EDUCAÇÃO ESPECIAL
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Eles cobram da gestão pública a ampliação do quadro de profissionais especializados, como os AADEEs, importantes para o acompanhamento individualizado
Mirella Araújo
Publicado em 02/05/2025 às 12:26
| Atualizado em 02/05/2025 às 12:35
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Mães e responsáveis por crianças neuroatípicas matriculadas na rede municipal do Recife denunciam a falta de suporte adequado nas escolas. Eles cobram da gestão pública a ampliação do quadro de profissionais especializados, como os Agentes de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial (AADEE), importantes para o acompanhamento individualizado de alunos com laudos e recomendações médicas.
A dona de casa Rosilene Gomes é uma dessas mães. Seu filho, de seis anos, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) por volta dos dois anos de idade. Desde então, ela passou a se dedicar integralmente ao cuidado e desenvolvimento dele, buscando garantir todos os direitos de saúde e educação assegurados por lei.
“Eu não sabia o que era o autismo e, depois do diagnóstico, entrei de cabeça nesse mundo para ajudar o meu filho. Ele possui um laudo completo, indicando as terapias que precisa fazer, a carga horária, e a indicação de que ele precisa de um apoio em sala de aula”, relatou Rosilene em entrevista a coluna Enem e Educação.
Inicialmente, a criança estudava em escola particular, mas, sem o suporte necessário, a mãe optou por transferi-lo para a rede pública. Atualmente, o menino está matriculado na Escola Municipal Alto do Refúgio – Ivan Neves, no bairro Brejo da Guabiraba.
A escola conta com cerca de nove alunos com laudo médico, além de outros em investigação diagnóstica, mas dispõe de apenas uma profissional AADEE para atender toda a unidade ensino.
“Estamos chegando à metade do ano e ainda não há nenhum apoio e nem resposta da Prefeitura do Recife”, desabafou. “O professor tenta dar suporte, mas sozinho é muito difícil. Imagine tentar ensinar enquanto uma criança está em crise, sem ter com quem contar.”
Rosilene reforça que os avanços do filho têm vindo das terapias, não da rotina escolar. “Hoje ele faz quatro terapias por semana. Eu vejo a evolução dele, mas não por causa da escola. Se ele tivesse uma profissional ao lado, que o ajudasse a se concentrar, estaria avançando ainda mais. É de grande importância que ele tenha esse acompanhamento dentro da sala de aula”, explicou.
A mesma frustração é compartilhada pela auxíliar administrativo Daniela da Silva Lopes, mãe de gêmeos de quatro anos. Um dos filhos foi diagnosticado com TEA em dezembro de 2022. Ele estuda na Escola Municipal Chico Science, no bairro Vasco da Gama, mas, por falta de apoio, tem frequentado as aulas apenas duas vezes por semana.
“Foi um choque quando recebemos o diagnóstico e ainda enfrentamos muitas dificuldades. A escola informou que o suporte foi solicitado, mas ainda aguardam resposta da Prefeitura”, explica Daniela. “Essa rotina instável prejudica não só a aprendizagem, mas também a socialização. Meu filho já tem dificuldade para realizar as atividades, e a quebra de rotina agrava ainda mais a situação”, disse a auxiliar em entrevista a coluna Enem e Educação.
Daniela fala sobre o impacto emocional da exclusão escolar. “É cansativo e angustiante. Fico sem saber como explicar a ele por que o irmão vai para a escola todos os dias e ele não. Dói ver meu filho chorar porque quer estudar e não pode. É revoltante ver que ele não tem os mesmos direitos de outras crianças típicas.”
As mães reforçam que inclusão não é apenas garantir matrícula, mas oferecer as condições reais para que cada criança possa aprender com dignidade e respeito às suas necessidades. Sem profissionais capacitados e estrutura adequada, a escola se torna mais um obstáculo do que um espaço de desenvolvimento.
O que faz um AADEE?
Os Agentes de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial (AADEEs) são profissionais essenciais para garantir a inclusão de estudantes com deficiência na rede municipal. Entre suas atribuições estão:
– Acompanhar os alunos no deslocamento dentro da escola e nas atividades de sala de aula;
– Auxiliar em momentos de alimentação, higiene, troca de roupas e fraldas, quando necessário;
– Apoiar o desenvolvimento pedagógico em parceria com professores e terapeutas;
– Contribuir para a segurança, bem-estar e autonomia dos estudantes.
Resposta da Prefeitura do Recife
A coluna Enem e Educação procurou a Secretaria de Educação do Recife na última terça-feira (29), solicitando esclarecimentos sobre a situação vivenciada nas escolas municipais citadas. Em nota, a pasta afirmou que as unidades mencionadas “possuem AADEEs e que os estudantes não ficam sem atendimento”.
A secretaria informou ainda que “ambas as unidades possuem estagiários de nível superior para dar suporte a estes profissionais e que novos agentes deverão ser lotados no próximo mês, oriundos da última convocação de profissionais para o fortalecimento da rede municipal, realizada no início deste mês”.
Em abril deste ano, a Prefeitura do Recife anunciou a nomeação de 547 novos profissionais para diversas áreas da educação, incluindo 72 Agentes de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial (AADEEs), além de 209 professores, 247 Auxiliares de Desenvolvimento Infantil (ADIs) e 19 Agentes Administrativo Escolar (AAEs).
Os professores e ADIs foram aprovados no último concurso público da rede, enquanto os novos AADEEs e AAEs foram convocados por meio de uma seleção simplificada.




