Apesar do avanço estadual, os especialistas alertam que a eficácia da política habitacional depende diretamente das legislações municipais
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
O cenário imobiliário de Pernambuco atravessa um momento de transformação, impulsionado por políticas públicas de habitação de interesse social e parcerias estratégicas com a iniciativa privada. Em debate no episódio do videocast Metro Quadrado, da quinta-feira (4), o advogado patrimonial e de negócios imobiliários da Tizei Mendonça Advogados Associados Amadeu Mendonça e o subsecretário de habitação do estado de São Paulo e coordenador do Insper, José Police Neto, analisaram como o Estado tem se tornado uma referência nacional no setor.
Uma das principais mudanças de paradigma discutidas foi a reclassificação das famílias de menor renda. Em vez de serem vistas apenas como beneficiárias de subsídios, elas passam a ser compreendidas como os maiores investidores das cidades. Segundo Police Neto, o programa Morar Bem, do Governo de Pernambuco, foi fundamental para essa virada de chave ao garantir a entrada para o financiamento habitacional
“A governadora conseguiu fazer isso quando ela traz um conjunto de famílias excluídas até então, com a entrada garantida para essa família ser uma investidora na cidade. Ela não era até então”, afirmou Police Neto, destacando que o esforço fiscal do Estado retorna em forma de impostos e dinamismo econômico
Ele reforça que “a família investidora é uma solução de investimento para cidade e a gente sempre tratou essa família que não tem a unidade habitacional como um problema, como um déficit. E ela não é, ela é a solução pro investimento na cidade”
Para Amadeu Mendonça, o sucesso do programa é evidente. “A política habitacional do estado… tem prosperado muito nos últimos anos, especialmente com a governadora Raquel Lyra através do Morar Bem. É inegável que isso trouxe um grande avanço tanto para o mercado imobiliário em si da incorporação imobiliária, como principalmente para aquela parcela da população que antes ficava de certa forma excluída”
Desafios legislativos e o papel dos municípios
Apesar do avanço estadual, os especialistas alertam que a eficácia da política habitacional depende diretamente das legislações municipais. Para atrair os cerca de R$ 160 bilhões anuais oferecidos pela Caixa Econômica Federal, as cidades precisam de leis modernas que permitam o adensamento e reduzam custos desnecessários, como exigências excessivas de vagas de garagem para populações que muitas vezes não possuem automóveis
Nesse contexto, Amadeu Mendonça defende medidas que estimulem o setor privado, como o enquadramento de loteamentos sociais em regimes tributários diferenciados. “Algo que eu defendo também… seria a gente enquadrar esses empreendimentos de loteamentos puros no regime especial tributação, que a gente vai conseguir reduzir a tributação se for, no caso de habitação social para 1%”, sugeriu o advogado
Retrofit e a revitalização dos centros urbanos
Outro ponto da discussão foi o retrofit e a recente PPP (Parceria Público-Privada) de locação social no Recife, considerada “vanguarda” no Paí.
O reaproveitamento de edifícios antigos nos centros históricos é visto como uma solução sustentável para combater o espraiamento urbano e otimizar a infraestrutura já existente. Sobre o incentivo a essa prática, Amadeu Mendonça ressaltou o pioneirismo da capital pernambucana. “Recife deu o primeiro passo… trazendo uma legislação inteligente que faça com que haja um fomento à atividade privada para que feche essa conta”, referindo-se a instrumentos como a transferência do direito de construir para compensar os custos de restauração
Police Neto complementou que a valorização de uma cidade está ligada à sua capacidade de integrar diferentes classes sociais. “A cidade só vai ter valor quando for boa para todo mundo. Não tem como imaginar que uma cidade que tem 20, 30 até 50% da população morando em favela vai ser uma cidade de qualidade de vida para todos”.
Sobre a nova PPP de locação no centro, ele foi enfático: “O povo pernambucano pode se orgulhar se eles têm algo que, na minha opinião, é vanguarda pro Brasil”.
Com a Região Metropolitana do Recife concentrando a maior parte do déficit habitacional do Estado, o diálogo entre os 14 municípios e o suporte técnico de instituições como o Insper e o Condepe/Fidem são vistos como cruciais para os próximos anos. A expectativa é que Pernambuco continue liderando o ranking nacional em volume de lançamentos e entregas, consolidando um modelo de desenvolvimento contínuo.



