Programação começa nesta quarta-feira e segue até sábado, passando pelo Centro Cultural Periférico Aurora Candidé, Coque, Ilha de Deus e Recife Antigo
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A juventude negra, a cobertura da mídia sobre as abordagens policiais na periferia e o passinho do bregafunk. Temas que acompanham a cultura contemporânea das comunidades do Recife são ponto de partida para “Guél Boy”, curta-metragem dirigido por Ayla Òbi que vai ganhar quatro sessões gratuitas no Recife e em Olinda.
A programação começa nesta quarta-feira (16), às 19h, no Centro Cultural Periférico Aurora Candidé, em Olinda. Na quinta (17), o filme chega ao Coque; na sexta-feira (18), à Ilha de Deus; e, no sábado (19), ao Recife Antigo, sempre às 19h.
As sessões acontecem em espaços que também serviram como cenário para as filmagens e serão seguidas de conversas com integrantes da equipe sobre cinema negro, produção audiovisual periférica e as experiências que atravessam a narrativa do filme.
Juventude negra e cultura periférica
“Guél Boy” utiliza elementos do realismo fantástico para abordar os impactos do racismo estrutural na cultura periférica do Recife.
O curta acompanha os amigos Uilson (Gabriel Oliveira), Marlon (Haryson Ribeiro), Duda (Rayssa Canuto) e Ninha (Kamile Nascimento), em uma narrativa que investiga os afetos, conflitos e expectativas da juventude negra.
Gravado com celular e drone, o filme aproxima o público da experiência dos personagens e revela o contraste entre territórios culturalmente efervescentes e as experiências de criminalização vividas por seus moradores.
O passinho do bregafunk, a pichação, o grafite, a poesia, a produção musical, as redes sociais e os jogos on-line atravessam a narrativa e ajudam a construir um retrato contemporâneo do Recife.
Okado do Canal integra o elenco de “Guél Boy” – Still/Divulgação
A cobertura sensacionalista de programas policiais e a representação dos jovens negros pelos meios de comunicação também são questões abordadas pelo curta. A obra questiona como essas narrativas podem contribuir para a criminalização de jovens e territórios periféricos.
Ao mesmo tempo em que coloca conflitos em cena, “Guél Boy” se volta para os vínculos construídos dentro da comunidade. Para Ayla Òbì, o filme é, sobretudo, uma história sobre amizade e sobre uma comunidade que se conhece, se apoia e encontra formas de construir felicidade.
“Apesar da imposição e atravessamento de distorções que se originam do racismo estrutural do Brasil através da mídia e da segurança pública, no filme, as pessoas vivem suas vidas organizando momentos que contradizem essa lógica da branquitude. Sendo assim, é um filme que, em seu gesto, por si só, é uma homenagem à vida e à cultura periférica”, afirma a diretora.
Integram o elenco nomes diretamente ligados a essas expressões artísticas, como Okado do Canal, que já protagonizou curtas e um longa-metragem, e Samuel Mucão, com trajetória no audiovisual.
A direção de fotografia é assinada por Roberto Iuri e a produção foi realizada por Rose Lima e Júlia Machado.
O projeto foi realizado com apoio da Secretaria de Cultura de Pernambuco, por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Programação das exibições
Quarta-feira (16), às 19h
Centro Cultural Periférico Aurora Candidé
Bate-papo com Ayla Òbì, Rose Lima e Roberto Iuri
Quinta-feira (17), às 19h
NEIMFA – Coque
Bate-papo com Anne Lírio Canuto, Anne Rayssa Canuto e Kamile Nascimento
Sexta-feira (18), às 19h
Caranguejo Uçá – Ilha de Deus
Bate-papo com Maria Gabrielly Dantas, Haryblack e Okado do Canal
Sábado (19), às 19h
Casarão das Artes – Recife Antigo
Bate-papo com Ayla Òbì, Ana Claudia Miguel, Carbonel e Gabriel Oliveira
As sessões terão acessibilidade comunicacional com interpretação de Libras.



