pesquisa investiga impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais na pesca artesanal

pesquisa investiga impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais na pesca artesanal

UFPE ouviu comunidades de quatro estados sobre saúde dos pescadores e situações de racismo e injustiça ambiental após desastre

Por

JC


Publicado em 14/08/2026 às 9:05
| Atualizado em 14/08/2026 às 9:10

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Sete anos depois de um dos maiores derramamentos de petróleo já registrados no litoral brasileiro, comunidades de pesca artesanal do Nordeste receberão os resultados de uma pesquisa sobre os impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais do desastre.

O seminário que encerra o projeto “Petróleo e os Povos da Pesca Artesanal: Enfrentando o Racismo e a Injustiça Ambiental” acontece entre os dias 17 e 19 de agosto, em Tamandaré, reunindo pesquisadores, organizações sociais e pescadores dos quatro estados analisados.

Comunidades analisadas

Iniciada em janeiro de 2024, a pesquisa-ação foi desenvolvida pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com pesquisadores de outras instituições e organizações sociais, como a organização popular de base comunitária Caranguejo Uçá e o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP).

O trabalho acompanha comunidades de pesca artesanal de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, com o objetivo de identificar os impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais provocados pelo derramamento de petróleo de 2019 e contribuir para a elaboração de políticas públicas voltadas à proteção dos territórios e dos modos de vida das populações pesqueiras.

Outro eixo do projeto é investigar situações de racismo e injustiça ambiental enfrentadas pelas comunidades, além de problemas relacionados a outros impactos socioambientais nos territórios tradicionais.

A pesquisa também avaliou a saúde de pescadores e pescadoras que vivem em áreas estuarinas e de manguezais, considerando impactos do petróleo e outros riscos ambientais. Os dados devem subsidiar ações de fortalecimento da pesca artesanal, atividades sustentáveis e prevenção de novos desastres.

Comunidades de pesca artesanal – Divulgação/Caranguejo Uçá

Divulgação/Caranguejo Uçá

Comunidades de pesca artesanal – Divulgação/Caranguejo Uçá

Divulgação/Caranguejo Uçá

Comunidades de pesca artesanal – Divulgação/Caranguejo Uçá

Construção dos resultados

A iniciativa combina pesquisa científica e extensão universitária, com participação direta das comunidades. Durante o projeto, os pesquisadores buscaram identificar as características, problemas e potencialidades de cada território, além de discutir o acesso das populações às políticas públicas.

O trabalho também aborda a prevenção de riscos relacionados a possíveis derramamentos de fluidos e dejetos provenientes de embarcações, portos, tubulações e outras atividades realizadas em áreas litorâneas e estuarinas. No seminário de encerramento, os resultados serão apresentados e submetidos à validação das pescadoras e dos pescadores que participaram da pesquisa.

A proposta é que esse material ajude a ampliar a participação das comunidades tradicionais na formulação de políticas públicas e fortaleça a capacidade de resposta diante de problemas ambientais que afetam seus territórios.

Seminário acontece em Tamandaré

O encerramento será realizado no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CENEPE), em Tamandaré. A programação terá debates sobre saúde, trabalho e os efeitos do derramamento de petróleo nas comunidades pesqueiras.

Entre as atividades previstas estão uma apresentação sobre saúde e trabalho no pós-desastre, conduzida pela professora Ana Angélica, da UFBA, e outra sobre os impactos do derramamento de petróleo na saúde do pescador artesanal, com o professor Marcos André Silva, da UFPE.

A programação também prevê a “Ciranda dos Aprendizados”, o “Papo de Maré” e uma plenária para validação das discussões realizadas durante o encontro. A mesa de encerramento apresentará os resultados consolidados pelos participantes e os produtos desenvolvidos pelo projeto.

Relembre o desastre

O derramamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste em setembro de 2019. Em Pernambuco, o óleo chegou a São José da Coroa Grande, Carneiros, Maracaípe, Porto de Galinhas, Suape, Calhetas, Paiva e Itapuama, entre outras localidades. Em outubro, as manchas alcançaram o Grande Recife, com registros em Barra de Jangada, Janga, Ilha de Itamaracá e Pau Amarelo.

O episódio atingiu especialmente comunidades que dependiam diretamente do mar e dos manguezais para trabalhar e obter renda, como pescadores e marisqueiras. Cinco anos depois, em janeiro de 2024, teve início a pesquisa-ação da UFPE que agora chega à etapa final e busca identificar os impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais deixados pelo desastre nos territórios de pesca artesanal.

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