Durante evento em Niterói, o presidente falou sobre relação com os EUA e China, arcabouço fiscal e elogiou o governo interino do RJ
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não é “louco” para brigar com os Estados Unidos e a China.
“Eu não tenho os aviões, os tanques, as bombas e o dinheiro que eles têm nem o conhecimento científico e tecnológico que eles têm. E ao invés de ficar brigando, eu quero derrotá-los estudando, investindo e pesquisando mais do que eles”, disse nesta terça-feira, 28, na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ).
Lula também disse que não fará promessas em sua campanha para a reeleição. “Eu sou presidente da República, não posso fazer promessas em uma campanha. Se vocês tiverem que votar, votem pelo que eu fiz, e não pelo que eu vou fazer. Porque o que eu fiz é certeza, o que eu vou fazer, não é. A certeza é uma relação de confiança”, declarou.
Governo interino no RJ
O presidente disse que o governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, “pode fazer, no cargo de governador provisório, aquilo que nenhum eleito será capaz de fazer”.
“É o milagre da política, é o improvável acontecer na vida da gente. Muitos governadores eleitos jamais teriam coragem de vir numa SBPC. E muitos candidatos a presidentes e a governadores também não terão coragem de vir”, disse Lula a Couto.
O desembargador assumiu o governo do Rio após o esvaziamento da linha sucessória do cargo no Estado. O ex-governador Cláudio Castro renunciou às vésperas da sua condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE); o vice-governador deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ); e o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) foi afastado por decisões judiciais.
Arcabouço fiscal
Ainda no evento em Niterói, o presidente Lula disse que não vai desrespeitar o arcabouço fiscal porque sabe o “preço” do conjunto de regras criado para controlar os gastos do governo. “Eu não vou desrespeitar, porque eu sei o preço que ele tem para mim”, afirmou.
Lula repetiu, contudo, que é preciso criar “propostas ousadas” em ciência e tecnologia para discutir sua exclusão do orçamento. “A partir do orçamento que temos, não vai ter investimento em pesquisa. Na ciência e na educação, se não tivermos um projeto novo, uma proposta ousada, que a gente possa discutir, inclusive que isso não cabe dentro do orçamento… Vamos ter que construir o funcionamento disso até por fora das coisas que nós conhecemos como arcabouço fiscal”, disse Lula.
Em seguida, o presidente negou que tenha o objetivo de desrespeitar o arcabouço fiscal e disse que é preciso pensar em fontes de “dinheiro extra”. “O que eu preciso é construir alternativas para criar um programa que a gente possa anunciar ao Brasil”, acrescentou.



