Ministro do Turismo atua e COP-30 passa a aceitar açaí, tacacá e maniçoba

Ministro do Turismo atua e COP-30 passa a aceitar açaí, tacacá e maniçoba



O ministro, que é de Belém, entrou na articulação com chefes de cozinha para garantir que pratos e ingredientes típicos da culinária tivessem espaço

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A organização da COP-30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática) voltou atrás na decisão de excluir açaí, tacacá e maniçoba do cardápio dos restaurantes do evento e passou a aceitar os alimentos, após atuação do ministro do Turismo, Celso Sabino.

A Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), responsável por fazer as contratações para o evento de Belém, havia publicado um edital com as regras para a seleção de operadores de restaurantes e quiosques que funcionarão durante a COP. Os restaurantes e quiosques não poderiam ofertar os produtos típicos da Amazônia durante os dias do evento. Neste sábado, 16, o edital foi republicado.

O ministro, que é de Belém, entrou na articulação com chefes de cozinha paraenses para garantir que pratos e ingredientes típicos da culinária paraense como maniçoba, açaí e Tucupi tivessem espaço na COP30, segundo nota do Ministério do Turismo. Após conversar com a OEI e o secretário-geral da COP, Valter Corrêa, ele anunciou que o edital seria republicado.

Em vídeo nas redes sociais, Sabino afirmou que a organização “pecou, cometeu um grave erro impedindo a entrada dos principais produtos da gastronomia paraense. “Vai ter açaí, vai ter tacacá e vai ter maniçoba na COP 30, sim”, disse o ministro.

A organização também mudou a orientação sobre a carne vermelha. Anteriormente, o edital determinava que os restaurantes evitassem o uso desse tipo de produto. Agora, o termo ficou suavizado, e os estabelecimentos deverão “incentivar a redução gradual do consumo de produtos de origem animal.”

Risco de contágio

A exclusão do açaí e de outros alimentos típicos da região Norte foi justificada pelo risco à saúde. Conforme o edital, o açaí tem “risco de contaminação por Trypanosoma cruzi causador da doença de Chagas, se não for pasteurizado”.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2023 foram confirmados 4.560 casos de doença de Chagas no Brasil. A preparação do açaí traz risco de contágio da doença, segundo especialistas. O quadro é provocado pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Há algumas décadas, ele era transmitido primordialmente por meio da picada do inseto barbeiro. Com a urbanização, isso se tornou menos comum.

“O barbeiro pode estar no cacho do açaí. Ao ser moído, o inseto vai junto. Ou quando o preparo é feito à noite, e a luz atrai o barbeiro, que acaba saindo naquele suco que está sendo preparo”, afirma Odilson Silvestre, médico cardiologista no Hospital Silvestre Santé, no Acre.

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