Após passar por São Paulo e pela cidade do Porto, em Portugal, projeto idealizado por João Gomes voltou ao estado onde nasceu e promoveu uma grande celebração da cultura nordestina na Avenida Alfredo Lisboa, reunindo artistas de diferentes gerações e milhares de pessoas no coração da capital pernambucana
Depois de levar a cultura pernambucana para novos públicos em São Paulo e na cidade do Porto, em Portugal, o projeto São João Gomes voltou para casa. Na noite dessa quarta-feira (17), a Avenida Alfredo Lisboa, no Recife Antigo, foi tomada por uma multidão de mais de 40 mil pessoas que celebrou a força da música nordestina, das tradições juninas e da cultura popular em uma edição especial do evento idealizado pelo cantor João Gomes.
A circulação do projeto São João Gomes contou com o apoio do Pernambuco Meu País, iniciativa do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-PE), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). A parceria acompanhou o São João Gomes desde as edições realizadas em São Paulo e no Porto, até o retorno à sua terra natal, reforçando a política estadual de valorização da cultura popular, incentivo ao turismo cultural e promoção da identidade pernambucana dentro e fora do Brasil.
A programação começou cedo, a partir das 15h, e aos poucos foi reunindo o público que ocupou mais de 1,2 km da Avenida, entre o Cais do Sertão e o Terminal Marítimo de Passageiros, com cortejos da cultura popular, feira de gastronomia, moda e de artesanato. Ao longo da tarde, dez grupos tradicionais percorreram o espaço celebrando a diversidade das manifestações culturais pernambucanas.
Os cortejos reuniram a Quadrilha Junina Explosão, a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo (SOBAC), a Banda de Pífanos Zabumba do Mestre Chimba, a Quadrilha Junina Raio de Sol Mirim, o Batalhão 19 – Flor de Lis, João do Pife e Banda Dois Irmãos, a Bandeira de São João Utopia e Paixão do Morro da Conceição, o Boi Maracatu, a Quadrilha Mulambembes, a Quadrilha Raio de Sol e a União dos Bacamarteiros de Cupira – Batalhão 1, que realizaram apresentações ao longo da Avenida, antes do início da programação musical do palco.
“O Pernambuco Meu País nasceu com o compromisso de fortalecer a cultura pernambucana, ampliar o acesso da população às nossas manifestações tradicionais e criar oportunidades para que os artistas e grupos culturais circulem cada vez mais. Apoiar o São João Gomes desde as edições em São Paulo e no Porto e, agora, no Recife, mostra como o Governo de Pernambuco acredita na cultura como instrumento de identidade, desenvolvimento e promoção do nosso estado. Além de reunir milhares de pessoas em torno da música, o projeto permitiu que grupos da cultura popular, artesãos e empreendedores da gastronomia levassem a riqueza das nossas tradições para diferentes públicos, dentro e fora de Pernambuco”, expressa a secretária de Cultura de Pernambuco em exercício, Ana Paula Jardim.
Para a diretora-geral do Pernambuco Meu País e diretora de Cultura da Fundarpe, Carla Pereira, apoiar iniciativas como essa significa ampliar o acesso da população às manifestações culturais e fortalecer as tradições que fazem parte da identidade pernambucana: “Essa é a missão do Governo do Estado de Pernambuco: democratizar, potencializar e fortalecer a cultura e as festividades tradicionais do nosso estado”.
A abertura da programação ficou por conta do grupo Ivison e Arthur e A Casa dos Oito Baixos, de Caruaru, que reuniu no palco artistas de todas as idades e mestres da cultura popular, em uma apresentação marcada pela valorização da tradição dos oito baixos e pela transmissão desse patrimônio cultural entre diferentes gerações.
Na sequência, Mestrinho assumiu o palco levando a sanfona para o centro da festa. O artista abriu o show com a música “Mala e cuia”, seguida de “Medo bobo”, conquistando o público com um repertório que transitou entre canções autorais, sucessos românticos e clássicos do forró. Em um dos momentos mais emocionantes da apresentação, homenageou Dominguinhos ao interpretar “Eu só quero um xodó”, reforçando a influência do mestre em sua trajetória musical. A celebração ao legado dos grandes nomes do forró continuou com “O xote das meninas” e “Sabiá”, de Luiz Gonzaga. O cantor também dedicou “Te faço um cafuné”, “Lembrei de nós” e “Flor”, do projeto Dominguinho, aos casais apaixonados, já anunciando que na sequência teria muito mais no show de João Gomes.
Recebido sob a euforia de um público que aguardava ansiosamente o grande momento da noite, João Gomes subiu ao palco em um cenário inspirado na casa da sua avó, na cidade de Serrita, no Sertão de Pernambuco, onde foi gravado o álbum “Pé de Serrita”, com inspiração nas origens do artista. O anfitrião abriu a apresentação com clássicos do seu repertório, como “Eu tenho a senha”, “Se for amor” e “Meu pedaço de pecado”. Em coro, o público acompanhou cada letra sem pestanejar, fazendo ecoar o som no Terminal Marítimo de Passageiros. Durante o show, João Gomes destacou o orgulho de levar a cultura nordestina para diferentes lugares e ressaltou a importância de receber visitantes em Pernambuco com o mesmo acolhimento encontrado pelo projeto em outras regiões e países, valorizando a riqueza cultural do estado e do Nordeste.
Sem perder de vista suas referências musicais, ele ainda interpretou “Fixação”, da banda Kid Abelha, e “Gostava tanto de você”, de Tim Maia. Emocionou a plateia com “Morena Tropicana”, de Alceu Valença, e mergulhou nas raízes do forró em um pot-pourri com “Pagode russo” e “O xote das meninas”. O show também abriu espaço para homenagens à música pernambucana contemporânea com canções de Chico Science e Nação Zumbi. Mestrinho voltou ao palco para uma participação especial no show de João Gomes, presenteando o público com músicas do projeto Dominguinho, faltando apenas Jota.Pê no palco para completar a parceria. “Beija-flor” e “Arriadin por tu” foram algumas das faixas cantadas e que fizeram os fãs esquecerem tudo para viver somente aquele momento.



