Inquérito indica que 2º sargento José Vicente Correia de Oliveira cobrou pagamento para devolver o capacete da vítima. Defesa pede soltura do militar
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Um policial militar está sendo investigado por exigir dinheiro, por meio de mensagens de WhatsApp, para devolver o capacete de um homem que teria sido alvo de uma abordagem violenta três dias antes no Recife. O 2º sargento José Vicente Correia de Oliveira foi preso em flagrante após a vítima denunciar o caso.
Segundo as investigações, o militar, mesmo em serviço, manteve contato com a vítima de 28 anos – inclusive por meio de vídeo – por cerca de cinco horas, no dia 28 de julho. Nos diálogos, eles combinaram o local onde se encontrariam. Sem que o sargento soubesse, a vítima procurou a Diretoria de Polícia Judiciária Militar, responsável pelo flagrante.
Por volta das 22h do mesmo dia, em meio à continuidade dos diálogos, houve a prisão pelo crime militar de concussão (quando o autor exige, direta ou indiretamente, vantagem indevida em razão da função pública).
“Constata-se que o autuado utilizou seu telefone celular pessoal para realizar a exigência indevida, número este que, inclusive, consta como seu contato oficial no Sistema de Gestão de Pessoas da PMPE, o que comprova tratar-se de linha de uso particular utilizada para a prática criminosa”, indicou o auto de prisão em flagrante.
Em audiência de custódia, José Vicente teve a prisão preventiva decretada e foi encaminhado ao Centro de Reeducação da Polícia Militar de Pernambuco (Creed), em Abreu e Lima.
A defesa dele está recorrendo da decisão, sob o argumento de que ele é primário, possui bons antecedentes e residência fixa.
DEPOIMENTO DA VÍTIMA
Em depoimento à polícia, a vítima contou que, três dias antes, estava em uma barraca de cachorro-quente, na Avenida General San Martin, no Recife, quando policiais militares chegaram e abordaram um garoto numa moto. Em seguida, o grupo teria se aproximado do homem e colocado ele na mala da viatura, exigindo dinheiro.
A vítima relatou que foi torturada e teve a quantia de R$ 1 mil retirada de uma conta bancária, via PIX. Antes de ser liberada, os militares teriam dito que só devolveriam o capacete se houvesse o pagamento de R$ 2 mil. Foi quando a troca de mensagens teria sido iniciada até que houve a prisão.
Um procedimento administrativo disciplinar foi instaurado para investigar a conduta dos policiais do 13º batalhão, com sede em Santo Amaro, área central do Recife.



