Para parlamentares, medida é ‘vingança pessoal’ para proteger Bolsonaro e um ‘abuso de poder’, já que a política comercial pertence ao Congresso.
Túlio Feitosa
Publicado em 18/09/2025 às 22:25
| Atualizado em 18/09/2025 às 22:33
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Classificando a tarifa de 50% contra o Brasil como “ultrajante”, um “flagrante abuso de poder” e fruto de “mesquinhas vinganças pessoais”, um grupo bipartidário de senadores americanos apresentou, nesta quinta-feira (18), um projeto de lei para derrubar a medida do presidente Donald Trump.
A proposta busca anular a “declaração de emergência nacional” que serviu de base para a taxação, com os senadores usando discursos duros para criticar tanto a legalidade quanto a motivação do presidente.
“Vingança para proteger um amigo”
O senador democrata Tim Kaine, um dos autores, acusou Trump de usar a economia para fins particulares. “As tarifas do presidente Trump sobre produtos brasileiros, que ele impôs para tentar impedir que o Brasil processe um de seus amigos, são ultrajantes”, disse, defendendo que a política econômica deve visar os interesses americanos, e “não mesquinhas vinganças pessoais”.
“Comércio pertence ao Congresso”
A crítica não se restringiu aos democratas. O senador republicano Rand Paul, que também assina o projeto, argumentou que a ação de Trump viola a Constituição americana, mesmo que ele também se diga “alarmado” com a situação política no Brasil.
“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade, sob a IEEPA, para impor tarifas unilateralmente. A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”, declarou Paul, focando na separação de Poderes.
“Imposto no bolso do americano”
O líder da minoria no Senado, o democrata Chuck Schumer, classificou a medida como um “flagrante abuso de poder” e disse que “os americanos não merecem que Trump faça política com seu sustento e seus bolsos”. Na mesma linha, a senadora Jeanne Shaheen foi direta: “As tarifas do presidente Trump são um imposto sobre o bolso do americano comum”.
Em um comunicado conjunto, o grupo de senadores ainda alertou para o risco geopolítico da medida: “Uma guerra comercial com o Brasil […] aproximaria o Brasil da China”. O projeto agora inicia sua tramitação no Senado dos Estados-unidos.
(Com informações do Estadão Conteúdo).



