No cenário institucional, a fotografia é convincente: 90% das IES são particulares e concentram 79,8% das matrículas (mais de 8 mi de estudantes)
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O Censo da Educação Superior 2024 confirma, com dados robustos, aquilo que a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) vem sustentando há anos: o setor privado é essencial para a educação superior no Brasil e a modalidade a distância tornou-se peça estruturante desse acesso. Pela primeira vez, a EAD responde pela maioria das matrículas de graduação (50,7%), marco amplamente noticiado pela imprensa e que resume a “virada” do sistema brasileiro rumo à maior flexibilidade na graduação.
No cenário institucional, a fotografia é convincente: quase 90% das IES são particulares e concentram 79,8% das matrículas (mais de 8 milhões de estudantes). Ao mesmo tempo, observa-se uma assimetria entre organização acadêmica e concentração de alunos: as universidades representam 8% das IES, mas abrigam 53% das matrículas; os centros universitários totalizam 33,7% dos graduandos e as faculdades, ainda que numerosas, reúnem 11% das matrículas. Esses dados ajudam a compreender a capilaridade e a estrutura do sistema.
Mas a grande novidade desta edição do Censo foi mesmo o desempenho da educação a distância. Apesar da desaceleração em relação aos anos anteriores, a modalidade se consolidou como a protagonista da educação superior brasileira. Nossa expectativa, contudo, é de que esse crescimento esteja próximo do ponto de saturação. Especialmente porque, a partir de 2027, o formato semipresencial estará consolidado, devendo ele assumir essa posição de destaque em relação ao volume de matrículas.
Isso não significa que a educação a distância, tal como conhecemos hoje, irá desaparecer. Sua relevância para a democratização do acesso ao ensino superior é vital, e ela seguirá atendendo a uma parcela expressiva de estudantes que têm no formato a única opção possível para alcançar um diploma universitário. Já aqueles que buscam flexibilidade com maior presencialidade, tendem a migrar para o formato semipresencial.
Para se ter ideia, análise produzida pela ABMES em parceria com a Hoper Educação constatou que, já em 2025, a demanda pelo semipresencial ganhou tração, enquanto a EAD convencional passa por ajustes de portfólio e precificação. É um redesenho do mix de modalidades com foco na aprendizagem, no pertencimento estudantil e na sustentabilidade institucional.
No que se refere ao formato presencial, é possível que ele fique mais restrito aos cinco cursos expressamente vetados no formato a distância pelo Ministério da Educação, a saber: Medicina, Odontologia, Psicologia, Enfermagem e Direito. Para as demais graduações, embora parte da oferta deva ser mantida, a tendência é que a modalidade semipresencial ganhe um espaço significativo. Se esta previsão está correta, ou não, os próximos censos irão dizer. Aguardemos.
Retornando aos resultados de 2024, há outros pontos que merecem ser destacados. Por exemplo, 80,8% dos concluintes vieram da rede privada. Em termos concretos (diplomas entregues, profissionais formados), o setor particular sustenta a maior parte da formação superior do país, sobretudo em áreas e territórios onde a presença de instituições públicas é limitada. Isso, por si só, traz grande responsabilidade à atuação privada.
O Censo da Educação Superior faz um retrato amplo e extremamente relevante da oferta desse nível educacional no país. Contudo, quando analisado separadamente, não dimensiona os desafios ainda impostos ao nível terciário da educação brasileira. Recentemente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos apresentou uma realidade dura e que contrasta com as necessidades de formação desses tempos disruptivos e desafiadores.
Dados são fundamentais para a elaboração, a implementação e o acompanhamento de políticas públicas. No que se refere ao contexto educacional, o Brasil possui bases que poucas nações no mundo dispõem. O que ainda falta ao país é o compromisso inegociável de priorizar a educação como mecanismo de progresso e justiça social. Precisamos de políticas públicas de Estado que sobrevivam a ciclos eleitorais e de respeitar metas e compromissos assumidos em legislações como o Plano Nacional de Educação (PNE).
O Censo 2024 nos lembra que a educação superior brasileira é diversa e dinâmica, e que a oferta privada é condição sine qua non para a garantia do direito constitucional de cada cidadão à educação, especialmente em um país continental e desigual como o nosso. Assim, cabe a cada um de nós, instituições, órgãos reguladores e sociedade, trabalhar para que tenhamos não apenas dados robustos, mas também uma população mais bem formada e preparada para atuar em um mundo em constante transformação. Sejamos obstinados que dá!
Janguiê Diniz, Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador e controlador do grupo Ser Educacional, e presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo.




