Plataforma de IA desenvolvida por estudantes apoia comunicação e acompanhamento de crianças com TEA

Plataforma de IA desenvolvida por estudantes apoia comunicação e acompanhamento de crianças com TEA


A plataforma oferece recursos como comunicação acessível, rotinas visuais, experiências interativas e acompanhamento personalizado

Por

JC


Publicado em 14/09/2026 às 14:34

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Estudantes da UNIFG Pernambuco, integrante da Ânima Educação, desenvolveram uma plataforma baseada em inteligência artificial para apoiar a comunicação, o acompanhamento e o monitoramento da evolução de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Batizada de Senses, a ferramenta reúne, em um único ambiente, famílias, profissionais de saúde e clínicas.

A plataforma oferece recursos como comunicação acessível, rotinas visuais, experiências interativas e acompanhamento personalizado. Um dos principais diferenciais é o uso de inteligência artificial para analisar padrões emocionais e comportamentais em tempo real. A partir dessas informações, o sistema busca identificar o estado emocional da criança e oferecer subsídios para que profissionais e familiares acompanhem sua evolução de forma mais individualizada.

“Nosso objetivo é tornar a comunicação mais acessível e oferecer aos profissionais e às famílias informações que apoiem decisões mais seguras e individualizadas. Com recursos personalizados e análises inteligentes, a plataforma promove maior autonomia para a criança, fortalece a expressão emocional e contribui para um acompanhamento mais eficiente ao longo do tratamento”, explicou Vitor Gabriel Silva de Lima, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UNIFG e líder do projeto.

A Senses também permite que as clínicas concentrem informações do acompanhamento infantil em um único ambiente. O sistema reúne histórico médico, registros de consultas, exames, rotinas, indicadores emocionais e relatórios, facilitando o acesso às informações e a comunicação entre profissionais e responsáveis.

Personalização e pesquisa

Outro recurso da plataforma é a personalização automática da experiência da criança. Com base nas informações analisadas pela inteligência artificial, o sistema adapta sons, estímulos e atividades ao estado emocional identificado, buscando tornar a interação mais confortável e adequada às necessidades de cada usuário.

A ideia surgiu a partir de uma pesquisa sobre TEA e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) realizada durante uma disciplina do curso. Segundo Vitor, o trabalho revelou dificuldades na identificação e na compreensão das emoções de crianças com essas características, especialmente entre aquelas mais novas, não verbais e com TEA até o nível 2 de suporte.

“Percebi que a identificação e a compreensão das emoções de crianças com essas características ainda eram muito manuais, principalmente entre as mais novas, não verbais e com TEA até o nível 2 de suporte. A partir disso, aprofundei a pesquisa, conversei com mais de 30 clínicas em diferentes regiões do Brasil e validei a necessidade de ferramentas mais simples e acessíveis para a comunicação alternativa. Foi então que dei início ao Senses”, detalhou.

O projeto reúne estudantes de diferentes áreas. Além de Vitor, participam Sabrina Oliveira e Maria Eduarda Pereira, da Biomedicina, e Alinne Silva, de Terapia Ocupacional. A proposta multidisciplinar busca combinar conhecimentos de tecnologia, saúde e terapia na construção da ferramenta.

Em fase de testes

A Senses está em fase de conclusão do Mínimo Produto Viável (MVP), versão inicial que concentra as funcionalidades essenciais da plataforma para validar seu funcionamento e permitir os primeiros testes com usuários.

A iniciativa também começa a avançar para além do ambiente acadêmico. Segundo a equipe, o projeto teve publicação recente no International Journal of Health Science e está em processo de estabelecimento de parcerias com organizações não governamentais vinculadas à UNIFG e com iniciativas desenvolvidas em parceria com a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes. A expectativa é ampliar as possibilidades de validação e aplicação da ferramenta junto à comunidade.

Para o professor Felipe Tenório, orientador do projeto, a iniciativa também contribui para aproximar a formação acadêmica de demandas concretas da sociedade.

“Projetos como o Senses têm alta relevância tanto para o desenvolvimento da pesquisa quanto para a formação dos próprios estudantes dentro da instituição de ensino. Além disso, representam uma devolutiva à sociedade do conhecimento adquirido e das soluções desenvolvidas no campus, por meio de parcerias como a firmada com a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes e com as organizações não governamentais impactadas pelo projeto”, afirmou.

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