Mais de 1,3 mil profissionais da rede pública de saúde estão passando por uma formação em navegação oncológica no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do projeto NavegaSUS, iniciativa que busca organizar o cuidado e melhorar a jornada de pacientes com câncer na rede pública.
O NavegaSUS oferece uma formação introdutória de 40 horas para profissionais de nível técnico e superior. Ao todo, a iniciativa contempla 1.331 vagas distribuídas em 121 regiões do país, com o objetivo de qualificar profissionais da rede pública para atuar na navegação oncológica e fortalecer a organização do cuidado de pacientes com câncer no SUS.

Levantamento realizado a partir dos dados dos candidatos da iniciativa mostra que o Nordeste concentra cerca de 21% das inscrições identificadas, figurando entre as regiões com maior adesão ao programa. Pernambuco se destaca no cenário regional, com 43 candidatos inscritos nesta primeira etapa da capacitação.
A iniciativa é desenvolvida pelo Ministério da Saúde, em parceria com o A.C.CamargoCancer Center, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), por meio da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES), configurando-se numa estratégia nacional para estruturar e fortalecer a rede de atenção oncológica, em consonância com a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), com vistas à promoção de um acompanhamento ativo e coordenado ao paciente da suspeita do diagnóstico ao tratamento. Esta estratégia tem como objetivo qualificar o cuidado oncológico e apoiar a organização da jornada do paciente dentro da rede pública.Um dos pontos relevantes da iniciativa é o foco em equidade com vagas destinadas a ações afirmativas, incluindo pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas trans e pessoas com deficiência,
Além da etapa introdutória, o projeto também prevê uma formação avançada, com foco na qualificação prática da navegação oncológica em serviços especializados do SUS, como Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACONs) e Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs). Nessa fase, a proposta é apoiar a construção de fluxos assistenciais e melhorar a organização do cuidado na ponta.
O NavegaSUSbusca fortalecer a qualificação de profissionais do SUS para atuar na navegação de pacientes, contribuindo para reduzir barreiras de acesso e aprimorar a coordenação do cuidado oncológico em todo o território nacional.
Navegação oncológica
A navegação oncológica é um modelo de cuidado que prepara profissionais para acompanhar de forma mais próxima o percurso do paciente dentro do sistema de saúde. Na prática, esses profissionais ajudam a identificar inúmeras barreiras, dentre elas estruturais, sociais que impactam no acesso ao cuidado oncológico, também organizam e monitoram etapas da jornada contribuindo para um cuidado mais alinhado às necessidades do paciente.
Com a adoção desse modelo dentro da rede do SUS, o profissional capacitado passa a atuar de forma mais integrada com os serviços disponíveis, acompanhando toda a jornada assistencial.
“A proposta é que, a partir da implementação da navegação oncológica, seja possível acompanhar indicadores e, ao longo do tempo, demonstrar o impacto dessa estratégia tanto na jornada do paciente quanto na organização dos serviços de saúde, com base na experiência já observada em serviços que já adotam esse modelo”, explica Fernando Freitas, coordenador de projetos no A.C.CamargoCancer Center.
Incidência do câncer reforça importância de organização do cuidado
No Brasil, o cenário reforça a importância de iniciativas desse tipo. O país deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Os cânceres de mama e de próstata lideram a incidência, e a doença está entre as principais causas de morte no país, ao lado das cardiovasculares.
Diante desse cenário, o país também enfrenta desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento oportuno e ao cuidado continuado, especialmente em regiões com menor cobertura de serviços especializados. Em muitas localidades, o tempo entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento pode ultrapassar 60 dias, o que compromete os desfechos clínicos e evidencia a necessidade de estratégias integradas de coordenação do cuidado, iniciativas como o Navegasusganham relevância, especialmente com o aumento da demanda por diagnóstico e tratamento na rede pública.



