Ivana Alencar Santos, escritora pernambucana, se destaca na literatura e tem conto publicado em coletâneas pela Necrópole Editora e pelo Coletivo Aspas Duplas.
Uma nova voz começa a ecoar com intensidade no cenário da literatura independente brasileira. Direto do Nordeste, a jovem escritora pernambucana Ivana Alencar dos Santos desponta como um nome promissor, unindo sensibilidade histórica, imaginação inquieta e uma escrita que transita entre o poético e o perturbador.
Formada em História pela Universidade de Pernambuco, Ivana encontrou na graduação não apenas um campo de conhecimento, mas uma ruptura interna. Foi ali que, segundo a própria autora, sua visão de mundo se expandiu, abrindo espaço para a escrita como ferramenta não apenas de transmissão de conhecimento, mas de expressão emocional profunda.
“Passei a pensar na escrita não só como ferramenta educacional, mas como meio de transmitir sentimentos, inclusive os mais sombrios”, afirma.
Curiosamente, o caminho até a literatura não foi planejado. Ivana revela que jamais se imaginou escritora. O impulso criativo surgiu de forma gradual, quase silenciosa, alimentado por leituras, encontros, críticas e incentivos… alguns vindos de rostos conhecidos, outros de vozes anônimas que atravessaram sua trajetória por meio da arte. Segundo a Necrópole Editora, há em sua escrita uma tensão essencial: “Ivana escreve regida pelo medo de desaparecer, e de ver desaparecer aquilo que ama”.
Essa pulsão existencial se traduz com força em sua produção literária. No conto “Casa do Sol Nascente”, a autora mergulha o leitor em um sertão que ultrapassa o real, transformando-o em território de assombro, memória e perdição. Entre estradas ermas, figuras enigmáticas e uma pousada que parece existir entre a vida e a morte, a narrativa constrói uma atmosfera densa e inquietante.
O texto chamou atenção tanto do Coletivo Literário Aspas Duplas quanto da Necrópole Editora, garantindo presença em duas importantes publicações: a antologia “Contratos Infernais” e a coletânea “Vão de Almas”. Para o coletivo, trata-se de “um destaque sombrio”, capaz de prender o leitor do início ao fim, dialogando com elementos da história nordestina e do imaginário sobrenatural popular.
A força da escrita de Ivana reside justamente nessa intersecção: o real e o fantástico, o histórico e o sensível, o medo e a permanência. Sua literatura não busca conforto, busca permanência. É um gesto de resistência contra o esquecimento.
Ainda no início de sua trajetória, Ivana Alencar dos Santos já demonstra uma maturidade narrativa rara, revelando não apenas talento, mas urgência criativa. Em tempos de produção acelerada e descartável, sua escrita surge como contraponto: densa, reflexiva e marcada por identidade.
Pernambuco, terra que moldou sua formação intelectual e sua origem, tem motivos de sobra para se orgulhar. Ivana não apenas escreve histórias; ela escreve memórias, inquietações e permanências em cada linha.
E se depender da força que já imprime em suas palavras, seu nome ainda ecoará por muitos outros territórios… reais e imaginários.
Rafael Caputo (11) 95339-4380 [email protected]




