Tecnologia de perfuração avalia saúde de árvores e previne quedas no Recife

Tecnologia de perfuração avalia saúde de árvores e previne quedas no Recife


Exame identifica deterioração interna na madeira antes de decisões sobre poda ou remoção; cidade acumula cerca de 270 mil podas desde 2021

Por

JC


Publicado em 21/09/2026 às 12:56

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A avaliação da saúde interna de árvores no Recife conta com o suporte da penetrografia, técnica que identifica cavidades e processos de degradação da madeira não visíveis a olho nu. A ferramenta é utilizada pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) para orientar decisões sobre poda, conservação ou remoção de espécimes na área urbana.

Como funciona o diagnóstico

A análise do risco de queda e da integridade estrutural das plantas segue um protocolo em etapas:

  • Inspeção visual: identifica inclinações, galhos secos, fissuras, raízes expostas e danos aparentes no tronco.
  • Análise detalhada: avalia o histórico do exemplar, a espécie e a interação com a infraestrutura ao redor, como calçadas e fiação elétrica.
  • Teste instrumental: a penetrografia realiza uma microperfuração na madeira para medir a resistência interna e apontar perdas de densidade ou biodeterioração.

“Nosso trabalho é sempre avaliar tecnicamente cada exemplar antes de qualquer decisão. A tecnologia nos permite identificar problemas que muitas vezes não aparecem a olho nu e escolher o manejo mais adequado, buscando preservar a árvore sempre que houver condições para isso”, explica João Victor França, engenheiro florestal e gerente de Arborização da Emlurb.

Volume de podas e balanço do patrimônio verde

Entre 2021 e setembro de 2026, a capital pernambucana registra aproximadamente 269,8 mil serviços de poda técnica. O procedimento busca retirar galhos danificados, adequar o tamanho da copa e reduzir riscos à circulação urbana. Vistorias em áreas públicas podem ser solicitadas pela população por meio da Central 156 ou pelo aplicativo Conecta Recife.

Em 2025, o balanço da autarquia apontou o plantio de 1.963 mudas e a realização de 1.562 supressões, o que representa um saldo positivo de 25% entre espécimes novos e retirados.

A gestão do patrimônio vegetal inclui ainda a atuação da Comissão de Árvores Tombáveis, encarregada de imunizar contra o corte espécimes de relevância histórica ou ambiental. Instituído pela Lei Municipal nº 14.571/1983, o cajueiro figura como a árvore oficial do Recife.

“Existem árvores que ultrapassam sua função ambiental e passam a fazer parte da história e da relação afetiva das pessoas com determinados lugares. O tombamento é uma forma de reconhecer esse valor e garantir uma proteção diferenciada para que esses exemplares continuem fazendo parte da paisagem e da memória do Recife”, destaca França.

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