Para proteger crianças e adolescentes de doenças, o ambiente escolar é ideal – mas ainda há resistência de professores e dos pais de estudantes
JC
Publicado em 22/06/2026 às 0:00
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É dever dos governos a garantia de serviços de saúde para toda a população, especialmente aquela parcela que não possui condições financeiras para arcar com as despesas de seguros privados, consultas e exames particulares. E é direito dos cidadãos o usufruto desses serviços, de maneira universal e acessível, desde os primeiros anos de vida até a idade avançada. Mas há situações em que nem os governos são capazes de prover o serviço adequadamente, nem os indivíduos parecem dispostos a receberem o apoio oferecido pelo Estado.
É o caso da cobertura vacinal, no Brasil e em outras partes do mundo, em um fenômeno agravado pelas campanhas contra a vacinação durante a pandemia de Covid, entre 2021 e 2022, cujos efeitos de resistência popular se estendem aos nossos dias. As dificuldades para o cumprimento da agenda de vacinas em crianças e adolescentes passam pelo desconhecimento turbinado por informações falsas, que semeiam a desconfiança nas mães e nos pais, e também pelo fato de que o público adolescente não costuma frequentar os postos de saúde onde a imunização é rotineiramente aplicada. Daí a necessidade não apenas de campanhas esclarecedoras, mas sobretudo de estratégias de abordagens mais eficazes, a fim de recuperar a cobertura e promover a sua ampliação.
Foi em 2018, antes da Covid, que o estado do Paraná aprovou legislação exigindo a atualização da carteira de vacinação para a matrícula e a rematrícula nas redes pública e privada de ensino. Atualmente, a maioria das unidades da federação conta com legislação semelhante à paranaense. E mais de 4 mil municípios brasileiros tiveram ações de vacinação nas escolas em 2025, de acordo com o governo federal – o equivalente a mais de 80% dos municípios do país. Mas a prática mostra que a lei não basta. É preciso incentivar, informar e proporcionar as condições ideais para que a imunização aconteça no tempo certo. E um dos principais obstáculos é a resistência no próprio ambiente escolar, de professoras e professores, e dos pais de estudantes, quando as escolas são utilizadas como locais de vacinação.
Segundo a coordenadora estadual de imunização da Secretaria da Saúde do Paraná, Virginia Dobrowski, a parceria entre os setores de saúde e educação no governo é fundamental para quebrar as resistências existentes. Em entrevista à Folha de S. Paulo, a coordenadora afirmou que não foi fácil defender que a vacinação também é responsabilidade da comunidade escolar. “Tivemos professores dizendo que não era competência deles”, lembra. Mas foi graças à insistência de vacinar nas escolas que se conseguiu a ampliação da cobertura contra meningite e HPV em adolescentes. “Na adolescência, muitas vezes o jovem não procura mais a sala de vacina. Então precisamos fazer o resgate dessa população”, o que foi obtido com a aplicação nas unidades escolares.
Escola é lugar de aprendizagem, convivência, saúde mental e física – daí a conexão necessária: escola também é lugar de vacina, ou seja, de prevenção a doenças que podem causar muito sofrimento às famílias, se a imunização não for considerada com a naturalidade e a responsabilidade com que deve ser.


