Eleição de governador pode virar um Fla x Flu pernambucano

Eleição de governador pode virar um Fla x Flu pernambucano


A pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira demonstrou que a animosidade que atinge a classe política pode ficar ainda mais tensa

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– “Não há dúvida de que a eleição deste ano vai ser um clássico. Não é todo dia que se tem uma disputa entre uma governadora em exercício e um ex-prefeito de capital bem avaliado. Isso já é um componente de acirramento. A campanha vai ser aguerrida e bonita de se ver até porque Raquel Lyra e João Campos nunca perderam eleição e, portanto quem for derrotado o será pela primeira vez”. Análise é do líder do PSB na Assembléia, deputado estadual Diogo Moraes. Para ele, que aposta na vitória de João, o acirramento da disputa tem também outro componente: “desta vez só teremos dois candidatos com chance, bem diferente do que aconteceu no estado em 2022 quando tivemos cinco nomes competitivos”.

Sobre o clima da disputa que já é comparada, os meios políticos, a um verdadeiro Fla x Flu, a líder do Governo na Alepe, deputada Socorro Pimentel ,que aposta na vitória de Raquel, diz que “a Assembleia é hoje o maior exemplo disso ao ponto de estar praticamente paralisada”. Afirma que desde o início de 2025 “uma manobra parlamentar da oposição mudou a composição das comissões permanentes, onde o Governo tinha maioria, e o presidente da Alepe assumiu-se oposicionista, travando desde então projetos imprescindíveis para o estado ao ponto de estarmos no mês de abril e o Orçamento de 2026 não ter sido aprovado porque o presidente, que apoia o ex-prefeito, não remete a decisão para o plenário onde o governo tem maioria.

Clima de guerra na Alepe

Na verdade, a Alepe vive um clima de guerra permanente. A animosidade entre oposição e situação demonstra que a deputada Socorro Pimentel tem razão quando diz que tudo começou no poder legislativo. Durante o ano de 2025 passou a ser difícil juntar mais do que 10 a 15 deputados no chamado buraco frio onde os parlamentares costumavam almoçar e aproveitar para colocar informações em dia e falar do andamento das comissões, das votações em plenário e de programar pronunciamentos. Hoje pouquíssimos fazem isso. Almoçam nos gabinetes ou em restaurantes da redondeza. “Não quero me aborrecer na hora do almoço”- disse um deputado governista sobre a ausência no buraco frio.

Há quinze dias, no entanto, a situação ficou mais pesada e chegou ao plenário quando deputados governistas reclamaram na tribuna de apartes do presidente Álvaro Porto por causa da demora na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, tendo o presidente da Comissão de Finanças, deputado Antonio Coelho, chamado Porto de “líder da minoria”. Houve outro problema quando o deputado Izaias Regis, da base governista. foi impedido pela presidência de ler a ata, sendo substituído pelo oposicionista Romero Albuquerque.

Eleição de voto a voto

A pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira demonstrou que a animosidade que atinge a classe política pode ficar ainda mais tensa com a possibilidade da eleição ser decidida decidida voto a voto, incentivando os os dois lados a mostrar força nas redes sociais, nas passeatas, nos comícios e na propaganda eleitoral do Rádio e da TV.

“Vamos para uma eleição totalmente indefinida” cravou esta sexta-feira no programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o pesquisador Maurício Garcia para quem, mesmo com pouca pontuação, candidatos de pequenos partidos podem levar o pleito para o segundo turno diante da possibilidade de Raquel e João chegarem no dia do pleito quase empatados.

Ouvidos por este blog, os cientistas políticos Priscila Lapa e Felipe Ferreira Lima concordam sobre uma acalorada disputa entre Raquel Lyra e João Campos. Segundo Priscila, “a biografia dos dois principais pré-candidatos reúnem ingredientes de competitividade relevantes: são jovens mas com experiência administrativa, atendendo ao anseio do eleitor por oxigenação nos quadros da política; apresentam disposição para inovar nas gestões e dar mais ritmo às entregas; têm capilaridade e capacidade de articulação; têm excelente engajamento digital e baixa rejeição”.

“ Isso já é suficiente para uma disputa em essência acirrada”- afirma ela mas chama atenção para fato de que, “ao contrário de 2022, não há conjuntura de mudança, o que, em essência, favorece Raquel mas João se apresenta como opção viável para o leitor e terá o desafio de fazer discurso de mudança em um contexto em que esse pode não ser o sentimento predominante, por isso a tentativa dele de nacionalizar a disputa”. Ela, porém, chama atenção para o fato de que é preciso que a campanha seja iniciada para ter maior clareza do movimento do eleitor”.

Importância do voto conservador

Felipe Ferreira Lima entende que a pesquisa Datafolha aponta um grande nível de acirramento. “Raquel está crescendo e João apresenta uma certa estabilidade, dando a impressão de que atingiu o teto e vai precisar agir para ampliar seu espaço, embora precise vencer um outro obstáculo que é o fato de ter montado uma chapa totalmente de esquerda, excessivamente vermelha, o que afasta dele o eleitor mais conservador”.

Na sua opinião, “foi importante para Raquel conservar a frente na espontânea pois isso dá mais segurança da cristalização do voto e para traçar estratégias e continuar fazendo suas entregas, sem falar que o comando da máquina a favorece pela visibilidade que isso representa”. Embora chame a atenção para esperar mais ele não afasta a possibilidade dela vir a ser vencedora em um eventual primeiro turno “com a chapa que João montou o voto da direita vai cair no colo dela e essa pode fazer a diferença de que ela precisava para ser reeleita”.

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