Recife mantém liderança no Ranking de Competitividade entre as capitais do Nordeste, mas cai oito posições. Entenda os motivos

Recife mantém liderança no Ranking de Competitividade entre as capitais do Nordeste, mas cai oito posições. Entenda os motivos


Indicadores sociais e estruturais pesaram na avaliação e puxaram Recife para baixo, mesmo à frente das demais capitais do Nordeste

Por

Adriana Guarda


Publicado em 27/08/2025 às 10:01
| Atualizado em 27/08/2025 às 10:04

Clique aqui e escute a matéria

Recife é uma cidade de contrastes. Inovação e atraso, pioneirismo e abandono, riqueza e vulnerabilidade. No Ranking de Competitividade dos Municípios, divulgado nesta quarta-feira (27) pelo Centro de Liderança Pública (CLP) em parceria com a Gove e a Seall, a capital pernambucana mantém, pelo quinto ano consecutivo, a liderança entre as capitais do Nordeste. Mas o desempenho veio acompanhado de um alerta: nesta 6ª edição, Recife perdeu oito posições, enquanto outras capitais avançaram com força no ranking.

Capitais como Salvador, Natal e Teresina avançaram de forma expressiva, e cidades do Norte, como Porto Velho, Macapá e Palmas, registraram os maiores crescimentos do País. Das 27 capitais brasileiras, 18 subiram no ranking. Recife foi a única do Nordeste a registrar queda tão acentuada. Além do Recife, Fortaleza também caiu no ranking, mas apenas uma posição — de 8º para 9º lugar —, o que contrasta com a forte queda da capital pernambucana.

A executiva de Relações Governamentais e Competitividade do CLP, Carla Marinho, reforça a gravidade da queda. “É um dado importante. Cair oito posições para uma capital é muito relevante, especialmente quando olhamos para outras cidades que avançaram fortemente neste ciclo”, analisa.

Liderança mantida, mas sob pressão

Apesar de manter uma distância confortável em relação à segunda colocada no ranking do Nordeste – Fortaleza, em 97º lugar – a liderança do Recife ficou mais frágil. “Chamo atenção para o fato do Recife ser, entre as capitais do Nordeste, a que mais perdeu posições no ranking, apesar de ter mantido destaque importante nos últimos anos. É uma liderança que precisa ser vigiada e monitorada constantemente”, alerta.

Ao longo dos seis anos de trajetória do Ranking, Recife segue um comportamento de subida e descida ano a ano. O pior desempenho foi em 2020, ano da pandemia da covid-19, quando ficou na 100ª posição, e o melhor foi em 2023 (37ª). De lá para cá a capital pernambucana segue em queda.   

chart visualization

Avanços e quedas que explicam a trajetória

O desempenho de Recife tem duas faces bem distintas. De um lado, a cidade mantém posições sólidas na máquina pública (entre as 15 melhores do Brasil), no capital humano (top 10 nacional, embora tenha caído da 4ª para a 7ª posição) e na economia, com destaque para inovação e dinamismo econômico (entre as 30 primeiras).

slope visualization

Na outra ponta, os pilares sociais puxaram a cidade para baixo. Pelos dados do Ministério da Saúde (Datasus) utilizados pelo Ranking, a taxa de mortalidade materna em Recife é de 87,99 por 100 mil nascidos vivos, muito acima dos padrões da OMS e do Ministério da Saúde. Para comparação, Goiana, Caruaru, Ipojuca e Carpina registraram mortalidade materna zero. Já Jaboatão dos Guararapes teve o pior índice de Pernambuco, com 153,30 por 100 mil, o maior do ranking.

Além da saúde, houve queda em saneamento. A capital registrou piora tanto em abastecimento de água quanto em coleta de resíduos, fatores diretamente ligados à qualidade de vida e aos indicadores de saúde.

Saneamento e segurança: desafios permanentes

Cinco anos após o marco regulatório nacional do saneamento, Recife ainda enfrenta sérios problemas para universalizar o abastecimento de água e ampliar a rede de esgotamento sanitário. Carla lembra que os indicadores são claros. “Há necessidade de atenção nos pilares de saúde e saneamento, que estão interligados e impactam diretamente a qualidade de vida da população.”

Outro ponto crítico é a segurança. Recife enfrenta o pior resultado da sua série históric, ocupando a 387º posição entre 418 cidades avaliadas. Embora o tema tenha forte peso estadual, a queda no Recife reforça a necessidade de políticas mais integradas de segurança pública.

“O ranking, por ter caráter anual e foco nos resultados, é uma ferramenta importante para acompanhar de perto os desafios, corrigir rotas e identificar oportunidades, mas não se pode ignorar as diferenças entre as realidades de cada cidade. Ele não aponta apenas problemas, mas também evidencia avanços”, destaca.

Ela lembra que o acesso à saúde melhorou, mas a queda em indicadores de qualidade acendeu o sinal de alerta. “A liderança precisa ser vigiada e monitorada constantemente”, reforça.

O que diz a Prefeitura do Recife 

  • Por meio de nota, a Prefeitura do Recife respondeu sobre o desempenho da capital no Ranking, atribuindo alguns indicadores negativos, como morte materna à “desatualização de dados do levantamento’. O CLP informa que utiliza dados oficiais mais recentes disponíveis para elaborar o Ranking. Confira a nota:
  • Nos últimos cinco anos, a Prefeitura do Recife vem realizando o maior ciclo de investimentos públicos da história do município, com mais de R$ 2,5 bilhões em obras públicas e ações. Desse total, 70% dos recursos foram destinados a áreas periféricas, em especial com o foco em projetos de urbanização e infraestrutura, o que vem permitindo ao governo municipal entregar três obras em áreas de morro por dia.
  • A gestão municipal destaca que algumas informações divulgadas na pesquisa partem de bases de dados desatualizadas e que não refletem a realidade atual dos investimentos realizados.
  • No que diz respeito à mortalidade materna, houve uma queda de 40% entre 2023 e 2024. A gestão investiu na qualificação da linha de cuidado materno-infantil (pré-natal, puerpério, estratificação de risco e investigação de óbitos) e no fortalecimento da Atenção Primária, monitorando agravos infantis como baixo peso e risco nutricional.
  • Além disso, oferece cerca de 100 mil refeições diárias em escolas e creches, prevenindo desnutrição e obesidade, e lançou a Caderneta da Criança do Recife, ferramenta digital que integra dados de saúde, educação e assistência social para acompanhar crianças da gestação até os 10 anos.
  • Já a segurança pública é uma responsabilidade primária do Governo do Estado, mas a Prefeitura do Recife tem assumido um papel complementar cada vez mais ativo, especialmente na prevenção. De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), entre 2022 e 2024 os crimes violentos contra o patrimônio no Recife tiveram redução de aproximadamente 10%.
  • Esse resultado está associado a iniciativas municipais como a expansão da Rede Compaz, que já conta com seis unidades, o plano de iluminação pedonal (R$ 41 milhões já investidos e mais R$ 13 milhões em execução), a reestruturação de calçadas e a ampliação do sistema de câmeras de videomonitoramento.
  • Além da infraestrutura, a gestão também tem fortalecido o diálogo com a população, por meio de consultas públicas sobre percepções de insegurança, reforçando seu papel de apoio e prevenção às políticas estaduais.
  • No que diz respeito ao saneamento, comparar os desafios do Recife com cidades menores exige cautela, devido à maior população e complexidade urbana. A prefeitura investe em saneamento e infraestrutura, incluindo limpeza de canais, manutenção de galerias pluviais e combate ao descarte irregular de lixo. Entre as ações, destacam-se o ProMorar, para melhoria habitacional em áreas vulneráveis, e o Rua Tinindo, que moderniza infraestrutura urbana e serviços de saneamento.
  • Além disso, há ampliação da cobertura de água, avanços nas ligações intradomiciliares e investimentos contínuos na coleta e tratamento de esgoto, somados a limpeza urbana, coleta e reaproveitamento de resíduos. A gestão também promove políticas preventivas e educação ambiental integradas.

 

 



Link da fonte aqui!

Veja também: