Pernambuco deixa 4ª posição, mas segue entre os estados mais violentos do Brasil, aponta anuário

Pernambuco deixa 4ª posição, mas segue entre os estados mais violentos do Brasil, aponta anuário

Mesmo com redução, Pernambuco permanece entre os estados do País com maior taxa de mortes violentas intencionais – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Informações do JC

Com redução no número de mortes violentas intencionais – seguindo uma tendência nacional -, Pernambuco caiu da quarta para a quinta posição no ranking dos estados mais violentos do Brasil em 2025. A taxa foi de 33 óbitos por 100 mil habitantes. No ano anterior, esse índice era de 36,4. 

Os dados foram divulgados, nesta quinta-feira (23), pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, estudo produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública há duas décadas. 

Em 2025, o Brasil somou 40.775 mortes violentas intencionais. Houve queda de 8,2% em comparação com o ano anterior, quando 44.220 vidas foram perdidas. A taxa foi de 19,1 óbitos por 100 mil habitantes. 

Mesmo com a redução registrada no ano passado, Pernambuco permanece com uma taxa de mortes por 100 mil habitantes bem acima da média nacional. O Estado somou 3.159 assassinatos, contra 3.474 em 2024. A queda foi de 9,3%. 

A gestão estadual atribui a redução no número de homicídios ao aumento de investimentos na segurança pública, com contratação de novos profissionais, entrega de equipamentos (como viaturas e armas de fogo) e estratégias de inteligência para barrar o avanço das organizações criminosas. 

Na avaliação do pesquisador, consultor e especialista em Governança, Estratégias e Sistemas de Segurança Pública Armando Nascimento, a queda na posição de Pernambuco entre os mais violentos não altera o fato de que o estado permanece em patamar crítico, ao lado de Amapá, Bahia e Ceará, que lideram o ranking com taxas igualmente elevadas.

“Isso sugere que a política pública precisa ir além da queda percentual e atacar as condições que sustentam a violência persistente. Necessitamos de um estado de segurança, mas para isso é necessário reduzir a capacidade de reprodução da violência. Isso envolve inteligência integrada, investigação qualificada, padronização de procedimentos, gestão territorial, prevenção social e foco nos grupos e áreas mais vulneráveis, especialmente onde há maior incidência de homicídios e feminicídios”, disse.

Nas mortes violentas intencionais estão incluídos os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e os óbitos decorrentes de intervenções policiais.

O Amapá lidera entre os estados mais violentos do país. A taxa é de 42,5 óbitos por 100 mil habitantes. A guerra entre facções criminosas e o alto número de mortes decorrentes de ações policiais estão relacionados com esse resultado. 

Em números absolutos, o Amapá somou 343 assassinatos no ano passado. Foram 20 registros a menos em comparação com 2024. 

SETE ESTADOS COM ALTA NAS MORTES

O Anuário pontuou que sete estados brasileiros apresentaram aumento na taxa de mortes violentas intencionais em 2025: Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).

No caso de Rondônia e do Rio de Janeiro esse aumento foi reflexo, sobretudo, do maior número de óbitos decorrentes de intervenções policiais. 

O estudo citou que, em 2024, Rondônia somou oito ocorrências de mortes por intervenção policial. Já em 2025, esse número saltou para 47. Esses registros representaram 9,5% de todos os óbitos registrados no estado no ano passado. 

No caso do Rio de Janeiro, 20,5% de todas as mortes violentas intencionais registradas em 2025 foram em ações policiais. Em outubro de 2025, na Operação Contenção, deflagrada pela polícia para combater o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, 122 pessoas foram mortas – sendo cinco agentes de segurança. 

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