Conclusão do laudo indica principal causa do acidente de onibus em Saloá, onde 17 pessoas morreram

Conclusão do laudo indica principal causa do acidente de onibus em Saloá, onde 17 pessoas morreram


Laudo também identifica falhas na sinalização, cansaço do motorista e uso irregular de passageiros não registrados na viagem

Por

JC


Publicado em 05/05/2026 às 20:28

Um laudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontou que o excesso de velocidade foi o principal fator responsável pelo grave acidente com um ônibus ocorrido em 17 de outubro de 2025, na BR-423, no município de Saloá, no Agreste de Pernambuco. A tragédia deixou 17 pessoas mortas e outras 21 feridas, em um dos episódios mais marcantes nas rodovias do estado nos últimos anos.

De acordo com a perícia, o veículo trafegava a cerca de 90 km/h em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h. O excesso comprometeu a estabilidade do ônibus no momento em que o motorista fazia uma curva considerada perigosa. Ele perdeu o controle da direção, colidiu contra uma barreira e, em seguida, o veículo tombou.

A análise foi realizada por uma equipe especializada da PRF ao longo de seis meses. Vestígios no asfalto, como marcas de frenagem e deslocamento, foram fundamentais para a reconstrução da dinâmica do acidente.

Além da velocidade incompatível com a via, o laudo também apontou outros fatores que contribuíram para a tragédia. Entre eles, estão a sinalização precária no trecho — com marcas horizontais desgastadas e ausência de placas indicativas antes da curva — e o cansaço do motorista, que dirigia havia mais de quatro horas sem pausa.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o não uso do cinto de segurança por parte dos passageiros. Segundo a PRF, muitos cintos foram encontrados sob os assentos, o que indica que não estavam sendo utilizados. Isso fez com que várias vítimas fossem arremessadas para fora do veículo ou sofressem impactos graves dentro do ônibus durante o tombamento.

Passageiros não registrados

Paralelamente às conclusões técnicas sobre as causas do acidente, investigações também identificaram inconsistências na quantidade de passageiros transportados. O ônibus levava mais pessoas do que o número oficialmente registrado na lista de embarque.

Embora o veículo não estivesse acima da capacidade máxima permitida, a divergência levantou a suspeita de presença de “caronas”, ou seja, passageiros que não constavam formalmente na relação da viagem. O caso passou a ser investigado pelas autoridades, já que a irregularidade pode impactar tanto a responsabilização quanto o controle de vítimas.

O ônibus fazia uma viagem de turismo, com origem na Bahia, e havia passado pelo Polo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe. No momento do acidente, o grupo retornava.

Repercussão

O caso teve ampla repercussão em Pernambuco e em todo o país, tanto pelo número de vítimas quanto pelas circunstâncias da ocorrência. A divulgação do laudo da PRF representa um avanço na compreensão dos fatores que levaram ao acidente e pode subsidiar eventuais responsabilizações.

As investigações seguem em andamento para apurar outras possíveis irregularidades relacionadas à viagem e às condições do veículo.

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