Nas redes sociais, é cada vez mais comum ver a dermatologia associada a procedimentos estéticos, como aplicação de toxina botulínica e preenchimentos. No entanto, esse recorte esconde uma parte fundamental da especialidade: o diagnóstico e o tratamento de doenças da pele, cabelos e unhas.
Lauren Morais, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Paraná (SBD-PR), explica que essa distorção de percepção pode levar pacientes a subestimar o médico dermatologista, concluindo que o profissional só cuida da parte estética.
“A dermatologia é uma especialidade médica muito mais ampla do que a fama que geralmente circula na internet. Envolve prevenção, diagnóstico e tratamento de alterações da pele, dos cabelos, das unhas e das mucosas, além de cirurgia dermatológica e cosmiatria. Reduzir tudo isso apenas à estética é desconsiderar anos de formação médica e desqualificar os médicos que realmente se dedicam à especialidade”, afirma.
Um olhar integral para o paciente
A presidente da SBD-PR aborda um ponto que costuma passar despercebido: mesmo em consultas motivadas por uma demanda estética, o olhar clínico do dermatologista continua ativo.
“Não podemos separar os dermatologistas e suas respectivas áreas de atuação. Clínica, cirurgia dermatológica e cosmiatria podem coexistir dentro da mesma especialidade. O paciente pode chegar ao consultório por uma queixa estética, mas continua sendo um paciente, que precisa ser avaliado de forma integral. A formação médica não desaparece quando o dermatologista realiza um procedimento estético”, explica Lauren.
A dermatologia envolve prevenção, investigação, diagnóstico e tratamento de condições inflamatórias, infecciosas e autoimunes, além de alterações relacionadas ao envelhecimento e à aparência. Queda de cabelo, dermatites, micoses, acne, psoríase, doenças das unhas e lesões suspeitas de câncer de pele fazem parte da rotina do especialista. Procedimentos estéticos, quando indicados, também exigem avaliação individualizada e segurança.
Como identificar um profissional especializado
Diante desse cenário, a SBD-PR reforça uma orientação à população: ter muitos seguidores nas redes sociais não é sinônimo necessariamente de qualificação médica.
“A quantidade de seguidores ou a aparência de um perfil não comprovam formação especializada. As redes sociais podem informar, mas não substituem a consulta nem a verificação das credenciais. Antes de escolher um médico, é importante conferir se ele possui RQE em Dermatologia e buscar atendimento para além da promessa estética, pensando na saúde da pele como um todo”, finaliza a presidente da SBD-PR.
Foto: Magnific/Divulgação
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