aborda uma questão central que é o fato de o país debater a questão da jornada máxima de trabalhador na Constituição. Como se sabe, a Constituição Federal do Brasil fixa a jornada máxima de 8 horas diárias e 44 horas semanais e dá liberdade para as partes negociarem abaixo disso. Hoje, a média semanal é de 39 horas.



Indústria sofre com falta de qualificação em meio. – Divulgação

Negociação coletiva

Pastore esclarece que a maioria dos países reduz jornadas por negociação coletiva e que poucos o fazem por lei ou constituição. Certamente porque a negociação coletiva é o único método que permite ajustar jornadas e escalas às particularidades dos trabalhos. Porque não há lei que seja capaz de atender às particularidades dos trabalhos.

Mas talvez a principal abordagem do professor seja em relação a produtividade. No Brasil, diz Pastore, produzimos uma média de US$ 17 por hora enquanto nos países avançados, são mais de US$ 70. Portanto, ganhos de produtividade são essenciais para reduzir a jornada. No Ranking Geral Competitividade Brasil (2023-2024), o Brasil está em 18º lugar atrás do Chile, Argentina, Colômbia e Peru.

Fator produtividade

O professor repete o que já está escrito em dezenas de análises no Brasil e fora dele: A produtividade depende de vários outros fatores que estão fora do seu controle, tais como a gestão da empresa, a tecnologia utilizada, a infraestrutura disponível, as instituições que garantem segurança jurídica e outros.

O tema produtividade é estudado por todas as confederações de entidades empresariais especialmente pela CNI, que tem posição contrária ao debate da escala 6×1 num ano eleitoral. E segundo a CNI, na última década (2013-2023), a produtividade na indústria brasileira acumulou queda de 1,2%, refletindo redução de 16,5% nas horas trabalhadas e redução maior no volume produzido, de 17,4%.


Divulgação

Industria de alimentos produtividade. – Divulgação

Mais por menos

Estudos da entidade revelam que 2023 foi o quarto ano consecutivo de recuo do indicador, que acumula queda de 8,5% em relação a 2019, último ano de crescimento da produtividade. Para a CNI a escassez de profissionais qualificados tem se agravado ao travar a competitividade e obrigar as empresas a capacitar e requalificar os trabalhadores.

A CNI traz para o debate uma questão aparentemente contraditória quando se debate a redução da jornada de trabalho, quando afirma que identifica uma crescente falta de interesse da população, especialmente dos mais jovens, por relações de trabalho tradicionais.


Gilberto Sousa CNI

Máquinas e equipamentos industriais. – Gilberto Sousa CNI

Estação de trabalho

Pode ser, mas o que também parece claro é que há um grande interesse pelo emprego formal quando a empresa demonstra ser inovadora, tem programas de carreira claros e seu sítio industrial é moderno e agrega automação de modo que os jovens se sentem atraídos pelo trabalho industrial de indústrias mais modernas.

Empresários e analistas concordam que ganhos de produtividade compensatórios implicam na necessidade de investimentos por parte das empresas e reorganização dos processos produtivos. O problema é fazer isso com uma taxa básica de juros (Selic) próxima de 15% a.a.?

Hora trabalhada

Praticamente entre os empresários e até parlamentares mais familiarizados com o tema há um consenso de que jornadas menores podem vir acompanhadas de ganhos de produtividade por hora trabalhada, pois trabalhadores menos fatigados tenderiam a apresentar maior concentração, menor taxa de erros e de absenteísmo e maior eficiência no desempenho de suas tarefas. Mas isso é possível em fábricas e empresas obsoletas?

O governo que resolveu colocar o tema na campanha de reeleição do presidente Lula afirma que já destinou recursos ao financiamento da difusão de tecnologias da indústria 4.0 e à produção de bens de capital voltados à economia verde, no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB) com taxa média de 6,5% ao ano?


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Senai Treinamento de jovens. – Divulgação

Dinheiro difícil

De novo: Pode ser, mas quem está conseguindo acesso a esse dinheiro! Pelo que está no próprio noticiário do BNDES, os maiores volumes estão indo para empresas de grande porte que têm acesso ao banco e cujo tamanho dos empréstimos ajuda ao governo a dizer que emprestou mais.

No ano passado, o programa Mais Produção do BNDES emprestou R$ 91,5 bilhões para os eixos de inovação e produtividade. Mas do total de R$ 54,1 bilhões foram para grandes empresas. A média da empresa só conseguiu R$ 28,1 bilhões e a pequena R$ 7,6 bilhões.

Nordeste pequeno

No Nordeste, mesmo a grande empresa só captou R$ 6 bilhões e a média R$ 3 bilhões. No Nordeste apenas 60 empresas fizeram projetos de inovação captando R$ 823 milhões. As médias apenas 192 captaram um total de 146 milhões. Não são números capazes de mudar o quadro geral.

Isso tem a ver com como as empresas atuam, como competem e como atraem novos trabalhadores mais escolarizados. No fundo a questão não é se o trabalhador vai trabalhar 6×1, 5×2 ou 4×3 dias na semana. É onde ele está trabalhando e o quanto recebe no final do mês para levar para casa em função do que entregou para a empresa. Não tem muito a ver com o que está ou não escrito na Constituição.


ADOBE Divulgação

CASTELO DE SÃO JOÃO DO INSTITUTO RICARDO BRENNAND FEITO POR IA – ADOBE Divulgação

IA tem alucinação ao reporjetar castelo do IRB

Uma análise realizada com a Firefly, plataforma de inteligência artificial da Adobe, testando as possibilidades de imaginação de IA na arquitetura alucinou quando pretendeu transformar referências históricas no Nordeste analisando prédios icônicos das cidades como Salvador, Recife e Fortaleza apresentando uma arquitetura marcada pela sobreposição de épocas e influências.

Ao menos no caso do castelo do Instituto Ricardo Brennand, quando trabalhou com o que chamou de fantasia medieval convertida em escultura orgânica idealizada pelo artista Francisco Brennand. Usando os dados do castelo que carrega torres, muralhas e referências diretas ao universo medieval que compõe o IRB no Recife.


ADOBE Divulgação

CASTELO INSTITUTO RIOCARDO BRENNAND.jpg – ADOBE Divulgação

Não foi Brennand

A interpretação do Firefly alucinou porque o agente aprendeu a partir da obra de Francisco Brennand para reprojetar o castelo do IRB. Isso nunca aconteceu porque o artista jamais poderia ter projetado o prédio devido às suas sérias desavenças com o criador do IRB, Ricardo Brennand, seu primo.

Na verdade, a tarefa de transformar o sonho de Ricardo Brennand em realidade foi entregue à firma Augusto Reinaldo Arquitetura e Desenho, cujo titular viajou à Europa numa temporada de observação aos monumentos do Vale de Loire, bem como de outros recantos da França, a fim de adquirir restos de demolição de antigos castelos a serem aplicados na construção do novo Castelo de São João.

Augusto Reinaldo visitou a pequena comunidade de Houdan nas cercanias de Paris, onde adquiriu 19 peças de demolição que vieram depois a ser aplicadas no Castelo de São João. Como a plataforma Firefly da Adobe trabalhou com o banco de dados da obra de Francisco Brennand, a releitura do castelo resultou no que em IA se chama de alucinação.

Reajuste abusivo

A advogada Andrezza Pessoa, especializada em Direito da Saúde, comenta como o usuário pode identificar um aumento abusivo. “Primeiramente, o beneficiário precisa conhecer o seu contrato. Para identificar se há um aumento abusivo, deve-se comparar o reajuste anual com o teto da ANS e verificar se a operadora justificou aumentos coletivos (geralmente acima de 20%). O usuário pode solicitar a planilha de custos e contestar valores exorbitantes, judicialmente”, esclarece.

Varejo farmacêutico

O varejo farmacêutico brasileiro acaba de emitir um sinal inédito. Pela primeira vez na série recente, o número de farmácias fechadas superou o de aberturas no país, indicando uma inflexão relevante no ciclo de crescimento do setor.

Dados do setor mostram que, após anos de expansão contínua, o mercado entrou em uma fase de maior seletividade, com retração no total de lojas entre o fim de 2025 e o início de 2026. Depois de atingir 94.237 unidades em dezembro de 2025, o número caiu para 93.975 em janeiro de 2026 e para 93.850 em fevereiro.

A mensagem é clara. O mercado mudou e o crescimento deixou de ser automático e passou a depender de eficiência operacional e escala. Em 2025, foram fechadas 6.555 lojas independentes contra 5.459 abertas, resultando em um saldo negativo de 1.096 unidades.

 

Privatização

Um estudo coordenado pelo economista do Dieese/FUP Cloviomar Cararine revela que a privatização na área de combustíveis, especialmente após a venda das refinarias, da BR Distribuidora e da Liquigás, impactou os preços e prejudicou a população de menor renda.

Preços praticados pela Acelen, refinaria baiana privatizada em 2021, fizeram de Salvador a capital brasileira que registra os maiores preços do diesel S10 ao consumidor final, atingindo em média R$ 8,20 por litro, na semana de 5 a 11 de abril. O mesmo comportamento de Manaus, onde a refinaria foi privatizada em 2022. Na capital amazonense, o diesel S10 teve alta de 7,42%, em março, enquanto em Salvador registrou alta de 7,15%.


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Fiscalização da ANP chegou a mais de 1 mil postos de dcombustiveise distribuidoras. – Divulgação

Fiscalização

A atribuição de fiscalizar aumentos abusivos de preços foi dada à ANP pela Medida Provisória (MP) nº 1.340, publicada em 12 de março de 2026, no contexto dos impactos da Guerra do Oriente Médio no mercado nacional de combustíveis levaram à agência fiscalizar 1.206 agentes econômicos, em todas as unidades da federação, em operações com foco no combate à abusividade de preços, incluindo postos e distribuidoras de combustíveis, revendas e distribuidoras de GLP (gás de cozinha), transportadores-revendedores-retalhistas (TRR), entre outros.

Foram aplicados 195 autos de infração por motivos diversos, sendo 19 por preços abusivos (16 distribuidoras, dois postos revendedores e uma revenda de GLP), e realizadas 41 interdições cautelares, por questões como qualidade e quantidade. Muito pouco, considerando que o Brasil tem 45 mil postos de combustível.

Menos consumo

O consumo das famílias brasileiras deve enfrentar um período de forte desaceleração no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School.

O estudo aponta que o ambiente macroeconômico adverso, marcado por juros elevados, crédito restrito e aumento da inadimplência, tem reduzido o poder de compra e levado os consumidores a adotarem uma postura mais cautelosa. O varejo restrito também deve apresentar retração no curto prazo, refletindo um consumidor cada vez mais pressionado pela perda de renda disponível e pelo encarecimento do crédito.


Silvano Prysthon/ JC IMAGENS

Pedro Freitas, presidente da Amupe, no Conexões em Pauta – Silvano Prysthon/ JC IMAGENS

Tributária na Amupe

O tema central de painel no 9º Congresso Pernambucano de Municípios, promovido pela Amupe, que acontece nos dias 27 e 28 no Recife Expo Center, será o impacto da Reforma Tributária nas finanças municipais. O debate será em torno das mudanças na arrecadação e dos desafios de transição para o novo modelo tributário. E sobre como preservar a autonomia e a sustentabilidade fiscal dos seus municípios diante das novas regras nacionais.

 

 

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