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Mudanças de comportamento, dificuldades de concentração, irritabilidade e alterações no rendimento escolar podem estar entre os sinais de que crianças e adolescentes estão enfrentando algum tipo de sofrimento emocional. No ambiente escolar, a percepção dessas mudanças depende da observação cotidiana de professores, equipe pedagógica e demais profissionais que acompanham os estudantes.
No Colégio Saber Viver, a psicóloga Taciana Aguiar, do Serviço de Orientação Psicológica (SOP), acompanha as turmas do 5º ao 8º ano e destaca que a identificação de possíveis dificuldades emocionais exige atenção ao comportamento habitual de cada estudante e ao contexto em que as mudanças aparecem.
Entre os sinais que podem ser percebidos estão irritabilidade, dificuldade de concentração, choro fácil, alterações persistentes de comportamento e queixas físicas recorrentes, como dor de cabeça, dor de barriga e náusea. Também podem ocorrer tentativas de evitar atividades escolares, como provas, simulados e apresentações, além de isolamento ou mudanças na relação com os colegas.
Quando uma reação deixa de ser pontual
Reações de ansiedade ou estresse diante de uma prova, de uma mudança na rotina ou de um conflito não significam necessariamente que o estudante esteja enfrentando um problema emocional. Segundo Taciana, é esperado que situações específicas provoquem algum tipo de resposta, e um dos pontos a serem observados é a duração e a intensidade dessa reação.
“É natural que o estudante apresente reações pontuais diante de um momento avaliativo, de uma mudança de rotina ou de algum conflito que esteja vivenciando. Nessas situações, é importante observar se a reação é proporcional ao acontecimento e se tende a diminuir após o evento ou quando a situação é resolvida”, explica.
A atenção deve aumentar quando o sofrimento se torna intenso, persistente ou recorrente e começa a interferir nas relações, na rotina, no bem-estar ou na aprendizagem. Nesses casos, a observação conjunta da família e da escola pode ajudar a identificar a frequência, a intensidade e o contexto das alterações.
Mudanças no rendimento, isolamento, irritabilidade e perda de interesse também precisam ser analisadas em relação ao comportamento habitual do aluno. Para Taciana, esses sinais, isoladamente, não permitem concluir que exista uma dificuldade emocional.
“Embora esses sinais não indiquem, por si só, a existência de uma dificuldade emocional, merecem atenção quando representam mudanças em relação ao seu funcionamento habitual. Por isso, é importante compreendê-los de forma cuidadosa, considerando a história, o contexto e as particularidades de cada estudante”, afirma.
A avaliação, segundo a psicóloga, deve considerar diferentes aspectos da vida do estudante, como:
- Relações com colegas e familiares;
- sono;
- alimentação;
- tempo de tela;
- lazer;
- rotina de estudos;
No Saber Viver, a orientação pode ser feita de forma individualizada com o estudante e a família. Quando a equipe identifica a necessidade de um acompanhamento específico, o estudante pode ser encaminhado para profissionais externos.
Escola e família compartilham informações
Professores e equipes pedagógicas convivem diariamente com os estudantes e podem perceber alterações na participação, no rendimento, na interação e no comportamento. Essa observação, porém, não se restringe à sala de aula.
No Colégio Saber Viver, professores, assistentes de pátio e profissionais da equipe disciplinar compartilham percepções sobre os estudantes. A proposta é reunir informações que, analisadas de forma conjunta, possam ajudar a compreender se determinada mudança é pontual ou faz parte de uma alteração mais ampla.
“A nossa responsabilidade é oferecer um ambiente seguro, acolhedor e de escuta, no qual o estudante possa ser observado e cuidado sem julgamentos ou rótulos. Quando identificamos mudanças que merecem atenção, buscamos compreender o contexto junto ao estudante e à família e, quando necessário, orientar a busca por profissionais externos”, diz Taciana.
Taciana Aguiar, do Serviço de Orientação Psicológica (SOP), do Colégio Saber Viver – JAILTON JR/ JC IMAGENS
A família, por sua vez, acompanha situações que podem não aparecer na escola. Alterações de humor, sono, alimentação, rotina, conflitos ou mudanças no comportamento observadas em casa podem complementar as informações obtidas no ambiente escolar.
A comunicação entre os dois lados, portanto, é considerada parte do processo de identificação. Segundo a psicóloga, quanto mais escola e família compartilham suas percepções, maior é a possibilidade de compreender o que está acontecendo e definir os caminhos de cuidado necessários.
Cobrança por desempenho também exige atenção
A pressão por resultados acadêmicos, vestibulares, aprovação e desempenho pode influenciar a maneira como crianças e adolescentes percebem a própria trajetória escolar. Para Taciana, notas e resultados fazem parte do processo de aprendizagem, mas não devem ser considerados o único parâmetro para avaliar o desenvolvimento.
Ela afirma que é necessário observar também o esforço, as estratégias utilizadas, as dificuldades encontradas, os avanços e a capacidade do estudante de aprender com os erros.
“Quando a criança ou o adolescente percebe que seu valor está diretamente relacionado às suas notas, resultados ou conquistas, a cobrança pode deixar de ser um estímulo e passar a ser uma fonte de sofrimento. Nesse contexto, podem surgir medo de errar, ansiedade, perfeccionismo, insegurança e uma sensação constante de que nunca é suficiente”, afirma.
As redes sociais podem acrescentar outra dimensão à pressão, principalmente entre adolescentes. A comparação com outras pessoas e a busca por aprovação podem se somar às demandas escolares em uma fase marcada pela construção da identidade e pelo sentimento de pertencimento.
Educação socioemocional e busca por ajuda
No cotidiano escolar, o desenvolvimento de habilidades para lidar com frustrações, conflitos e situações de estresse pode ser trabalhado de forma contínua. No Saber Viver, esse trabalho inclui a disciplina de Educação Socioemocional, além de espaços de escuta e diálogo.
A proposta também envolve trabalhar o erro como parte da aprendizagem e utilizar a comunicação não violenta como recurso para estabelecer relações. O colégio conta ainda com o Serviço de Orientação Psicológica (SOP) e atendimento psicopedagógico, que acompanha aspectos relacionados à rotina de estudos, à relação com a aprendizagem e ao desenvolvimento dos estudantes.
Para pais e responsáveis que percebem mudanças nos filhos, o primeiro passo indicado pela psicóloga é buscar aproximação e compreender o que está acontecendo antes de tentar modificar o comportamento. “É importante demonstrar disponibilidade para ouvir, criar um espaço seguro de diálogo e acolher o que está sendo vivido sem julgamentos, considerando também os desafios e as características próprias de cada fase do desenvolvimento”, orienta.
Taciana recomenda evitar minimizar o que a criança ou o adolescente relata e também fazer comparações com irmãos, colegas ou outras pessoas. A família pode ainda procurar a escola para entender como o estudante está se relacionando, aprendendo e convivendo no ambiente escolar.



