Estresse prolongado pode afetar saúde do coração, alertam especialistas

Estresse prolongado pode afetar saúde do coração, alertam especialistas


Cardiologista e psicóloga da UPA-E Mustardinha explicam como a permanência do estado de alerta pode repercutir na saúde cardiovascular

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O estresse é uma reação natural do organismo diante de situações desafiadoras, ameaçadoras ou que exigem adaptação. Quando essa resposta deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina, porém, o corpo pode permanecer em estado constante de alerta.

No Dia Mundial de Combate ao Estresse, celebrado nesta quarta-feira (23), especialistas da Unidade Pública de Atendimento Especializado Dr. Cyro de Andrade Lima (UPA-E Mustardinha), na Zona Oeste do Recife, explicam como a sobrecarga pode afetar a saúde emocional e cardiovascular.

Segundo a psicóloga Giulia Barbosa, o estresse mobiliza recursos físicos e psicológicos para que o organismo responda rapidamente a situações de pressão. Nesse processo, ocorre a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que podem provocar aumento da frequência cardíaca, maior estado de alerta, tensão muscular e maior disponibilidade de energia.

“O estresse não é necessariamente algo negativo. Em situações pontuais, essa ativação pode favorecer a concentração, a tomada de decisões e a capacidade de enfrentamento. O problema surge quando ela deixa de ser temporária e permanece por períodos prolongados, dificultando a recuperação do organismo”, explica.

Entre os sinais de que o estresse está deixando de ser pontual estão irritabilidade, ansiedade e preocupação excessivas, cansaço mental, dificuldade de concentração, alterações no sono e no apetite e dificuldade para se desligar de situações de tensão. De acordo com Giulia, é importante ficar atento principalmente quando esses sintomas começam a interferir na rotina.

“Quando a pessoa percebe que não consegue mais se desligar ou se recuperar da tensão e isso começa a interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou na qualidade de vida, já é importante olhar para essa situação com mais atenção. O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que está acontecendo, desenvolver estratégias de enfrentamento e favorecer a recuperação”, orienta.

Impactos no coração

O cardiologista Daniel explica que a permanência do organismo em estado de alerta também pode repercutir no sistema cardiovascular. Segundo o especialista, o estresse é considerado pelas evidências científicas e diretrizes de cardiologia um fator de risco cardiovascular independente, assim como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo.

“Em situações pontuais, o aumento da frequência cardíaca e da pressão é uma resposta fisiológica normal. O problema é quando o estresse acontece de forma exagerada e repetida. Nesses casos, pode aumentar a pressão arterial, a frequência cardíaca e o risco de arritmias, além de contribuir para consequências cardiovasculares ao longo do tempo”, alerta.

Além das alterações fisiológicas, o cardiologista chama atenção para mudanças de comportamento que podem acompanhar períodos prolongados de estresse. A redução da atividade física, o ganho de peso, o aumento do consumo de cigarro e a dificuldade para manter hábitos saudáveis e tratamentos recomendados podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular.

A UPA-E Mustardinha é ligada à Prefeitura do Recife.

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