Clique aqui e escute a matéria
No meio da queixa do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro, reclamando da falta de reciprocidade tarifária e da imposição de barreiras ao biocombustível americano, há o argumento curioso do USTR, que alega que o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento equilibrado que mantinha até 2017, quando as importações americanas eram amplamente isentas ou operavam sob cotas favoráveis.
Os Estados Unidos têm o direito de reclamar, mas o que precisarão reconhecer em algum momento é que o Brasil deixou de importar etanol porque simplesmente virou um concorrente dos Estados Unidos nesse biocombustível.Como se tornou na própria exportação de milho, uma vez que já é o segundo maior produtor mundial.
Potência agrícola
O que pouca gente fora do agro percebe é que o país se tornou, de fato, uma potência em ao menos três culturas globais (soja, milho e algodão) em apenas duas décadas, e quando os Estados Unidos reclamam da suspensão das importações de etanol, não levam em conta que, em 2016, o Brasil não produzia etanol de milho, até porque estava concentrado em produzir milho para alimentação e biodiesel.
A história registra fatos curiosos sobre o que ocorreu com a cultura do milho no Brasil. No ano de 2000, importamos cerca de 2 a 3 milhões de toneladas, motivados por uma severa estiagem prolongada que quebrou a safra interna. Milho para alimentação humana.
Produção de milho no Brasil para produção de etanol, – Divulgação
Cultura global
Cultivado há milênios, foi a primeira cultura global a ultrapassar a marca de 1 bilhão de toneladas produzidas em uma única safra. No Brasil, que, com os Estados Unidos e a China, concentra cerca de 73,3% da produção mundial, o milho é a segunda cultura mais cultivada, ficando atrás da soja, e rompeu essa dinâmica introduzindo uma outra safra no período e, a seguir, uma terceira.
Portanto, quando a Conab estima a produção total de grãos no Brasil em 354,8 milhões de toneladas na safra 2025/26, reforça a trajetória de expansão e modernização do cultivo de milho no Brasil.
País importador
Entre 2026 e 2025, o Brasil continuou importando milho numa média de 1,86 milhão de toneladas. Mas faz anos que não compramos milho para produtos básicos de nossa alimentação.
Isso tem a ver com a produção de milho para etanol. A produção no Brasil se aproxima de 10 bilhões de litros na safra 2025/2026, impulsionada por investimentos especialmente de empresas americanas e pela alta na demanda por energia limpa.
Brasil é produtor de etanol de classe mundial. – Divulgação
Não precisamos mais
Quando os americanos reclamam que deixamos de importar, não levam em conta que simplesmente não precisamos mais. O volume de milho direcionado à indústria passou de 630 mil toneladas na safra 2016/2017 para mais de 22 milhões de toneladas no ciclo atual.
Na verdade, o setor hoje se prepara para disputar o mercado europeu com o mesmo etanol de milho, além do de cana-de-açúcar, nossa tradicional matéria-prima.
Não vendemos
Claro que o etanol brasileiro está longe de inundar os Estados Unidos e muito menos representar uma ameaça ao setor energético americano, tanto que o Brasil vendeu apenas 255 milhões de litros de etanol aos Estados Unidos.
Mas na medida em que a nossa produção cresce, a perda de espaço dos americanos não é no seu mercado interno, mas a partir do mercado brasileiro. A partir do crescimento do etanol de milho no Brasil inclusive para exportação.
Usina de etanol de milho no Brasil. – Diuvulgação
Fábricas americanas
Outra coisa interessante: as empresas americanas já estão no mercado de etanol de milho do Brasil: Summit Agricultural Group (fundo de equity de Iowa que liderou a instalação da primeira usina 100% de milho do Brasil), a Cargill (que atua diretamente na produção e comercialização de milho e coprodutos integrados ao mercado de biocombustíveis).
E tem os fornecedores de tecnologia e engenharia como a Katzen International, que vendeu as biorrefinarias de milho. Aliás, diferentemente das usinas e destilarias de cana-de-açúcar, as novas biorrefinarias de milhões produzem biocombustível, as unidades produzem DDG e DDGS para nutrição animal; óleo de milho; energia elétrica; biometano e dióxido de carbono biogênico para uso industrial.
Mudança estrutural
E esse sucesso da produção de etanol do Brasil não tem reflexo apenas nas relações com os Estados Unidos. O crescimento do etanol de milho pode marcar uma mudança estrutural no setor sucroenergético.
Até 2020 essa produção era complementar, mas a partir de 2025 passou a ocupar um papel crescente, impulsionada pela previsibilidade operacional, pela integração entre agricultura e energia e pela demanda crescente por combustíveis renováveis no mercado interno.
Produção de milho no Brasil. – Divulgação
Mistura na gasolina
Quando o governo determina que a partir deste sábado (1º) a participação do etanol anidro na gasolina comum de 30% para 32% (gasolina E32) gera uma demanda adicional de 1 bilhão de litros de etanol por ano para o setor sucroenergético brasileiro.
Com essa decisão estamos cortando uma importação de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano. E parte disso virá do etanol de milho.
Complexo do milho
Na prática, o que estamos vendo é a consolidação do chamado complexo do milho, como já temos no caso do complexo da soja.
Segundo a Conab, no Brasil, a safra 2025/26 é estimada em cerca de 22,5 milhões de hectares no total, considerando as três safras do grão, colhendo 141,7 milhões de toneladas. Só perde para a soja que tem cerca de 49,3 milhões de hectares para a safra 2026/27, com uma produção projetada de 185,6 milhões de toneladas.
Exportações de algodão batem recorde histórico em 2025. – Divulgação
Caso do algodão
Em termos de ocupação, essa dinâmica só é superada pelo caso do algodão (que não existia há 10 anos no agronegócio) e cuja área plantada é estimada em cerca de 2,03 milhões de hectares para o ciclo 2025/26, com projeção de alta de 4,4% para a safra 2026/27, alcançando 2,07 milhões de hectares.
Desde 2024, somos o maior exportador de pluma com mais de 3 milhões de toneladas. Nenhum país tem isso.
E essa performance tem a ver com Pernambuco — que produz etanol de cana-de-açúcar —, mas que quer milho para abastecer o polo avícola, que consome, em média, 3 milhões de toneladas de milho por ano.
Polo avicola de Pernmabuco consume tres milhoes de toneladas de milho. – Divulgação
Milho transgênico
O mesmo setor que, em 2005, através da Avipe, chegou a ir à Justiça Federal para importar 400 mil toneladas de milho transgênico da Argentina, quando o Brasil ainda achava que a única forma de produzir milho era plantar apenas sementes orgânicas.
Mas isso hoje é história.
Recife–Viracopos, seguida por Recife (PE)–Guarulhos (SP), foi a rota mais movimentada em número de clientes. – Divulgação
A importância do hub da Azul no Recife
A ligação entre os aeroportos de Recife–Viracopos, seguida por Recife (PE)–Guarulhos (SP), foi a rota mais movimentada em número de Clientes entre janeiro e junho, segundo a Azul, que transportou mais de 14,98 milhões de Clientes no primeiro semestre de 2026. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
No mesmo período, a Companhia apresentou uma oferta de mais de 18,93 milhões de assentos. Congonhas (SP)–Santos Dumont (RJ), Porto Alegre (RS)–Viracopos (SP) e Congonhas (SP)–Confins (MG), que formaram o top 5.
Hemobrás no MedDRA
A Hemobrás vai sediar pela primeira vez no Nordeste o treinamento oficial do MedDRA, ferramenta do Conselho Internacional para Harmonização de Requisitos Técnicos para Produtos Farmacêuticos de Uso Humano (ICH). O dicionário MedDRA, como é conhecido, reúne a terminologia médica adotada, em padrão global, capaz de registrar e analisar informações relacionadas à segurança de medicamentos.
O evento será nos dias 5 e 6 de agosto, das 9h às 17h, no Hotel Bugan, em Boa Viagem.
Mercado de vinhos
A Wine Concept Brasil muda de nome e passa a se chamar Wine Garrafeira Brasil, unificando sua identidade com as demais marcas do grupo: o restaurante Adega Garrafeira e a loja Garrafeira Brasil. A mudança reforça a conexão entre as três frentes de negócio e acompanha uma expansão da operação, com a inclusão de novos países no portfólio de importação.
A distribuidora já atua em mais de dez estados brasileiros e projeta ampliar sua rede de atuação nos próximos meses.
Tambaú comemora o sucesso da atração férias no RioMar Recife. – Divulgação
Tambaú no RioMar
Com mais de seis décadas de história e líder em catchup em várias praças do Nordeste, a Tambaú comemora o sucesso da arena Tomatinhos como atração temática de férias no RioMar Recife. A ação, que recebeu cerca de 400 crianças por dia ao longo do mês de julho, teve como objetivo fortalecer a conexão com as novas gerações sem perder a relação construída com os consumidores ao longo dos anos.
A LAM da Moura
A LAM, uma empresa do Grupo Moura especializada em soluções logísticas, participa da Multimodal Nordeste 2026, realizada entre os dias 4 e 6 de agosto, no Recife Expo Center, em Recife (PE). Durante o evento, a empresa estará no estande B06, apresentando seu portfólio de serviços voltados ao transporte rodoviário, à armazenagem e às operações portuárias, reforçando seu compromisso em oferecer soluções logísticas seguras, eficientes e personalizadas para o mercado.
Entre os diferenciais da operação estão a frota moderna e monitorada 24 horas por dia, equipe técnica especializada, rastreamento em tempo real e estrutura preparada para movimentação de cargas especiais, incluindo produtos químicos e materiais à base de lítio.



