Recife assina acordo internacional de R$ 300 milhões para economia circular

Recife assina acordo internacional de R$ 300 milhões para economia circular

Parceria global de economia circular visa reduzir resíduos plásticos em rios, fortalecer cooperativas e criar modelo replicável para outras capitais

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A cidade do Recife foi selecionada como pioneira para a execução de um projeto internacional de economia circular desenvolvido pela Fundação Ellen MacArthur e pela organização Clean Rivers, com recursos viabilizados pelo governo dos Emirados Árabes.

O município funcionará como modelo global para a iniciativa , que prevê um investimento estimado em R$ 300 milhões (cerca de US$ 50 milhões) por um período de cinco a sete anos. Em paralelo à assinatura do convênio, a gestão municipal inaugurou a Ecoestação Vila do Papel, localizada no Coque, ampliando a estrutura local de descarte de resíduos volumosos e materiais recicláveis.

“O Recife hoje celebra um acordo que poderá resultar em investimento na ordem de R$ 300 milhões com o foco prioritário no resíduo, em diversas frentes, desde apoio a cooperativas, infraestrutura, limpeza de rios e canais, atividades sociais, capacitação, uma série de iniciativas”, explica Victor Marques, prefeito da capital pernambucana. 

Cooperação internacional

A parceria é a segunda etapa de um trabalho fundamentado no relatório “Fechando o Ciclo”, publicado pelas instituições parceiras, que estabelece estratégias para combater a poluição por plásticos em recursos hídricos.

O projeto é estruturado em três eixos principais:

  • a transição para a economia circular na cadeia de embalagens;
  • a intensificação da limpeza urbana para evitar que o plástico atinja rios e mares;
  • e a inclusão sócio-produtiva de catadores.

A elaboração de um plano de trabalho conjunto nos próximos seis meses definirá as diretrizes e metas de execução.

“Há três anos, quando a gente começou a negociar esse projeto com os CEOs das grandes empresas do mundo, o Governo dos Emirados Árabes, a gente queria mostrar que era possível fazer um projeto em larga escala, que usasse a infraestrutura de uma cidade e ampliasse essa responsabilidade compartilhada, trazendo as empresas, os catadores, o cidadão e a indústria, para fazer com que a gestão de resíduos fosse melhor feita e a economia circular pudesse aproveitar esses insumos para a nova indústria”, destaca Adalberto Maluf, secretário de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Inauguração da ecoestação Vila do Papel

A unidade instalada na comunidade do Coque representa a 17ª ecoestação do município, que operava com oito estruturas desse tipo até 2021. O equipamento serve como ponto de entrega voluntária de resíduos de construção civil, materiais recicláveis, móveis velhos, restos de poda e resíduos de logística reversa obrigatória.

Além de oferecer à população uma alternativa para evitar o descarte irregular em vias públicas, o local funcionará como ponto de apoio operacional para os catadores de materiais recicláveis.



Ecoestação Vila do Papel – Marlon Diego/PCR

Expansão do modelo de coleta

A rede de ecoestações integra um sistema municipal que inclui coleta agendada para grandes volumes em residências e ações de conscientização ambiental nas escolas. A prefeitura também realiza a compra direta de materiais recicláveis de catadores durante grandes eventos públicos com pagamento via Pix.

“Todo investimento, tudo que for utilizado, que for acordado aqui no Recife, poderá ser replicado para outras grandes cidades, outras capitais, cidades como o Recife, que são cortadas por rios e canais e que a gente fica muito triste quando a gente vê plástico sendo descartado de forma irregular, atrapalhando o meio ambiente, prejudicando a cidade, prejudicando as galerias de drenagem”, pontua o prefeito.

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