Presidente americano foi cuidar de seus eleitores e assim como na União Europeia avisa que não quer pagar para ser polícia do mundo
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Os americanos estão mais calmos. O preço médio da gasolina nos EUA caiu para menos de US$4 por galão nesta quinta-feira (18), pela primeira vez em meses, depois que o Irã e os Estados Unidos assinaram um acordo preliminar para cessar as hostilidades por 60 dias e reabrir o Estreito de Ormuz.
Não é nada extraordinário se comparado aos preços da gasolina que giravam em torno de US$ 3 por galão antes dos primeiros ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, no final de fevereiro.
Mas diferentemente do Brasil, onde a Petrobras leva meses para decidir se aplica aumentos ou reduções, os americanos acionam a correia de transmissão, embora todo mundo saiba que os navios de petróleo que as refinarias americanas estarão comprando a partir de hoje só vão chegar daqui a pelo menos dois meses. Funciona como uma expectativa para o futuro.
EUA e outras nações que ajudaram a costurar o acordo entre Hamas e Israel seguem comprometidos com a garantia de segurança dos civis – YOUSEF AL ZANOUN/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Os americanos estão apenas mais calmos depois que ficou claro que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, garantiu a Donald Trump na noite daquela sexta-feira que, se explodisse o quartel onde estavam reunidos 80% dos líderes do Irã, o regime cairia em três ou quatro semanas.
O presidente americano foi na onda. Mesmo que tenha sido eleito com o compromisso de não levar aos Estados Unidos nenhuma outra guerra, aparentemente, ele foi envolvido pelo velho líder de Israel e seu mal.
Quatro meses depois e tendo gastado US$ 140 bilhões com o conflito, parece claro que Trump todas as noites vai dormir com o sentimento de ter sido usado por Israel, que o levou a entrar numa guerra que não lhe permitiu assegurar nenhum dos objetivos anunciados na manhã daquele sábado, quando saiu distribuindo frases sem qualquer conexão com a realidade no campo de batalha.
O negociador experto percebeu que precisava sair desse buraco e foi para cima de Neteniaau com uma tempestade de críticas que o fizeram lembrar a constatação de Jimmy Carter quando precisou negociar do líder israelita até o desabafo com seus auxiliares que passou para a história. Quem é a nação líder desse embate? Os Estados Unidos, com certeza, não lideravam as ações com os palestinos.
Estreito de Ormuz no Irã. – Divulgação
Benjamin Netanyahu está no poder de pelo menos seis presidentes americanos e aprendeu a usar sua ameaça contra os palestinos para se beneficiar ao longo de décadas.
Mas em nenhum dos casos ele levou a um constrangimento tão acachapante como o de Donald Trump. Em inglês, claro, o que Benjamin Netanyahu fez foi humilhar os Estados Unidos e o seu presidente falastrão.
O que talvez ele jamais imaginasse é que Donald Trump não tem qualquer respeito por ele e ganha uma tigela de marshmallow para obter os diálogos do presidente americano com o líder de Israel. Mas já se sabe que Benjamin Netanyahu ouviu coisas que nenhum outro presidente lhe disse.
O que parece claro é que na guerra no Irã, as nações do Golfo Pérsico ( que foram alvo de uma série de ataques com mísseis e drones iranianos, que atingiram aeroportos, instalações de energia, hotéis e instalações militares) não tiveram a proteção que imaginavam, dadas as colossais armas dos Estados Unidos.
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu – Reprodução do X / @netanyahu
Eles já sabiam que Trump deixou de ser o protetor da União Europeia na guerra contra a Ucrânia atacada por Vladimir Putin. Mas jamais imaginavam ver os mísseis de fundo de quintal que custam em média US$20 mil desafiando os mísseis de última geração dos Estados Unidos, cada um custando US$2 milhões.
Por isso, na medida em que os termos do acordo preliminar firmado esta semana entre o Irã e os Estados Unidos foram revelados, ficou claro que os americanos deixarão de fora uma cláusula sobre mísseis e drones; essas autoridades dos países árabes sentiram-se frustradas.
O que nos leva à pergunta das autoridades governamentais do Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita e Catar: O que os Estados Unidos nos asseguram neste acordo?
Eles devem estar se perguntando se agora poderão contar com os Estados Unidos como garantidores de segurança, especialmente depois que o governo Trump ignorou seus alertas sobre a possibilidade de entrar em guerra com o Irã.
O midiático Donald Trump, ao menos, não recebeu os líderes do Irã para interromper a guerra concedendo ao Irã importantes benefícios econômicos. Mas o texto também não é de todo bom para os aiatolás. Até porque eles sabem que terão que fazer concessões mais difíceis do que o Irã eventualmente teria que fazer em relação ao seu programa nuclear.
Mas nas águas do Estreito de Ormuz, o acordo ao menos suspende o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos e, crucialmente, concede ao Irã isenções para exportar seu petróleo antes da negociação de um acordo final sobre seu programa nuclear. Isso dará ao Irã um importante fôlego econômico.
Isso é muito ruim para Israel. E esse acordo colocou o país de Neteniaau como a nação que mata crianças quando caça líderes dos Hezbollah. Quando Trump diz em público que Israel tem feito um serviço muito ruim, está dizendo que Israel cobra muito caro e não apresenta soluções.
Depois do que Israel fez na Faixa de Gaza, Trump não quer um exemplo igual no Líbano.
Os apoiadores de Benjamin Netanyahu estão bravos com o presidente americano. E eles vão querer se vingar nas próximas eleições. Na arte da guerra é preciso respeitar o inimigo. Mas como entender isso com as imagens de Caza e depois de fevereiro no sul do Líbano.



