Em artigo, Janguiê Diniz defende a inclusão do empreendedorismo nas escolas públicas como ferramenta de autonomia, inovação e desenvolvimento social
Coluna Janguiê Diniz
Janguiê Diniz – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional, Fundador da JD Business Academy, Presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo e da ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior
Falar sobre educação no Brasil é, inevitavelmente, falar sobre desafios, mas também sobre oportunidades. Entre elas, uma se destaca cada vez mais como estratégica para o desenvolvimento do país: a educação empreendedora nas escolas, especialmente na rede pública. Em um cenário marcado por desigualdades e limitações de acesso, ensinar jovens a pensar de forma empreendedora pode ser uma das ferramentas mais poderosas de transformação social.
O empreendedorismo tem se consolidado como um caminho legítimo para a realização de sonhos, conquista de autonomia financeira e mobilidade social. No entanto, é importante compreender que ninguém nasce sabendo empreender. Sem estímulo, conhecimento e referências, muitos jovens sequer consideram essa possibilidade. E é justamente nesse ponto que a escola pode exercer um papel decisivo: apresentar o empreendedorismo como uma alternativa real e acessível.
Quando falamos em educação empreendedora, não estamos nos referindo apenas à criação de empresas. Empreender vai muito além disso. Trata-se de desenvolver habilidades e competências fundamentais para a vida, como foco, disciplina, criatividade, resiliência, coragem para assumir riscos e capacidade de transformar ideias em ação. É formar indivíduos que não apenas se adaptam ao mundo, mas que também são capazes de transformá-lo. Inserir esse tipo de educação desde cedo é preparar crianças e adolescentes para lidarem com desafios de forma mais consciente e estratégica. Jovens que têm contato com conceitos empreendedores aprendem a identificar oportunidades, a pensar soluções, a trabalhar em equipe e a persistir diante das dificuldades. Essas habilidades são valiosas independentemente da carreira que venham a seguir.
Nas escolas públicas, essa abordagem ganha ainda mais relevância. Muitos estudantes enfrentam realidades complexas, com limitações de recursos e oportunidades. A educação empreendedora pode ampliar horizontes, mostrando que é possível construir caminhos próprios, mesmo diante de adversidades. Ela oferece não apenas conhecimento técnico, mas também mentalidade — e mentalidade é o ponto de partida de qualquer transformação. Outro aspecto importante é o impacto no engajamento dos alunos. Quando o aprendizado se conecta com a vida real, ele se torna mais significativo. Projetos práticos, simulações de negócios, resolução de problemas e desenvolvimento de ideias tornam o processo educacional mais dinâmico e atrativo. O aluno deixa de ser apenas um receptor de conteúdo e passa a ser protagonista do próprio aprendizado.
Além disso, a educação empreendedora contribui para a formação de uma geração mais preparada para o mercado de trabalho. Em um mundo em constante transformação, onde profissões surgem e desaparecem com rapidez, ter habilidades empreendedoras é um diferencial, seja para abrir um negócio, ou para se destacar dentro de uma organização. Empresas valorizam profissionais com iniciativa, capacidade de inovação e pensamento estratégico.
É importante destacar que essa transformação não depende apenas de grandes investimentos ou mudanças estruturais complexas. Muitas vezes, ela começa com iniciativas simples: inclusão de conteúdos sobre empreendedorismo no currículo, capacitação de professores, parcerias com instituições e projetos extracurriculares. O mais importante é dar o primeiro passo e reconhecer a relevância do tema. Ao investir na educação empreendedora, estamos investindo em um futuro mais dinâmico, inovador e inclusivo. Estamos formando jovens que acreditam no próprio potencial, que não se limitam às circunstâncias e que enxergam possibilidades onde antes viam obstáculos. Estamos criando uma cultura de protagonismo, em que cada indivíduo entende que pode ser agente de mudança.
No longo prazo, os impactos vão além do indivíduo. Uma sociedade com mais empreendedores é uma sociedade mais ativa economicamente, mais criativa e mais resiliente. Novos negócios geram empregos, movimentam a economia e contribuem para o desenvolvimento local. E tudo isso começa com educação.
Por isso, a pergunta que fica é: estamos preparando nossos jovens apenas para repetir caminhos já existentes ou estamos dando a eles as ferramentas para criar novos caminhos? A resposta a essa pergunta definirá não apenas o futuro desses estudantes, mas o futuro do país como um todo. Inserir o empreendedorismo nas escolas é mais do que ensinar a empreender. É ensinar a sonhar grande, a agir com propósito e a construir uma trajetória com autonomia e significado. É formar não apenas profissionais, mas cidadãos capazes de transformar suas próprias realidades — e, com isso, transformar o mundo ao seu redor.




