Volume de chuvas eleva o nível dos rios e provoca sofrimento, transtornos e perdas em várias cidades do estado – mas não seria possível prevenir?
JC
Publicado em 02/05/2026 às 0:00
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A intensidade das chuvas e seus efeitos nas cidades e nas áreas ribeirinhas parece da ordem do inclemente, da crueldade. Mas o fenômeno natural não é cruel. Sua severidade nos castiga se nos pega de surpresa, quando estamos despreparados. Ou então, se diante da possibilidade da tormenta, mesmo com a previdência possível, a severidade da força das águas é tão incontornável que não nos resta outra coisa a não ser o consolo de uns aos outros, e a solidariedade de todos para com os mais afetados.
Mas será que é esse o caso, depois de mais uma tempestade gerando dor, angústia e desespero entre os pernambucanos? As páginas e telas do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação estão repletas de histórias tocantes de amparo, mas também de revolta e inquietação – e não apenas na esteira do volume de chuvas dos últimos dias. Há anos a situação se repete, com menor ou maior grau de alcance e estragos, em Pernambuco, assim como em outros estados do Brasil. Como sabemos, a cultura do improviso, da resposta grandiloquente, cheia de promessas, durante ou logo após a calamidade, se abranda com o passar do tempo, e infelizmente se repete tanto quanto os fenômenos climáticos. Cabe indagar até que ponto os gestores públicos e as populações têm condições de agir para prevenir as consequências do infortúnio previsível que vem do céu.
Com todas as justificativas da intensidade climática, tragédias provocadas pelas chuvas costumam descortinar o que não foi feito – e que, se houvesse sido, poderia impedir um desastre, ou mesmo mortes. E não se trata de buscar culpados. Mas a responsabilidade pública deve ser cumprida, em todos os níveis de gestão e atenção com os riscos, por exemplo, a que estão submetidos habitantes das encostas de morros. Famílias desalojadas, parentes inconsoláveis com a perda de entes queridos, gente desesperada a olhar para os alagamentos como se estivesse no meio da água, sendo levada pela correnteza. A população alagada merece mais, a cada chuva, do que a renovação de promessas e lamentos pelo tamanho da tempestade.
É notória a solidariedade e o comprometimento de servidores de qualquer escalão, da governadora e os prefeitos dos municípios atingidos, até as equipes de resgate e assistência às vítimas. Prefeito de Aliança e presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, Pedro Freitas tocou num ponto essencial, em entrevista à Rádio Jornal. A dedicação integral às ações emergenciais, dentro do que se espera do poder público, também precisa dar lugar, quando as águas baixarem, à busca por soluções que evitem a repetição de tragédias. Isso é necessário, vamos complementar, porque o cidadão que fica ilhado, e aquele a enxergar, compadecido, o drama de parcela da população, podem duvidar da eficácia de políticas públicas que parecem sumir debaixo d’água. Cada calamidade derramada pelas nuvens parece a repetição trágica formada pelo acúmulo e permanência da omissão.




