Brasil lidera uso de agentes de IA na América Latina em meio ao desafio da capacitação empresarial

Brasil lidera uso de agentes de IA na América Latina em meio ao desafio da capacitação empresarial


No país, 38% dos trabalhadores recorrem a agentes de IA pessoais para tarefas de trabalho, e 59% deles consideram a prática de baixo ou nulo risco

por Lucas Moraes

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O Brasil consolidou sua posição como líder no desenvolvimento digital na América Latina, impulsionado pela alta aceitação e proatividade dos trabalhadores com o uso da inteligência artificial no ambiente profissional. De acordo com a segunda edição do estudo “Work: In Progress – Descobertas de como a IA está transformando o trabalho”, conduzido pelo Google Cloud em parceria com a IDC e a Provokers, 71% dos profissionais brasileiros trabalham com assistentes de IA, superando a média regional de 63%. Além disso, 59% utilizam agentes de IA ativamente, contra 54% na América Latina.

Esse ecossistema dinâmico se reflete no setor empresarial, onde o número de pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil que utilizam as soluções de IA do Google Cloud cresceu 9 vezes em relação ao ano anterior, ultrapassando o crescimento regional de 8 vezes.

Entre as companhias brasileiras, 17% estão em fase de adoção consolidada e 40% aceleram suas iniciativas internas com a tecnologia, apresentando índices superiores aos 12% e 35% registrados, respectivamente, na América Latina. Apesar do avanço nos indicadores de uso, o levantamento expõe desafios estruturais no ambiente corporativo, como o descompasso entre as ferramentas homologadas pelas companhias e as escolhas individuais dos funcionários.

No país, 38% dos trabalhadores recorrem a agentes de IA pessoais para tarefas de trabalho, e 59% deles consideram a prática de baixo ou nulo risco. As motivações para o uso não oficial envolvem problemas de compatibilidade tecnológica — apontados por 29% dos brasileiros como o maior gargalo —, além de facilidade de acesso (39%) e maior percepção de segurança e privacidade (39%).

A preferência por agentes integrados nativamente às ferramentas de rotina atinge 46% dos profissionais no Brasil. Outro alerta relevante diz respeito ao aspecto humano: 62% dos trabalhadores temem que programar a IA os torne dispensáveis em suas funções e 75% relatam não saber exatamente o que pedir às ferramentas para extrair um auxílio mais expressivo.

Como avalia Marcel Silva, líder de go to market e vendas de IA para o Google Cloud na América Latina, “o estudo deste ano consolida a posição do Brasil como o motor de inovação digital da América Latina, demonstrando o forte interesse dos nossos profissionais na integração de agentes de IA em suas rotinas. Agora, o grande desafio estratégico que se impõe às empresas é transcender o ganho isolado de eficiência, convertendo essa adoção orgânica em uma alavanca de transformação de negócios”.

Capacitação em IA e novos programas gratuitos

Para mitigar a lacuna de conhecimento e responder à demanda dos profissionais — dos quais 27% acreditam que a prioridade de capacitação cabe aos provedores de tecnologia, 25% veem como uma responsabilidade individual e 19% esperam a liderança da própria empresa —, foram estruturados caminhos de desenvolvimento em habilidades técnicas.

Entre as iniciativas disponíveis estão os Programas para Pequenas e Médias Empresas, focados em ensinar a criação de assistentes personalizados para as rotinas de trabalho, e o Google Skills para Organizações, que oferece acesso gratuito e sob demanda a milhares de cursos e laboratórios práticos elaborados por especialistas do Google Cloud e Google DeepMind.

Adicionalmente, as equipes podem buscar certificações reconhecidas pelo setor por meio de jornadas guiadas e mentorias especializadas. A expansão do uso das tecnologias abrange a adoção da plataforma Gemini Enterprise e de modelos como o Gemini 3.5 Flash e a API do Gemini por PMEs de diversos segmentos no ecossistema latino-americano.

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