Justiça Eleitoral veta candidatura avulsa ao Senado por partidos coligados na disputa pelo Governo de Pernambuco

Justiça Eleitoral veta candidatura avulsa ao Senado por partidos coligados na disputa pelo Governo de Pernambuco

Prédio do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco – Reprodução Blog Dellas

A eleição deste ano em Pernambuco trouxe ao debate a proposta de candidaturas avulsas para o Senado ventiladas primeiro pela ex-deputada federal Marília Arraes e esta semana pelo ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. No caso de Marília o assunto não foi adiante porque, com receio de que ela se entendesse com a governadora Raquel Lyra, o ex-prefeito João Campos se apressou a fechar sua chapa com o senador Humberto Costa e com a ex-deputada, mesmo correndo risco de enfrentar uma excessiva esquerdização do seu palanque. Em relação a Miguel, do partido União Brasil, a proposta foi rechaçada pelo PP, partido coligado com o União através da Federação União Progressista, mas gerou uma confusão sem tamanho.

Para evitar que o assunto virasse um “disse me disse” dos políticos deixando confusa a própria população, este blog conseguiu esta terça-feira, com a ajuda de um advogado eleitoral, acesso a uma decisão do pleno do TSE de 2022 no julgamento da consulta 72.971 e da Consulta 0600591-69 cujo relator foi o então ministro Ricardo Lewandowski onde está explícito que, ” (a) não é admitida a formação de coligação para o cargo de senador distinta da formada para o cargo de governador, mesmo entre partidos que integrem a mesma coligação; (b) na ausência de formação de coligação para o cargo de senador, os partidos coligados para o cargo de governador podem lançar, isoladamente, candidatos ao Senado Federal ; (c) o partido que não integrou coligação para o cargo de governador pode lançar, isoladamente, candidato ao cargo de senador”.

O que isso significa no caso pernambucano? Que a ex-deputada Marília Arraes, filiada ao PDT, poderia ser candidata avulsa a senadora desde que o seu partido não se coligasse para o Governo do Estado. Já no caso de Miguel Coelho, a candidatura avulsa não prosperaria uma vez que a Federação está na base da governadora e, tanto o PP quanto o União Brasil, já declararam apoio a ela, não podendo adotar posição distinta para a eleição de senador. Isso sem contar, como informou o advogado eleitoral que consultamos, que como o União Brasil e o PP formam um bloco só para que Miguel Coelho fosse candidato avulso ou mesmo Eduardo da Fonte, as duas legendas teriam que, de comum acordo, se afastar de Raquel Lyra e lançar candidatos avulsos ao Senado, o que, estaria fora de cogitação.

Deputado do PSD defende Lula na Alepe

Nesses tempos de entendimento entre a governadora Raquel Lyra e o presidente Lula, esta segunda-feira a Assembleia Legislativa foi palco de algo inusitado. O deputado estadual Izaías Regis, do PSD da governadora, defendeu o presidente na tribuna de apartes dos ataques pessoais feitos a Lula pelo deputado do PL, coronel Alberto Feitosa. Feitosa, uma das vozes bolsonaristas mais contundentes nas críticas a Lula e ao PT na Alepe, começou a defender o senador Flávio Bolsonaro e resvalou para usar palavras duras em relação a Lula quando Izaias foi ao microfone e pediu ”respeito” ao presidente. Izaías é de Garanhuns, a terra de Lula. Na hora discurso não tinha parlamentar petista no plenário e coube a ele o rebatimento.

Marília e o feminicídio

A pré-candidata ao Senado, Marília Arraes, resolveu colocar o combate ao feminicídio como uma das suas prioridades de mandato, caso seja eleita este ano. Segundo ela, “em Pernambuco, embora os índices de criminalidade geral (MVI) tenha recuado 9,59% em 2025, os feminicídios oficiais registraram uma alta de 15,7%, somando 88 vítimas fatais, posicionando o estado em quinto lugar no ranking nacional de feminicídios. Ela também pontuou que em 77% dos feminicídios registrados no estado não havia boletim de ocorrência anterior, porque as mulheres têm receio de denunciar os agressores. Esta terça-feira ela se reuniu com a Associação dos Delegados do Estado de Pernambuco (ADEPPE) e a Aliança das Mulheres Policiais de Pernambuco para discutir a questão.

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