Grupo Mateus aproveita benefício fiscal de ICMS concedido pelo estado à rede Novo Atacarejo e muda CNPJ e identidade visual em Pernambuco

Grupo Mateus aproveita benefício fiscal de ICMS concedido pelo estado à rede Novo Atacarejo e muda CNPJ e identidade visual em Pernambuco

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Três anos depois de anunciar sua chegada a Pernambuco, prometendo a geração de 2.500 empregos, o Grupo Mateus comunicou ao mercado que, exclusivamente em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, suas lojas passaram a operar sob novas bandeiras, que seguem fazendo parte do Grupo.

As lojas Mix Mateus agora são Novo Atacarejo. Já as lojas Mateus Casa Forte (PE) e Mateus Altiplano (PB) ganharam a bandeira Novo Mercatto, focadas numa experiência de serviços Premium.

Paulo Câmara

O que poderia ser apenas uma mudança de marca em praças do Nordeste tem objetivos que vão além do nome e se deve à decisão da empresa, ao menos em Pernambuco, de aproveitar um benefício fiscal concedido ainda no Governo Paulo Câmara, que lhe assegura parte do deferimento a uma empresa que o Grupo Mateus adquiriu em 2024 e que goza desse benefício, a rede Novo

Atacarejo. Desde o começo do mês, as lojas Mateus passaram a usar a denominação Nova Atacarejo, o CNPJ da empresa coligada e uma nova identidade visual.



Novo Mercatto, com uma experiência de serviços premium. – Divulgação

Isenção de ICMS

Fiscalmente, a empresa Novo Atacarejo se utiliza de um dispositivo do Convênio ICMS 190/17, o qual permite a adesão aos benefícios fiscais concedidos por outra unidade federada da mesma região. Foi implantada a sistemática denominada “Mais Atacadistas – Pernambuco”.

Esse programa, criado no governo Paulo Câmara, proporcionou a instalação do Novo Atacarejo e a vinda para o estado do Grupo Mateus, com a instalação de mais de vinte estabelecimentos de atacarejo, entre eles o Novo, que não fazia parte do Grupo Mateus. Em janeiro de 2023, o Governo de Pernambuco informou que chegou à marca de 145 empresas atraídas/ampliadas com geração de 4.944 empregos diretos; os investimentos totalizaram R$2,6 bilhões no ano fiscal anterior.

Comprou o Novo

Em maio de 2024, o Grupo Mateus S.A. comunicou à CVM a celebração de um acordo para assumir o controle dos negócios do Novo Atacado Comércio de Alimentos Ltda. (“Novo Atacarejo”), mediante a combinação da totalidade dos negócios do Novo Atacarejo com os estabelecimentos de atacarejo, varejo e atacado de distribuição da Companhia localizados nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas nesta operação (nos três estados), o Mateus deterá 51% e o Novo Atacarejo deterá 49% da Sociedade Resultante.

A rede Nova Atacarejo, portanto, opera no estado de Pernambuco com o respaldo do Regime Especial do Comércio Atacadista (Decreto Estadual nº 38.455/2012). Este benefício fiscal desonera a cadeia de produtos essenciais (alimentos e higiene) e permite melhor fluxo de caixa ao conceder diferimento e crédito presumido de ICMS.


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Marca do Mateus em Pernambuco. – Divulgação

Fazenda não explica

Procurada, a Sefaz-PE informou em nota que tanto o Novo Atacarejo quanto o Mix Mateus são enquadrados na Sistemática Mais Atacadista, disciplinada no Anexo 26 do Decreto nº 44.650/2017.E que alterações na razão social, não modificam o tratamento tributário aplicável. E não disse que alíquotas de empresas pagam menos ICMS.


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Lojas do Mix Mateus têm nova identidade visual. – Divulgação

Leia a Nota da Sefaz 

A Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE) informa que tanto o Novo Atacarejo quanto o Mix Mateus são enquadrados na Sistemática Mais Atacadista, disciplinada no Anexo 26 do Decreto nº 44.650/2017, desde que atendam aos requisitos previstos na legislação estadual.

Alterações na razão social, na organização empresarial ou na forma de operação, por si sós, não modificam o tratamento tributário aplicável. A permanência em qualquer sistemática tributária está condicionada ao cumprimento das exigências legais e regulamentares estabelecidas pelo Estado.

A definição do modelo de abastecimento das lojas, da logística e da estratégia comercial é de responsabilidade das empresas e não interfere no enquadramento tributário.

Assim, eventuais mudanças na razão social, na estrutura empresarial ou na estratégia de atuação devem ser esclarecidas pelas próprias companhias.


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A empresa Virtron Energia Solar foi reconhecida pelo segundo ano consecutivo com o prêmio “Destaque de Vendas 25/26”. – Divulgação

WEG premia Virtron

A empresa Virtron Energia Solar , com sede em Caruaru, foi reconhecida pelo segundo ano consecutivo com o prêmio “Destaque de Vendas 25/26”. Foi escolhida no WEG Partners 2026, realizado na semana passada em Jaraguá do Sul (SC), quando o grupo WE elege seus melhores parceiros.

A WEG não vende diretamente ao consumidor final: opera por meio de uma rede de integradores credenciados, como a Virtron, que, em apenas oito anos no mercado, conta com mais de 15 mil clientes e 120 mil placas solares instaladas, conquistando uma média de 500 novos clientes por mês.

A WEG é uma multinacional brasileira que oferece módulos fotovoltaicos, inversores solares, baterias de armazenamento, estruturas e equipamentos elétricos, além de sistemas completos para residências, empresas, fazendas e usinas solares.


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Perspectiva do Data Center da Um Telecom que controla a Atlantic Data Centers. – Divulgação

PE sem Data Center

Apesar da diligência do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do Núcleo de Proteção Especializada do Meio Ambiente (Nupema), que instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a eventual instalação de data centers no estado, as perspectivas de abrigo desse tipo de investimento são bem pequenas. E certamente estão a uma floresta de prejudicar o meio ambiente.

Na verdade, em Pernambuco existe apenas um projeto de Data Center. Ele é liderado pela Um Telecom, que anunciou a criação da Atlantic Data Centers. Trata-se de um investimento de R$300 milhões para um DC que será desenvolvido em três fases, numa área de 14 mil m2, no Parqtel no Curado. A primeira etapa contará com capacidade para mais de 150 racks, uma potência de um megawatt (MW) dedicada a equipamentos de TI e recursos iniciais de R$50 milhões, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


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CEO Rui Gomes da Um Telecom, controladora da Atlantic Data Centers. – Divulgação

Fora dessa briga

Portanto, a proposta do MPPE de avaliar previamente os impactos ambientais, econômicos e sociais desses empreendimentos, com atenção rigorosa voltada para a segurança hídrica e o uso dos recursos naturais locais, apesar de válida, não se justifica porque, definitivamente, Pernambuco decidiu não entrar na briga por esse tipo de investimento, como os demais estados do Nordeste.

Em alguns setores, as premissas de que os Data Centers têm um consumo extremo de energia, ampliam a escassez e a poluição da água, produzem emissões de gases de efeito estufa não existem, ao menos até agora. Embora algumas empresas trabalhem com a ideia, até porque o Estado tem ponto de acesso à energia autorizado pelo ONS na estação de energia de Suape II, de três gigawatts.


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Daniel Gomes, presidente da Atlantic Data Centers. – Divulgação

Sugestão de estudos

De qualquer forma, seria interessante ao MPPE juntar ao procedimento alguns documentos que desmistificam a ideia de que Data Center consome energia que os países não têm e usa a água que faz falta às cidades próximas. Embora isso tenha acontecido em alguns países.
Um dos mais completos foi produzido pela Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, e pela Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional – FADURPE, que é uma referência em estudos sobre energia no Brasil desde 1984.

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