Campanha chama atenção para os sinais do câncer de pele e para a prevenção por meio da proteção solar
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O mês de junho é marcado pela campanha Junho Preto, iniciativa que busca conscientizar a população sobre o melanoma, considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o Brasil deve registrar cerca de 9.360 novos casos da doença por ano, sendo 4.930 em homens e 4.430 em mulheres.
Embora represente aproximadamente 4% dos casos de câncer de pele, o melanoma preocupa pelo elevado potencial de disseminação para outros órgãos. Já o câncer de pele não melanoma continua sendo o mais frequente no país, com previsão de cerca de 263 mil novos casos anuais no mesmo período.
O tipo corresponde a aproximadamente um terço de todos os diagnósticos de câncer realizados no Brasil e apresenta altas taxas de cura quando identificado precocemente.
Grupos de maior risco
Segundo o oncologista Rodrigo Arruda, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver a doença devido à exposição solar acumulada ao longo da vida e às características da pele.
“Pessoas que trabalham ao ar livre, como trabalhadores rurais, pescadores, vendedores ambulantes e profissionais da limpeza urbana, têm maior risco de desenvolver câncer de pele não melanoma. Também estão entre os grupos mais vulneráveis indivíduos com pele e olhos claros, histórico de queimaduras solares frequentes, idosos e pessoas com imunidade reduzida”, explica.
Atenção aos sinais da pele
Especialistas alertam que o câncer de pele costuma apresentar sinais visíveis, mas muitas vezes eles são ignorados ou confundidos com alterações consideradas comuns.
“Feridas que não cicatrizam após algumas semanas, manchas ou nódulos que aumentam de tamanho, lesões que sangram facilmente, formam crostas repetidamente ou apresentam mudanças de cor, tamanho ou aparência devem ser avaliadas por um médico”, destaca Rodrigo Arruda.
Uma das formas de identificar alterações suspeitas é a chamada Regra ABCDE, utilizada para avaliar pintas e manchas na pele:
A – Assimetria: uma metade da lesão é diferente da outra;
B – Bordas: contornos irregulares ou mal definidos;
C – Cor: presença de diferentes tonalidades em uma mesma lesão;
D – Diâmetro: lesões com mais de 6 milímetros;
E – Evolução: mudanças rápidas de tamanho, formato, cor ou surgimento de sintomas, como coceira e sangramento.
Diagnóstico precoce amplia chances de cura
De acordo com o especialista, identificar a doença nas fases iniciais é fundamental para aumentar as chances de sucesso do tratamento.
“Quando o câncer de pele é diagnosticado precocemente, o tratamento costuma ser bastante eficaz e, na maioria dos casos, envolve a retirada cirúrgica da lesão”, afirma.
O médico ressalta que a escolha da terapia depende das características do tumor. Além da cirurgia, podem ser indicados tratamentos como radioterapia, medicamentos tópicos, terapias-alvo e imunoterapia, especialmente em casos mais avançados.
Proteção solar é a principal forma de prevenção
A prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir os riscos de câncer de pele. A recomendação é utilizar protetor solar diariamente, reaplicando o produto a cada três horas ou após entrar na água e suar excessivamente.
Também é indicado o uso de roupas com proteção UV, chapéus e óculos de sol, além de evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação ultravioleta é mais intensa.
Durante a campanha Junho Preto, especialistas reforçam que a observação regular da pele e a busca por avaliação médica diante de qualquer alteração suspeita podem fazer a diferença para um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz.



