O avanço da Inteligência Artificial (IA) Generativa tem gerado uma onda de preocupações no mercado de trabalho, reavivando temores de substituição em massa da mão de obra humana.
No entanto, para quem atua na linha de frente da transformação digital das grandes corporações, o cenário é de potencialização, não de extinção. Este foi o tom do debate do quarto episódio da série JC Negócios Entrevista – IA e Empregabilidade.
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O bate-papo, conduzido pelo titular da coluna JC Negócios, Fernando Castilho, e com a participação do diretor de jornalismo do SJCC, Laurindo Ferreira, recebeu Leonardo Vieira, gerente de Tecnologia da Informação do Grupo Cornélio Brennand.
Com mais de 20 anos de experiência na área, Vieira detalhou como as corporações brasileiras estão lidando com o desafio de integrar ferramentas inteligentes ao dia a dia dos colaboradores.
Para ilustrar o salto tecnológico atual, o especialista recorreu a uma imagem clara: “Se fôssemos construir uma casa antes, tínhamos apenas uma pá. Com a IA Generativa, em vez de fazer a base com a pá, nós recebemos uma retroescavadeira. É uma tecnologia que aumenta drasticamente a capacidade humana de fazer mais e melhor, com muito mais assertividade”, explicou Vieira.
Fim do “copiar e colar”
A premissa para que essa “retroescavadeira” funcione, contudo, exige o que Leonardo Vieira define como letramento digital. No Grupo Cornélio Brennand, a estratégia foi descentralizar o acesso à tecnologia, tirando-a exclusivamente do escopo da TI e capacitando funcionários de todas as áreas. A jornada envolveu desde cartilhas de uso seguro até o treinamento prático sobre como interagir com os algoritmos sem comprometer a segurança da informação da companhia.
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Questionado sobre a visão apocalíptica da perda generalizada de vagas, Vieira afirma que o impacto principal recairá sobre atividades puramente mecânicas. “Anos atrás, tínhamos os digitadores. Hoje, precisamos de pessoas que não apenas façam o ‘copiar e colar’ de um sistema para o outro. A IA vai assumir essas atividades que não trazem valor estratégico, liberando o humano para o que realmente importa, como o cuidado nas relações, a saúde e a análise crítica”.
Educação como pilar central
Apesar do otimismo com a produtividade, o especialista fez um alerta para a falta de políticas públicas amplas de Estado voltadas para a educação tecnológica da população, apontando que, atualmente, as grandes corporações têm assumido sozinhas o protagonismo de capacitar a força de trabalho.
Enquanto governos tentam entender e regular o cenário, o conselho para os profissionais que desejam se manter relevantes é que a adaptação deve ser contínua. “O processo de aprendizado precisa ser constante. A tecnologia que usamos hoje será superada amanhã. Quem entender como utilizar esses recursos de forma segura e estratégica será quem fará a verdadeira diferença na corporação”, concluiu.



